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J-League: Um Júbilo Frontale

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J-League: Um Júbilo Frontale

O inédito e histórico título do Kawasaki Frontale. Fonte: sítio oficial do Kawasaki Frontale

Fim de Meiji Yasuda J1 League 2017 inesperado. O líder, titular e maior ganhador, Kashima Antlers, empata na visita ao Júbilo Iwata, Kawasaki Frontale goleia e, desta forma, conquista na derradeira jornada o primeiro título JL1 da sua história. A igualdade pontual favoreceu o Frontale, primeiro vencedor da liga nipónica por diferença de golos. A equipa Fujitsu é finalmente campeã e com muito Bom Futebol à mistura.

Não seriam muitos a anteciparem este final de liga, que dita novamente o quarto vencedor distinto em quatro anos seguidos, depois de Gamba Osaka em 2014, Sanfrecce Hiroshima em 2015, Kashima Antlers em 2016 e a estreia de Kawasaki Frontale em 2017. É a quarta ocasião em que tal sucede, depois de Verdy Kawasaki, Yokohama Marinos, Kashima Antlers e Jubilo Iwata (94-97), Yokohama F Marinos, Gamba Osaka, Urawa Red Diamonds e Kashima Antlers (04-07), Kashima Antlers, Nagoya Grampus, Kashiwa Reysol, Sanfrecce Hiroshima (09-12), aguardando-se que 2018 quebre este ‘enguiço’ e traga um quinto campeão diverso consecutivo.

Numa cidade que viu o primeiro campeão de sempre da J-League, o Verdy Kawasaki, conquistador dos dois primeiros títulos, o Frontale sempre foi o ‘parente pobre’, até à mudança do Verdy para os subúrbios da capital nipónica, agora a voltar a oferecer esse festejo a Kawasaki.

Kawasaki Frontale 5-0 Omiya Ardija

O Bom Futebol foi prata da casa da formação Fujitsu durante quase toda a temporada, contudo nada faria esperar – depois do campeão Antlers ter disparado na liderança – que o final de época traria a imensa alegria do inédito e tão desejado título para o Kawasaki Frontale.

Toru Oniki, a realizar a primeira época como treinador principal, não podia ser mais feliz, uma enorme conquista, sobre a recta final, logo a bater o clube onde se iniciou e passou boa parte da sua carreira de futebolista, antes de se mudar precisamente para o Frontale, onde pendurou as chuteiras e passou a integrar o staff técnico.

O caminho do ‘estalo’ e título abriu-se bem cedo. Antes de se completar um minuto de encontro já Hiroyuki Abe fazia abanar as redes do despromovido Ardija. Bela assistência de Elsinho, a progredir e encontrar o médio ofensivo. O Frontale iniciava a sua parte, vencer. O resto não dependia de si.

Apesar de estar a disputar o campeonato, o Frontale apresentou-se descomplexado e as situações de golo sucediam-se em ambas as redes. Novo golo adivinhava-se e foi nos descontos da primeira metade que a dupla Ienaga-Kobayashi volta a mostrar sintonia perfeita, Ienaga surge pela esquerda – a explorar em absoluto o lado defensivo direito do Omiya Ardija – e assiste Yu Kobayashi, que perseguia o título de melhor marcador, para o seu 21.º da liga.

Uma jogada sublime, de ver e rever, envolvendo meia equipa do Kawasaki Frontale, observa Ienaga descair novamente na esquerda e assistir ao poste mais distante Kobayashi, que mostra a sua capacidade finalizadora, 22.º tento, a igualar Sugimoto do Cerezo Osaka na liderança dos maiores goleadores da Meiji Yasuda J1 League 2017.

No outro desafio tudo permanecia a zero e o Kawasaki Frontale entrava nos 10 minutos finais com uma grande penalidade, que Kobayashi converte e além dos claros 4-0 passa a liderar a tabela dos marcadores, tudo se conjugava nos astros para um final de ano perfeito para o Frontale.

Antes do término do encontro terceira assistência de Ienaga, agora para concretização de Hasegawa, entrado aos 89 minutos, e para o duplo júbilo, pela vitória e pelo empate imposto pelo Júbilo Iwata ao campeão, que lhe ‘rouba’ o título.

Jung Sung-Ryong, Shota Arai, Kyohei Noborizato, Tatsuki Nara, Shintaro Kurumaya, Yuto Takeoka, Elsinho, Eduardo Neto (que passou brevemente pelo Sporting Braga), Carlos Eduardo, Ko Itakura, Shogo Taniguchi, Hiroyuki Abe, Yusuke Tasaka, Ryota Oshima, Koji Miyoshi, Kengo Nakamura, Tatsuya Hasegawa, Kentaro Moriya, Kenta Kano, Akihiro Ienaga, Takayuki Morimoto, Kei Chinen, Shohei Otsuka, Rhayner e Yu Kobayashi entram para a história a par de Toru Oniki e sua equipa técnica.

Júbilo Iwata 0-0 Kashima Antlers

O empate da 33.ª jornada deixava ainda o campeão Antlers com confortável margem, cinco pontos de avanço e obrigatoriedade do Frontale bater o campeão continental Urawa Reds para adiar para a jornada final o desfecho do título.

Um golo bastou ao Frontale a meio da semana e o Antlers sabia que no caso de triunfo dos de Kawasaki estava também obrigado a vencer pois tinha pior goal-average.

Nakamura não concordava e liderava o Júbilo Iwata na antítese. Livre frontal e sobreaviso por parte do ‘pé mágico’ nipónico.

A imprensa, apesar de tudo, estava em peso no Yamaha, os foto-jornalistas aglomeravam-se nas imediações das redes à guarda do polaco Kaminski, esperavam a foto perfeita para ilustrar o que antecipavam ser novo título do Kashima Antlers.

Sucedia-se o desacerto dos atacantes de ambas as formações. O juiz findava a partida e as lágrimas escorriam pelas faces da maioria dos futebolistas do Kashima Antlers, o título foi quase toda a temporada do clube, que liderou – com maior ou menor conforto – a época, apenas soçobrando quando era necessário confirmar. O Frontale celebrava, o Antlers chorava.

Albirex Niigata 1-0 Cerezo Osaka

O Albirex Niigata acordou tarde para a liga, já despromovido, acabou em grande a temporada, vitória em cinco dos últimos seis desafios, conseguindo ainda escapar ao 18.º lugar, algo impensável a meio da época face ao atraso do clube.

Os visitantes, Cerezo Osaka, já tinham a certeza da qualificação para a AFC Champions League através do 3.º lugar final e o foco estaria em garantir que Sugimoto obtinha o título de goleador da prova. Não o conseguiram, o avançado ficou em branco e Kobayashi apontou um hat-trick pelo Frontale para duplo título.

Apesar da descida do Albirex Niigata, Ogawa foi agraciado no início do desafio pelos 300 encontros de J1 League.

A mira parecia desafinada até que um passe mal medido a meio-campo permitiu a Roni correr desenfreado e apontar aquele que viria a verificar-se como único golo do encontro. O Albirex Niigata vencia e ultrapassava o Ardija na classificação final.

Kashiwa Reysol 1-0 Sanfrecce Hiroshima

Os 100 desafios de Taketomi na J1L foram notados antes do começo desta partida, num fecho de época para ambos os emblemas, a equipa da casa em alguma perda de fulgor, depois de ser das que Bom Futebol, do melhor, praticou durante toda a época, os visitantes aliviados pela garantia matemática da fuga à despromoção.

Felipe viu um golo seu anulado por fora-de-jogo antes de Hayashi voar e negar o golo ao Reysol.

O veterano Takuto Hayashi voltava a negar aos da casa, uma mão cheia de paradas do guardião de 35 anos.

Nakamura respondia com uma soberba defesa com o pé esquerdo.

Um canto muito chegado ao primeiro poste, várias pernas, obriga Hayashi a uma defesa de recurso e Otani na pequena área limita-se a encostar para o único do desafio.

https://www.youtube.com/watch?v=XWH5kriBODY

Urawa Reds 0-1 Yokohama F Marinos

Com a época ‘feita’, o Urawa Reds – campeão asiático – terminou em ritmo de festejo, sem preocupações absolutas. O Yokohama F Marinos sentiu as lesões, acabando por findar em 5.º lugar.

Divertidos, os jogadores do Red Diamonds até fizeram abanar as redes do F Marinos, mas este foi anulado por fora-de-jogo.

Hugo Vieira era uma seta apontada à baliza contrária, porém não conseguia desfeitear Nishikawa.

A partida seguia carregada de animação e Iikura era obrigado a trabalho aturado na sua baliza. Perigo numa baliza, apuros na outra, só faltavam mesmo os golos.

É já na segunda metade que uma excelente movimentação, a envolver Yamanaka, Nakamachi, Babunski e com Hugo Vieira a ‘segurar’ os centrais, vê o primeiro assistir Maeda para um fantástico remate à entrada da área. O F Marinos garantia a vitória e a 5.ª posição.

Consadole Sapporo 3-2 Sagan Tosu

Outro clube a fechar a liga em grande, saindo claramente da zona de descida é o clube representante da ilha de Hokkaido, o Consadole Sapporo, onde o inglês Jay Bothroyd se revelou vital e novamente abriu nova vitória na ronda 34.

Yokoyama envia um passe profundo, Tokura ganha na área de cabeça para tocar em Bothroyd, que enche o pé para o 1-0. Golaço!

Pouco depois dos 15 minutos nova bela jogada do Consadole, Bothroyd de calcanhar e agora é Tokura a finalizar! Qualidade de jogo.

Tagawa responde perto do intervalo para reduzir a desvantagem.

O central Kim Min Hyeok cabeceia com potência para o 2-2 já durante a segunda metade. Balde de água fria para os quase 28 mil que se deslocaram ao Sapporo Dome.

É já nos últimos cinco minutos que um livre lateral perfeitamente executado por Fukumori vê o homem que iniciou o 1-0, Yokoyama, entrar de cabeça para a vitória. O Consadole Sapporo termina em alta.

Vissel Kobe 1-3 Shimizu S-Pulse

Arrancou mal a obrigatória vitória do S-Pulse para evitar a descida. Bola avança na esquerda, centro atrasado, Watanabe com excelente domínio, remate enrolado e o Vissel Kobe adiantava-se no marcador. Tremiam os visitantes.

Shinji Kobayashi sente um alívio quando o seu pupilo Kitagawa iguala através de um livre perfeito. Aos 20 minutos tudo estava empatado.

A equipa do S-Pulse ganha confiança e Masuda revira o marcador ao 26 minutos. A festa era forasteira, esta vitória parcial garantia de forma absoluta a manutenção.

Ainda faltava surgir a estrela norte-coreana, nascida e criada no Japão, Jong Tae-Se, que cabeceia para o 1-3 e fecha definitivamente a manutenção do Shimizu S-Pulse, que termina a época em clara aflição, nada antecipada à entrada para o último quarto da temporada.

FC Tóquio 0-0 Gamba Osaka

Sem nada, salvo classificação final, a jogar, esperava-se mais deste duelo entre FC Tóquio e Gamba Osaka. O jogo marcou a despedida de Ishikawa, bastante ilustrado nas bancadas, tendo ainda a curiosidade de estar no banco visitante Kenta Hasegawa, entretanto oficializado como o treinador do FC Tóquio para 2018.

Foi sempre a formação da casa a parecer mais próxima do golo, com os colegas a procurarem Ishikawa, para o que seria uma despedida memorável, que o foi de qualquer forma. O veterano médio é substituído sob um manto de palmas durante a segunda metade.

Aos 80 minutos faz o seu segundo desafio de J1 League Takefusa Kubo, avançado ‘baixinho’ de 16 anos, numa clara aposta de futuro do FC Tóquio, que finda a temporada com este nulo.

O brasileiro Levir Culpi será o sucessor de Hasegawa no Gamba Osaka. Este será um regresso do veterano técnico – antigo central – ao Japão e à região de Osaka, pois orientou o Cerezo em 1997 e novamente entre 2007 e 2013, em dois períodos.

Ventforet Kofu 1-0 Vegalta Sendai

Três derrotas e dois empates nos últimos cinco jogos viram esta vitória de nada valer ao Ventforet Kofu que, inesperadamente, cai na zona de descida na penúltima ronda e desce mesmo à J2L.

O golo mesmo no final da partida face ao Vegalta de nada valeu perante a vitória do S-Pulse. Um golo brasileiro com assistência de Dudu para finalização de Lins, aos 96 minutos de partida. O festejo foi grande e os dribles também, no entanto anulado pelo resultado do rival pela permanência na ronda final.

Nagoya Grampus e Avispa Fukuoka anularam-se na final do play-off de acesso à J1, que garantia a terceira vaga, valendo a melhor temporada regular do Nagoya Grampus. Depois do pesadelo da primeira despromoção de sempre em 2016, o Nagoya Grampus retorna rapidamente ao convívio dos maiores.

Nagoya regressa à J1. Fonte: sítio oficial da Meiji Yasuda J1 League

J3 League

Mas não se pense que foi somente a Meiji Yasuda J1 League a sofrer uma reviravolta na ronda final. Também na J3 o campeão apenas se decidiu na última jornada, disputada na madrugada deste domingo, 3, com o líder a empatar diante do 2.º e o 3.º da tabela à entrada para a ronda 34, Blaublitz Akita, ‘Relâmpago Azul’ de Akita, a ultrapassar ambos para se consagrar campeão a atingir pela primeira vez a J2.

Depois de duas épocas na J3, o Tochigi SC consegue segurar o lugar de promoção e regressa à J2.

A despedida de Ishikawa

A madrugada europeia viu ainda Ishikawa, que se havia despedido na noite anterior pelo FC Tóquio, alinhar pela equipa sub23, entrou aos 83 minutos no duelo perante os sub23 do Cerezo Osaka, para ser celebrado por mais de seis mil pessoas neste desafio.

Taça do Imperador

O mês de Dezembro finda com a decisão na Taça, que terá as meias-finais a 23 e a final a 1 de Janeiro de 2018. Yokohama F Marinos de Hugo Vieira enfrenta Kashiwa Reysol e Vissel Kobe de Lukas Podolski terá pela frente o Cerezo Osaka. Caso o Cerezo vença a Taça ficará com lugar directo na fase de grupos da Liga dos Campeões 2018 e o play-off irá para o Kashiwa Reysol, 4.º da J1. F Marinos e Vissel Kobe necessitam do triunfo para se qualificarem rumo à edição continental de 2018.

Sem uma vaga, que deveria existir, exclusiva para o campeão continental, o Urawa Reds não poderá defender o título de 2017.

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