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Juvenis ao nível do resto da Europa?

Entre o Pormenor e a Sorte

Juvenis ao nível do resto da Europa?

Portugal estagnou nas medidas a tomar para evoluir o futebol. O facto de o tempo de jogo dos Juvenis em Portugal ser 80 minutos enquanto que nas grandes competições da FIFA e UEFA o tempo de jogo é de 90 minutos, claramente é uma delas.

O seu princípio até teve a sua lógica na altura, mas neste momento com várias equipas do escalão a treinarem de modo profissional ou quase profissional torna-se algo claramente obsoleto, uma vez que os jogadores a apresentam capacidade física para aguentar os 90 minutos.

 

Photo by Ricardo Machado

Estaremos com isso a preparar convenientemente os nossos jogadores para as grandes competições de selecções?

Claramente que não. A realidade é que no escalão de sub17 em Campeonatos do Mundo Portugal apenas conseguiu um 3º lugar em 1989 e desde aí que em 14 edições só se conseguiu qualificar para 2 delas.

Quanto a Campeonatos da Europa o balanço é francamente melhor mas no entanto também não é o ideal para uma Selecção que é actualmente a Campeã da Europa em Seniores. Em 16 edições desta prova desde 2002, apenas em 6 conseguimos a qualificação para a Fase Final. Em 2003 fomos campeões e em 2004 conseguimos um 3º lugar, mas daí até 2016 em que voltamos a ser campeões foi um deserto de 11 edições com apenas duas comparências em fases finais.

Fomos campeões em 2016?

Sim, fomos. Mas isso deve-se a mudanças realizadas pela Federação Portuguesa de Futebol para tornar o futebol jovem mais competitivo? De modo algum.

Deve-se sim às próprias equipas que formam os atletas, que em muitos dos casos dos convocados já os colocavam a jogar nos escalões acima, quer seja nos Juniores (no início da qualificação ainda eram Juvenis) quer mesmo nas suas equipas B de Seniores a competir na Segunda Liga.

Sendo este o sub-título da EuroNews:

“A equipa de Hélio Sousa marcou primeiro, deixou-se empatar, revelou cansaço, mas resistiu até aos penáltis. Aí, teve o poste da baliza do seu lado e a sorte da final.”

Será que é mesmo uma questão de maturação dos atletas que no resto do Mundo consigam fazer 90’ e no nosso País não?

Cada vez mais os jogadores estão fisicamente preparados para aguentar os 90 minutos, sendo que o seu estado de maturação física o permite fazer sem que daí advenham consequências prejudiciais futuras.

Os exemplos por essa Europa e Mundo fora de jogadores que em idade juvenil já se encontravam em ambiente de alta competição sénior vem demonstrar isso. Donnarumma com 16 anos a titular do AC Milan, Moise Kean tornou-se o primeiro atleta nascido de 2000 em diante a jogar um jogo da Liga dos Campeões pela Juventus. Martin Odegaard teve a sua estreia pela Noruega com apenas 15 anos. Alfont titular do Toulouse com 17 anos, Mastour a estrear-se pelo Málaga também com 17 anos, assim como Embolo pelo Basileia. Neymar Jr. a fazer 48 jogos e 14 golos na época em que se estreou pelo Santos com 17 anos de idade. Ryan Sessegnon com 16 anos de idade a completar 8 jogos, 2 golos e uma assistência com a primeira equipa do Fulham. Para não referir muitos outros como Ianis Hagi, Youri Tielemans, Alexander Isak ou Ben Woodburn.

Estaremos assim a preparar os nossos juvenis convenientemente para poderem entrar no futebol sénior prematuramente seguindo o exemplo do Rúben Neves ainda Juvenil e já a competir no escalão sénior?

Em certa medida sim, mas apenas porque os clubes estão a ser inteligentes em potenciar os seus produtos.

Cada vez mais os clubes formadores estão a ver as suas camadas jovens como um potencial de lucro futuro, infelizmente nem tanto nas suas equipas principais, mas como um produto que podem vender aos tubarões europeus nos seus primeiros anos de seniores ou até mesmo em idades mais jovens ainda, ouvindo-se cada vez mais notícias de propostas por jogadores ainda em idade Júnior e Juvenil.

Deste modo os clubes estão a colocar um bocado de parte os títulos nacionais nos escalões jovens e a apostar no potenciamento das suas mais-valias, dando-lhes estímulos mais competitivos de modo a proporcionar uma maior e melhor evolução.

Deste modo os clubes estão a cumprir a tarefa de preparar os seus jogadores dando-lhe outros tipo de estímulos que as entidades que deveriam intervir no assunto a nível nacional não estão a providenciar aos atletas.

E quem fala de Juvenis põe também a interrogação no tempo de jogo dos escalões mais abaixo, quer seja nos Iniciados quer seja nos escalões de base onde não há limite de substituições, nos quais uma equipa que apresenta na ficha de jogo todos os jogadores possíveis, e caso faça a rotação de todos eles, vai apresentar uma média baixíssima de tempo de jogo por cada jogador. A meu ver, nunca o tempo de jogo suficiente para o seu maior desenvolvimento e acima de tudo, claramente insuficiente para a sua vontade de jogar.

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