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Espanha ou Inglaterra: quem ocupa o trono do futebol europeu?

La Liga ou Premier League

Espanha ou Inglaterra: quem ocupa o trono do futebol europeu?

No dia 27 de Setembro, o Wanda Metropolitano abriu as suas portas pa0ra receber a primeira noite europeia da história. Para infortúnio dos ‘colchoneros’, a festa de inauguração foi estragada pelo Chelsea que, depois de estar a perder, conseguiu reverter a situação e vencer a partida por 1-2. Um dos muitos espectadores presentes era o jornalista desportivo Guillem Balague. Nome pouco sonante, mas cujas palavras e ideias foram retumbantes no mundo do futebol. Antes de deixar rasgados elogios aos ‘blues’, Balague revelou estar convencido de que “a Premier League está prestes a ter um maior impacto na Champions League”. Para o jornalista, o “último domínio europeu inglês foi de 2004 a 2009” e, desde então, a Espanha mantém-se no trono do futebol europeu.

Na opinião de Balague não será assim por muito tempo pois julga que a “enorme diferença em termos monetários relativamente às outras ligas misturada com os treinadores talentosos que já ganharam em diferentes campeonatos, e o facto de que a Premier League está a esvaziar o talento da liga espanhola” vão ditar o fim de um ciclo – o espanhol – e dar início a outro – o inglês.

O modelo em que hoje se disputa a Champions League foi inaugurado na época 2003/2004 e, por isso, o período da nossa análise estende-se desde esse momento até ao presente no âmbito económico, mas não só. A contextualização do desempenho desportivo é fundamental. Desde a época supracitada, em que o FC Porto venceu o troféu, a eliminação da segunda fase de grupos permite que os clubes que garantam o apuramento na fase de grupos passem de imediato para os oitavos-de-final sem ter de voltar a disputar pontos durante a competição.

De 2004 a 2009: o domínio inglês, segundo Balague

Desde a edição de 2003/2004 até à edição de 2008/2009 da Champions League, chegaram até ao jogo da final 4 clubes ingleses: Liverpool e Manchester United por duas vezes cada um, enquanto que Arsenal e Chelsea chegaram à final uma vez. Apesar de pelo menos um clube inglês estar presente em 5 finais (de 6 possíveis), a verdade é que apenas conquistaram duas: o Liverpool venceu ao Milan em 2005; e, em 2008, numa final totalmente inglesa, o Manchester United venceu ao Chelsea num jogo decidido da marca das grandes penalidades.

O “domínio europeu inglês”, como diz Balague, não passou sem um incómodo dos espanhóis: em 2006 o Barcelona bateu o Arsenal e, em 2009 os ‘culés’ voltaram a ser superiores aos clubes ingleses, com uma vitória sobre o Manchester United. No entanto, nem só de troféus se faz o futebol. Entre 2006/2007 e 2008/2009, alcançaram as meias-finais três equipas inglesas por época.

De 2009 em diante: o reinado espanhol de (pelo menos) quatro anos

Depois de uma final disputada entre o Bayern München e a Internazionale em 2010, com o clube italiano a sair vencedor, a final de 2009 repetiu-se: o Barcelona e o Manchester United reencontraram-se para discutir a ‘Orelhuda’. O clube de Manchester não deu resposta e o Barcelona voltou a sair vencedor. Nas duas finais seguintes, em 2012 e 2013, o troféu foi para casa dos ingleses do Chelsea – desde então os clubes ingleses têm demonstrado uma enorme dificuldade em chegar aos quartos-de-final da competição e nenhum clube inglês conseguiu sequer chegar à final – e do Bayern München, esta última disputada inteiramente entre alemães. Apesar de os espanhóis estarem presentes em todas as meias-finais durante este período, o reinado espanhol ainda estava para começar.

O domínio espanhol foi inaugurado em 2013/2014, quando dois clubes madrilenos chegaram até à final para disputar o troféu. O Real acabou por levar a melhor, com uma vitória segura frente ao Atlético. Na edição seguinte, o Barcelona voltou às finais, desta feita o adversário era italiano: a Juventus. Adversário diferente, mas desfecho igual: os ‘culés’ venceram por 3-1. Em 2016, a final madrilena voltou a repetir-se, com o Real a levar a melhor. A última edição disputada – 2016/2017 – foi protagonizada pela Juventus e pelo Real Madrid e, mais uma vez, o clube italiano foi derrotado pelo clube espanhol. Um domínio ininterrupto de (pelo menos) quatro épocas.

A popularidade da Premier League e o domínio do Real Madrid e Barcelona no dossier das receitas – Parte I

A Premier League é um fenómeno de popularidade ímpar. Em 2015/2016, a Premier League gerou o total de 4 865 milhões de euros, sendo de destacar que, do valor total, 2 577 milhões de euros são resultado da venda dos direitos de transmissão. Ao todo – incluindo as receitas comerciais e do dia de jogo – a La Liga facturou 2 437 milhões de euros, menos do que uma fatia do ‘bolo’ da liga inglesa. Na Premier League, a receita média por clube também é a mais alta: 243 milhões de euros contra os 122 milhões de euros médios em Espanha.

Apesar de tudo isto, de 2004/2005 a 2014/2015 o gigante espanhol Real Madrid foi o clube que gerou receitas mais avultadas, liderando a ‘liga do dinheiro’. Na maioria das vezes, foi seguido de perto pelo rival Barcelona, que ocupou o 2º lugar por 7 vezes durante esse período. Só na época de 2015/2016 (a última época analisada pela consultora Deloitte), o Manchester United voltou a ocupar o 1º lugar neste ‘campeonato’ com receitas totais no valor de 689 milhões de euros. Os dois gigantes espanhóis completam o pódio: o Barcelona ficou em 2º, com 620,2 milhões de euros em receitas; e o Real Madrid caiu para 3º lugar, com receitas de 620,1 milhões de euros.

Seria de esperar que, com um domínio tão avassalador, a La Liga fosse capaz de atrair mais investimento para aumentar as receitas. A verdade é que este domínio não ultrapassa os relvados. Nos dois parâmetros mencionados – o total das receitas geradas e a média de receitas por clube – a La Liga não fica somente atrás da Premier League, mas também da Bundesliga. E, no quesito de espectadores – média do número de espectadores e percentagem utilizada dos estádios –, a ordem é a mesma.

A popularidade da Premier League e o domínio do Real Madrid e Barcelona no dossier das receitas – Parte II

Na época 2015/2016, a Premier League, com uma média de 36 490 espectadores por jogo, com taxa média de ocupação na ordem dos 96% mostrou os melhores números; seguindo-se a Bundesliga, com uma média de 42 420 espectadores por jogo e com uma taxa média de utilização dos estádios de 90%; só depois encontramos a La Liga, com uma média de 27 626 espectadores por jogo e uma taxa média de ocupação de 76%. Números que ficam aquém do esperado, dado o domínio espanhol no panorama europeu.

Ainda que com resultados muito pouco satisfatórios numa competição tão importante, a popularidade da Premier League em pouco ou nada sofreu. A competitividade doméstica que lhe é reconhecida é, indubitavelmente, um dos maiores atrativos. Quanto à La Liga, em termos domésticos, tem sido dominada pelos gigantes Real Madrid e Barcelona, com o Atlético Madrid a querer, de quando em vez, surpreender ao competir com recursos em muito inferiores.

Desportivamente, o futebol espanhol pode estar até a passar a sua melhor fase, mas a história e a relação da Premier League com os adeptos de futebol estende-se para além dos bons resultados e demonstra que não chega que a bola (não) entre.

Fica ainda a dúvida: quem ocupa o trono europeu? A La Liga ou a Premier League?

Autoria: Raquel F. Veiga (A Economia do Golo)

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