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Liga dos Campeões Europeus: 8 finais (inesquecíveis)

Liga dos Campeões Europeus: 8 finais (inesquecíveis)

A Liga dos Campeões, outrora Taça dos Campeões Europeus, é o suprassumo das competições de clubes a nível… mundial. Mais do que europeu.

É na Europa, quer se admita quer não, que está a nata do futebol mundial, quer jogadores quer treinadores.

Por isso, o expoente máximo para um clube e, por arrasto, para um jogador, é atingir a final da Liga dos Campeões e, claro, vencê-la. A honra de ir ao palco da final, ainda assim, ninguém a retira. É única, simplesmente ímpar e inolvidável.

Neste artigo, está plasmada uma seleção da nata da nata, isto é, das finais mais incríveis, mais palpitantes, mais épicas. Caros senhores e caras senhoras, preparem-se: esta é a viagem mais louca (e lendária) pelo mundo das decisões finais da Liga dos Campeões Europeus.

 

1. Liverpool x AC Milan (2005)

Esta é, por muitos, considerada a mais arrebatadora de todas as até agora disputadas. Estávamos em 2005 (um ano depois do grande triunfo do Futebol Clube do Porto, na final diante do Mónaco, em Gelsenkirchen). Foi o Liverpool de Rafa Benítez que sucedeu à equipa portuguesa, mas… este «partidazo» teve história, muita história!

No final dos primeiros 45 minutos, o gigante italiano vencia por… 3-0! O lendário «capitano» da turma milanesa Paolo Maldini abriu o livro logo aos… 55 segundos de jogo e ao grande pontapé do defensor italiano correspondeu o argentino Hernán Crespo aos 39′ e 44′, com dois golos à ponta de lança.

Tudo parecia mais do que resolvido, «ameaçando», assim, de forma precoce, o jogo europeu do ano. Mas só parecia…

Os «reds», inspirados pela fúria espanhola derramada pelo seu treinador ao intervalo, transcenderam-se e responderam exatamente na mesma moeda, com 3 tentos no segundo tempo. Pim (Gerrard, 54′), pam (Smicer, 56′), pum (Xabi Alonso, 60′). Três «rockets» que logo imortalizaram de magia, poesia,… futebol um estádio inaugurado apenas 3 anos antes (o Olímpico Ataturk, em Istambul).

Fechada a torneira dos golos na(s) última(s) meia(s) hora(s) (tanto do tempo regulamentar como, depois, no prolongamento), e mentalmente por cima, o clube inglês acabou por levar a melhor na sempre imprópria para cardíacos série de grandes penalidades.

Em suma, uma final épica. Para muitos, mesmo a melhor de sempre.

 

2. Manchester United x Bayern Munique (1999)

Não foi a final com mais golos seguramente, mas, também seguramente, não houve alguma que tivesse o final de jogo emocionante que esta teve.
Camp Nou, Barcelona, 26 de maio. Os dois colossos Manchester United de Alex Ferguson e Bayern de Munique de Ottmar Hitzfeld encontram-se para discutir o ceptro maior da Europa.

Um Bayern quase 100% alemão (Samuel Kuffour era o único estrangeiro no ’11’) entra a todo o vapor e, logo aos 5 minutos, Mario Basler, num livre descaído pela esquerda à entrada da área, bate o gigante capitão Peter Schmeichel, que não ficou isento de culpas.

O jogo decorreu a grande ritmo (digno das esperanças nele depositadas), Oliver Kahn brilhou, Schmeichel idem (bem como os ferros da sua baliza – que por duas vezes abanaram) e, chegado o minuto 90, é levantada a placa do tempo de compensação: 3 minutos. E, aí, veio… a história.

O United, previsivelmente dada a escassez de tempo, carregava em cima da baliza alemã e… ganha um canto.

Tudo para a frente (inclusive Peter Schmeichel). Canto batido da esquerda do ataque inglês, Schmeichel falha o cabeceamento, que é ligeiramente desviado por um jogador alemão, a bola sobra para Dwight Yorke, que nada consegue fazer, é posteriormente mal aliviada pela defensiva alemã, sobra para Giggs que a remata à entrada da área, e Teddy Sheringham, vendo-a ao seu alcance, dá-lhe força e desvia-a subtilmente para igualar a partida. 1-1!!!

Mas… os ingleses, em território espanhol, pretendiam a remontada completa. Aproveitando o misto de desalento e desorientação que se instalou na equipa alemã, continuaram a carregar sobre o adversário e… novo canto… e novamente sobre a esquerda.

Beckham volta a ser chamado para a cobrança, a bola ‘cai’ direitinha na cabeça de Teddy Sheringham, que a endereça para o coração da pequena área, e Solskjaer, por instinto, mete-a lá dentro! Utópico, absolutamente utópico!

Em menos de 3 (!) minutos, os ‘babies’ de Ferguson alteraram uma história que parecia estar já traçada. Uma reviravolta absolutamente titânica, que ficará pregada a letras douradas na história das finais da maior competição de clubes do planeta.

O famoso jogo de banco de Sir Alex ficou, aqui, mais do que nunca, bem patente, visto que as grandes figuras da reviravolta (Sheringham e Ole Gunnar Solskjaer, habituais armas secretas) saltaram precisamente do banco de suplentes para… tudo mudar.

Uma final, enfim, de sonho. Tanto para os fãs do United como para o comum adepto do desporto mais amado.

-> Vídeo inédito captado por uma câmara à beira da baliza de Oliver Kahn, no tempo de compensação (onde tudo aconteceu)

 

 

3. Bayer Leverkusen x Real Madrid (2002)

A segunda final do novo milénio trouxe-nos, muito provavelmente, o melhor golo de sempre num jogo desta índole.

Zinedine Zidane (esse mesmo, o atual técnico do Real Madrid que está próximo de conquistar mais uma Champions numa carreira que está a ir além-jogador) ajudou à hegemonia do «seu» Real na prova rainha da UEFA com um pontapé absolutamente fabuloso, ainda nos primeiros 45 minutos, que desequilibrou o 1-1 que se verificava até aí e que se manteve até final. Mas puxando a fita atrás…

O Bayer nunca conseguiu conquistar qualquer Bundesliga, mas, na altura, era uma equipa forte, na linha do que o Dortmund é hoje. Para se ter noção, foi vice-campeão alemão em 1997, 1999, 2000 e 2002, posições que lhe valeram, então, a incursão por estas lides europeias. Pontificavam, nesta final disputada em Glasgow, na Escócia, jogadores como o brasileiro Lúcio, um dos melhores jogadores da história do futebol germânico Michael Ballack, o argentino Diego Placente, o búlgaro Dimitar Berbatov, o turco Basturk e os temidos dianteiros alemães Ulf Kirsten e Oliver Neuville.

Do lado do gigante da capital espanhola, estávamos na altura dos célebres «Galácticos», era que Florentino iniciou com o «roubo do século» de Luís Figo ao Barcelona. Além da estrela portuguesa e do supracitado Zidane, Roberto Carlos, Raúl, Morientes, o mítico capitão madrileno Fernando Hierro e Claude Makélélé eram expoentes máximos de uma equipa recheada de qualidade.

Qualidade essa que Raúl González Blanco logo fez emergir aos 8 minutos de jogo, com um golo “à Raúl”, pleno de «killer instinct». Lúcio, não obstante, logo respondeu, cinco minutos volvidos, fazendo uso do seu poderoso jogo aéreo. Bernd Schneider, o especialista da equipa nos lances de bola parada, colocou-a redondinha na cabeça do brasileiro, que (re)colocou tudo como iniciara. A primeira parte foi, como se deve perceber, louca, mas… ainda faltava o melhor da festa…

Dois dos melhores pés esquerdos que o mundo do futebol conheceu até hoje fundiram-se e… criaram uma das melhores obras artísticas de sempre. Roberto Carlos, numa das suas habituais incursões pela esquerda, faz um passe de outra galáxia e Zidane, mirando a bola lá do alto, qual engenheiro, calculou o arco escrito pela bola e, de primeira, lançou um verdadeiro míssil cruzeiro fuzilando autenticamente Hans-Jorg Butt.

A obra-prima foi de tal modo faraónica que… mais golos não houve. Os Deuses do futebol, lá do cimo, ditaram: «Game Over».

 

4. Borússia Dortmund x Juventus (1997)

A finalista deste ano ‘Juve’, que conta com dois troféus no currículo (tantos quanto FC Porto e SL Benfica), procurava vencer a terceira e respetiva segunda consecutiva, visto que no ano anterior havia desfeiteado o Ajax, na capital do seu país, na marca das grandes penalidades depois de um empate a uma bola no final dos 120 minutos. Estava, portanto, a Vecchia Signora a passar uma fase dourada da sua história, tal como na atualidade.

O Borússia Dortmund, por seu lado, estava, como está fácil de constatar, numa fase fantástica. Era bicampeão alemão (1995 e 1996), tendo nesse ano de 1997 acabado por ficar no último lugar do pódio, falhando, assim, o «tri». Falhou o tricampeonato, mas a Liga dos Campeões… não.

Stefan Klos, Stefan Reuter, Jurgen Kohler, Jorg Heinrich, Martin Kree, Paul Lambert, Andreas Moller, Paulo Sousa, Matthias Sammer, Stéphane Chapuisat, Karl-Heinz Riedle do lado do yellow submarine germânico comandado por Ottmar Hitzfeld. Angelo Peruzzi, Ciro Ferrara, Paolo Montero, Mark Iuliano, Sergio Porrini, Didier Deschamps, Di Livio, Zidane, Jugovic, Vieri e Boksic do lado italiano, sob ordem do técnico maís mí(s)tico da história da Juventus: Marcello Lippi.

O juiz húngaro Sándor Puhl, de apito em riste, ordena a constelação de estrelas acariciar o cometa principal (o esférico), tudo isto em território… alemão, mas no estádio do maior rival do Dortmund (o Bayern), concretamente no Olympiastadion.

Os italianos começam melhor, procurando indic(i)ar que estavam ali para mandar no desafio, Vieri dispara forte… para a malha lateral, mas é o Borússia, por intermédio de um trabalho digno de ponta de lança de Karl-Heinz Riedle, que abre as hostes. O escocês Paul Lambert cruzou para a área e o avançado, frio, à boa maneira alemã, parou no peito e, sem quaisquer contemplações, disparou para o fundo das redes. Estava aberto o ativo no Olympia em tons 100% germânicos.

E cinco minutos depois (aos 34′) o mesmo protagonista, desta feita de cabeça. Karl-Heinz Riedle, mais uma vez ele, desta feita (cor)respondendo na perfeição a um canto batido da esquerda pelo maestro Andreas Moller, deixando Peruzzi com os pés pregados ao relvado. 2-0 no primeiro tempo. Estava destinado. Nem a bola ao poste de Zidane nem um golo mal anulado a Vieri alteraram verdadeiramente o que quer que fosse.

Veio o 2.º tempo e bola cá bola lá, jogo intensíssimo e pleno de oportunidades para cada um dos lados, ainda que Klos, neste âmbito, fosse obrigado a trabalhos mais forçados. Os minutos iam correndo, a favor dos alemães, claro está, mas a que viria tornar-se lenda maior da Vecchia Signora, Alessandro Del Piero, na altura com apenas 22 anos, entrara ao intervalo para o lugar de Porrini e, aos 64′, justificou a aposta, relançando, assim, a partida. Com um calcanhar fabuloso, desviando cruzamento de Boksic para o coração da pequena área, entusiasmou (ainda mais) uma final de estalo. E mais de meia parte faltava…

Entretanto, aos 70′, Hitzfeld promove a entrada em campo de Lars Ricken, por troca com o suíço Chapuisat. E aos 71’… o terceiro alemão. Imagine-se por quem: esse mesmo, Lars Ricken. O na altura jovem de 20 anos, num lance de contra-ataque, vê Peruzzi adiantado e não foi de modas: bem antes da grande área, servido pelo inevitável Moller, aplica um «chapelão» do outro mundo ao guardião italiano, «matando» a ‘Vecchia Signora’ sem misericórdia. Olho c(l)ínico de Hitzfeld no banco, Dortmund campeão europeu, o único da história de um clube cheio de mística, e mais uma final absolutamente assombrosa, plena de Bom Futebol.

 

5. Ajax x AC Milan (1995)

Louis van Gaal, de um lado, e Fabio Capello, do outro, conduziam equipas bem distintas. Dois conjuntos, duas matrizes bem patenteadas (a holandesa, mais ofensiva, mais acutilante, mais… bonita, contrastando com uma italiana mais ‘cínica’, defensiva, privilegiando a segurança ao invés da… loucura). Ademais, dois plantéis também eles distintos.

O da turma de Amesterdão recheada de grandes jovens valores, talentos que a posteriori fizeram carreiras superlativas em clubes de ‘top’ europeu, como Barcelona, Real Madrid, o próprio AC Milan, Manchester United, entre outros.

Edwin van der Sar, gigante «keeper» holandês, foi um deles, na altura com 24 anos. Mas não só. Michael Reiziger, com 21, os irmãos de Boer (Frank e Ronald), com 24, Clarence Seedorf, com 19, Edgar Davids e Marc Overmars, ambos com 22, Winston Bogarde, Finidi George e Jari Litmanen, com 24, Nwankwo Kanu, com apenas 18 (compondo estes três últimos o contingente estrangeiro da turma holandesa), tal como Patrick Kluivert, também acabado de entrar na idade adulta, compunham um elenco irreverente, muito marcado pela juventude. Vozes da experiência só mesmo dois: Frank Rijkaard, com 32, e Danny Blind, o capitão do estrelato de Amesterdão, com mais um. Um conjunto, portanto, de escassa experiência, ainda que o que tenha faltado nessa vertente tenha sobrado em… qualidade.

Do lado italiano, por contraste, uma squadra muito mais experiente e numa fase de maturidade bem superior. O guardião Rossi era já trintão, bem como Franco Baresi (já a caminhar para o final de carreira), Roberto Donadoni e Massaro. Alessandro Costacurta estava próximo (com 29), Panucci era o bambino da equipa, com apenas 22 anos, seguido de Demetrio Albertini, com mais um, encontrando-se jogadores como Stefano Eranio, Lentini, Paolo Maldini, Zvonimir Boban, Marcel Desailly (estes dois últimos os únicos estrangeiros do conjunto milanês) e Marco Simone numa fase madura da sua carreira. Diferente, e muito(!), portanto, da situação do oponente do país das tulipas.

Um Ernst-Happel pantanoso recebeu um jogo cujas expetativas transbordavam, tal como o ambiente louco que se instalou no estádio da capital austríaca. ‘Forrado’ a vermelho, as cores dominantes de ambos os conjuntos, um clima infernal recebeu os 22 escalados para o desafio europeu da temporada 1994/95.

Ao contrário do número de golos que se verificou no final dos 90 minutos (apenas um), o jogo teve um ritmo intenso e foi muitíssimo (bem) disputado. A esses níveis, nota máxima.

E quem ganhou, caros(as) senhores(as)? A força da técnica ou a força da tática? Patrick Kluivert respondeu claramente: a força da técnica, do futebol ofensivo, bem jogado, a força do… Bom Futebol.

Aos 85 minutos de jogo, Patrick Kluivert, saltado quinze minutos antes do banco de suplentes por troca com o génio finlandês Jari Litmanen, deu uns passos atrás para receber uma bola de Frank Rijkaard, aguentou a carga de um jogador italiano e não desperdiçou no frente a frente com Sebastiano Rossi. Estava feito o golo (da glória) para o Ajax!

Este tento de Kluivert escreveu uma das páginas mais bonitas da história do futebol. Mais do que isso, do Bom Futebol. O Ajax fez escola e deu o exemplo de que a qualidade e o ADN, quando juntos, formam um mix explosivo. Ao conglomerar tudo isto, o gigante holandês deu esperança ao futebol de formação por todo o mundo, à aposta nos talentos da «casa», enfim, valores por que muitos (e cada vez mais) clubes se regem nos dias de hoje.

O legado foi, por isso, enorme. E não só dos campeões reza(m) a(s) história(s). Há legados intemporais, marcantes e, mais do que isso, cobertos de verdadeiro(s) significado(s).

Por tudo isto, o Ajax de 1995 perdurará eternamente nas memórias mais profundas do futebol. Daqui a 10, 100, 1.000, 10.000 anos…

 

6. Real Madrid x Stade de Reims (1956)

Foi a primeira. E a primeira é sempre a primeira.

Na 1.ª edição da Liga dos Campeões Europeus, campeão espanhol e campeão francês mediram forças. E que melhor cenário para iniciar uma era europeia futebolística? A cidade do amor (Paris), num sempre e eternamente especial Parque dos Príncipes.

Os 22 primeiros príncipes europeus do futebol entraram, então, em campo num 13 de junho de 1956, com cerca de 40.000 a assistir.

E foi nesse dia que o Real Madrid iniciou a sua quimera europeia. Início arrasador do clube do Rei na maior competição de clubes da UEFA, com um hegemónico «penta» nos primeiros tantos anos de competição. O Stade de Reims, por seu turno, era, à época, dos clubes mais temidos no panorama francês, senão o mais, ao contrário do que se verifica na atualidade (acabou de terminar a Ligue 2 na 7.ª posição). O clube vermelho e branco foi campeão por 6 vezes, sendo a última em… 1961/62. Além desta, também em 1948/49, 1952/53, 1957/58, 1959/60 e, claro, na pretérita temporada a esta da final (1954/55), que acabou por dar o acesso à 1.ª edição da Taça dos Campeões Europeus (à época assim denominada).

A final mais longínqua de todas não tem, por isso, nomes propriamente conhecidos do comum adepto do futebol, salvo algumas exceções, como Alfredo Di Stéfano (para muitos, incluindo para Eusébio, um dos maiores astros a pisar os relvados), Joseíto, Paco Gento (trio do Real Madrid), Michel Hidalgo e Raymond Kopa (estes dois últimos franceses do Stade de Reims).

O jogo em si, esse, foi uma chuva de golos, na linha do futebol (ofensivo) que se praticava na altura, com poucas cautelas defensivas (o 4x2x4 puro era, para se ter uma ideia, o sistema mais em voga).

Os franceses, sentindo-se em casa, cedo se colocaram em vantagem por… dois golos de diferença. Aos 10′, já venciam por duas bolas a zero, com uma entrada fulgurante na partida.
Os campeões espanhóis, ainda atordoados, acabaram por «acordar» pouco depois: ‘Don’ Alfredo, aos 14′, fez o gosto ao pé, seguido do seu companheiro de posição Héctor Rial, que à meia hora restabeleceu a igualdade, resultado que fechou a primeira metade. 4 golos, 2 para cada lado.

A etapa complementar, no que a golos diz respeito, iniciou mais branda. “Só” aos 62′ o placar voltou a mexer, e novamente com golo… gaulês. O capitão e maestro da equipa Michel Hidalgo, de cabeça, recolocou novamente o Stade de Reims em vantagem.

Mas a «fúria espanhola» estava bem viva e, apenas cinco minutos volvidos, Marquitos finalizou bem à frente do guardião francês, após jogada magistral de Joseíto.

Até que… surgiu novamente o ‘delantero’ Héctor Rial. Aos 79′, colocou, pela primeira vez, o Real em vantagem na partida, na altura mais importante, diga-se, vantagem essa que não sofreu quaisquer alterações até final.

4-3 para o Real Madrid, que iniciou, assim, uma verdadeira lenda, que perdura e dura e dura…

7. FC Porto x Bayern (1987)

Foi o primeiro troféu europeu (e logo desta nomeada) para o Futebol Clube do Porto, que a partir deste dia não mais passou a ser o mesmo. A 27 de maio de 1987, os portistas compuseram a sinfonia mais eloquente da sua história na cidade de… Mozart e Beethoven. Em Viena, Áustria.

Há precisamente 3 décadas, o Bayern era… o Bayern de sempre: hegemónico. Acabara de fazer o «tri» pouco antes desta final e o resto, isto é, o que o Bayern é hoje, todos sabemos. Rei absoluto em território germânico.
O Porto, por seu turno, vinha de um bicampeonato, quebrado nesse ano precisamente pelo Benfica. Estava ainda, contudo, longe da hegemonia que obteve a nível interno a partir do ano de 1995. Era, por isso, um FC Porto diferente, algo que este jogo ajudou a mudar.

À partida para a grande final, as consciências eram unânimes: só um cataclismo podia fazer com que o Bayern não obtivesse a quarta Liga dos Campeões Europeus do seu historial (no presente, tem 5). Mas as consciências (sejam elas conscientes ou… inconscientes) não contavam também com a sede de vitória de um Futebol Clube do Porto já revigorado com um consulado de Pinto da Costa que iniciara meia década antes. De tal forma que chegados ao intervalo, e com vantagem pela margem mínima por parte da equipa germânica graças a um golo de Ludwig Kogl, tudo parecia feito. Mas só parecia…

Artur Jorge, ao que consta, teve a palestra mais nutritiva de sempre (para Futre e muitos outros) e os portistas trouxeram, da cabine, o que tinham e o que julgavam não ter. Ainda assim, não obstante a tremenda 2.ª parte que estavam a realizar, o golo ainda não tinha sido uma realidade. Até que chegou o minuto 77, ou… do calcanhar de Madjer.

O génio argelino aproveita um passe de Juary e, já na grande área, não foi de modas: espetou um genial calcanhar que… ficou para a história. Na altura, somente valeu o golo do empate.

Já dois minutos depois valeu o início de uma reviravolta absolutamente monstruosa e… a velocidade cruzeiro. Como que agradecendo a oferenda de Juary, e verdadeiramente endiabrado, Madjer, pela canhota do ataque azul e branco, quebra os «rins» a um defensor germânico, cruza perfeito para o espaço onde nem guarda-redes nem qualquer defensor conseguiria almejar e… Juary, perfeitamente desmarcado, apenas encosta para o 2-1! Absolutamente fenomenal!

Num Futebol Clube do Porto pejado de portugueses, foi a sociedade argelino-brasileira a fazer a diferença (o guardião Mlynarczyk e os brasileiros Celso e Casagrande compunham o restante contingente – tendo este último sido suplente não utilizado nesse jogo).

O eterno calcanhar de Allah, como muitos lhe chamam, protagonizado por Rabah Madjer, escreveu uma das páginas mais bonitas do futebol lusitano além-fronteiras e, nessa mesmíssima altura, a mais dourada do clube azul e branco. Um triunfo que mudou o clube nortenho, deu-lhe mais força, respeito internacional, numa espécie de «mote para motim» que deu início ao período mais risonho da história do Futebol Clube do Porto.

A final de Viena foi, por tudo isto, uma das mais lendárias da história das finais da Liga dos Campeões Europeus. Dixit.

 

8. SL Benfica x Real Madrid (1962)

O derradeiro encontro da edição 7 da Liga dos Campeões Europeus colocou frente a frente os até aí únicos vencedores da competição (o Real Madrid, por cinco vezes, e o Benfica, por uma), num replay ibérico que se havia verificado também um ano antes, ainda que o protagonista espanhol fosse diferente (o Barcelona, que um ano antes havia sido derrotado pelo Benfica por 3-2, na Suíça).
Lisboetas e madrilenos, numa espécie de reedição da Batalha de Aljubarrota, procuravam (mais) uma glória europeia, sendo que as fichas, à partida, e não obstante as águias serem, por direito próprio, as ilustres detentoras do troféu, estarem do lado blanco. A missão, essa, seria, à partida, sempre complexa. Um Benfica 100% nacional, no ano de estreia de Eusébio com a camisola da águia, teria pela frente espanhóis de nomeada, como Gento ou Tejada, e ainda estrelato fora de fronteiras como o tridente de luxo composto pelo uruguaio José Santamaría, a lenda húngara Ferenc Puskás e o astro argentino Alfredo Di Stéfano. A águia queria voltar a voar alto, mas a missão era espinhosa. E o que se verificou nos primeiros 45 minutos confirmou isso mesmo…
O campeão espanhol entrou de rompante na partida com dois tiros de pólvora seca de um (eterno) suspeito: Puskás. O dianteiro húngaro, aos 18′ num contra-ataque e aos 23′ num fortíssimo disparo bem longe ainda da grande área encarnada, complexizou a tarefa do Benfica, ainda que houvesse muito jogo pela frente.
As águias, vestindo o fato-macaco e colocando o estatuto de lado, logo responderam dois minutos depois por intermédio de José Águas, o seu jogador mais avançado. Águas, à ponta de lança, desviou à boca da baliza um ressalto proveniente do poste direito, após potente livre de Eusébio.
Mas não se contentaram os pupilos de Béla Guttmann. Oito minutos depois, aos 33′, Cavém deixou tudo como iniciara, após potente disparo fora de área, com Eusébio novamente na jogada. Estava feito o 2-2, que… Puskás, pouco depois, aos 39′, fez questão de desfazer e recolocar, assim, os espanhóis na dianteira, num remate à entrada da área culminando grande jogada de envolvimento coletivo. 2-3, por isso, ao intervalo.
Intervalo que o técnico magiar do Benfica aproveitou para fazer mexer… com a mente dos seus 11 soldados. Guttmann aludiu a um fim de ciclo da equipa madridista, que de facto não ultrapassava muito a realidade (Puskás e Di Stéfano estavam ambos com 35 anos e Santamaría com 32) e fez crer aos seus que o conjunto espanhol iria entrar em falência física no 2.º tempo, por conta (também) do fulgor da equipa encarnada. E não é que assim foi mesmo?!
Sem grandes contemplações, a águia desferiu o primeiro golpe ainda o relógio marcava os 5 minutos da etapa complementar: Coluna «perdeu a cabeça» e respondeu à obra-prima de Puskás no 1.º tempo, naquela mesma baliza, com uma de dimensão ainda maior. Pontapé fabuloso do 10 português, cruzado, sem quaisquer hipóteses para Araquistáin. Estava restabelecida a igualdade.
Quase quinze minutos volvidos do «quadro» feito por Coluna, foi a vez de Eusébio inscrever o seu nome no placar dos marcadores. Quase que dando razão ao seu treinador, o menino de 20 anos, proveniente de Moçambique, com a pujança física que o caracterizava, desbravou pela banda direita deixando por completo Di Stéfano «nas covas» e, mais à frente, é derrubado por Pachín. Grande penalidade sancionada, que o próprio fez questão de bater e colocar, pela primeira vez, o Benfica na dianteira.
E o terceiro golpe não tardou. De novo… Eusébio. Desta feita de livre, num disparo… à Eusébio, do meio da rua, que embateu com estrondo nas redes espanholas. Estava feito o 8.º da partida, respetivo 5.º para os encarnados e, até final, mais nenhum se registou, voltando a águia a fazer história fora do retângulo nacional.
Este triunfo do Benfica, numa final recheada do melhor que o futebol pode ter, consolidou o clube encarnado como uma das potências mundiais mais temidas da altura, colocando o país a cantar a uma só voz em tempos que eram tudo menos de festa.
Ao cabo da 7.ª final, a Europa tinha tons bicolores: vermelho e branco. Vermelho do Benfica e branco do Real Madrid, ditando os gigantes da Península Ibérica uma ditadura na competição, que acabou por ser quebrada pelos italianos do AC Milan no ano seguinte, numa final que, ainda assim, foi também ela disputada pelo clube da águia (derrota por 2-1).
Por tudo isto e muito mais, esta é uma das finais mais quiméricas da Liga dos Campeões Europeus. Tempos em que o glorioso Benfica era rei e senhor da maior competição de clubes europeus.
https://m.youtube.com/watch?v=BOAIYoxYp3Y

Autor: André Rodrigues

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