-- ------ Liga NOS, 1.ª jornada - Primeiras impressões desta ronda inaugural
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Liga NOS, 1.ª jornada – Primeiras impressões desta ronda inaugural

Liga NOS, 1.ª jornada – Primeiras impressões desta ronda inaugural.

A ronda 1 da Liga NOS exibiu o primeiro esboço das 18 equipas do nosso Campeonato. Três grandes impuseram força natural e Marítimo de 2016/17 voltou.

Portimonense, Tondela, Vitória de Guimarães e Desportivo de Chaves apresentaram-se igualmente em grande plano.

-> Desportivo das Aves 0 x Sporting 2 na abertura da Liga NOS

Sporting Clube de Portugal e o recém-promovido Clube Desportivo das Aves abriram, no norte, a edição n.º 84 do principal escalão do futebol nacional. Os leões depararam-se com uma equipa bem organizada (que promete fazer bom Campeonato) mas foram, também eles, consistentes. O génio de Gelson acabou por desbloquear um jogo que não foi fácil para os comandados de Jesus.

Os verde e brancos tiveram que se aplicar a sério, num primeiro jogo oficial em que demonstraram, no geral, boa dinâmica coletiva, ainda que a presença de Bruno Fernandes atrás de Bas Dost não tenha contribuído para uma escorreita fluidez de jogo. O jovem luso, proveniente do futebol italiano, pareceu uma espécie de «corpo estranho» na equipa, com consequências diretas no rendimento do conjunto, em especial de Adrien (que para ele muito contribui). O português, acostumado a dominar as operações do 3/4 do campo, pareceu retraído e não apresentou o rendimento habitual. Mas bom Sporting nesta primeira aparição.

O Aves, como já foi referido, esteve igualmente bem. O ex-Moreirense Nildo Petrolina foi um dos bons destaques da turma de Ricardo Soares, que se apresentou muito organizada e equilibrada num 4x4x2 bem definido. Acabou (somente) por sucumbir à mestria de Gelson, mas prometeu Bom Futebol para este campanha de regresso ao convívio entre os maiores. Para já, indicações positivas.

Sporting deve muito a Gelson entrada de leão na Liga NOS 2017/18

Imagem 1 – Gelson Martins «quebrou» um jogo taticamente muito rico. Dianteiro português apresentou nível superior trazido da temporada transata. Fonte: sabado.

 

-> Vitória de Setúbal 1 x Moreirense 1

Em Setúbal, os sadinos foram superiores aos cónegos nesta jornada inaugural da Liga NOS. O resultado, porém, acabou por não refletir o que foi exposto em campo por ambos os conjuntos, muito devido ao que se passou no minuto 71, altura em que Vasco Fernandes estreou a cartolina vermelha em 2017/18. A partir daí, os cónegos, até aí inferiores ao Vitória local, foram com tudo para a frente e acabaram por ser felizes num lance confuso na área que o venezuelano Ronaldo Peña acabou por desbloquear.

O onze base setubalense, transitado da temporada passada, apresentou muita capacidade, levando a crer que o Ferry Boat sadino navegará tranquilamente pelas jornas de laboro que terá pela frente. Os três Joões (Costinha, Teixeira e Amaral) definem-se como o grande motor do conjunto de José Couceiro, que deixou, como era de esperar, excelentes indicadores para (tudo) o que falta desta Liga NOS.

O Moreirense de Manuel Machado, uma equipa claramente em construção, não deixou notas muito claras neste primeiro jogo. O meio-campo manifestou algumas vulnerabilidades, como falta de criatividade e entrosamento, tendo ficado igualmente à vista uma falta de ligação entre setores. Muita neblina, pelo menos para já, em Moreira de Cónegos.

-> Portimonense 2 x Boavista 1

O campeão da 2.ª Liga, esse, entrou de rompante no regresso à 1.ª Liga. O Boavista até entrou bem na partida, tendo inclusive ido para o intervalo a vencer por intermédio de um golão de Rochinha (o melhor da jornada).

No 2.º tempo, contudo, o Portimonense superiorizou-se à turma axadrezada e impôs-se no seu terreno (com uma moldura humana assinalável, marcando bonito regresso do futebol de 1.ª ao Algarve). Aos 10 minutos da 2.ª metade, Rúben Fernandes deixou tudo como começou e o jogo não mais foi o mesmo. O Boavista retraiu-se, «sentiu» o golo e ficou numa espécie de limbo, sem saber que postura adotar. «Cheirava», por isso, a golo caseiro, algo que acabou por suceder por intermédio de Bruno Tabata, concluindo com remate seco fantástica jogada de envolvimento coletivo.

O elã evidenciado pelos alvinegros foi uma das boas novidades desta 1.ª ronda. Muita criatividade do meio-campo para a frente, com selo canarinho, e construção a partir de trás com princípio, meio e fim. Trabalho com selo de Vítor Oliveira, num regresso que promete muito Bom Futebol a avaliar pelo que foi visto.

O Boavista de Miguel Leal deixou muito a desejar, especialmente no que diz respeito às oscilações que apresentou durante os 90 minutos. Foi capaz do muito bom e do muito fraco, ainda que possua jogadores de grande valia para uma época tranquila.

-> Feirense 1 x Tondela 1

Na Feira, fogaceiros e beirões proporcionaram excelente espetáculo de futebol muitíssimo bem disputado e repleto de oportunidades.

No 1.º tempo, foi o Tondela a dominar as operações, algo que lhe valeu a vantagem até ao apito para o intervalo. ‘Futebol à Pepa’, com bola, privilegiando a construção, bem jogado, sempre em apoios. Bonito de se ver, bem jogado, atraente. Feirense um pouco irreconhecível, só ‘entrando em jogo’ praticamente no 2.º tempo. Aí, sim, foi o Feirense de Manta, ocupando bem os espaços e dominador. Foi, por isso, um jogo repartido, em que o empate assentou bem a ambas equipas pelo que se passou nos 90 minutos.

Mais do que isso, uma boa propaganda ao futebol, concretamente à Liga NOS 2017/18, e duas equipas que prometem. Este Tondela 2017/18 poderá, sem dúvida alguma, não ser o Tondela aflito das duas últimas edições. Pepa pegou bem no conjunto que tem à disposição, um conjunto com qualidade, diga-se, e poderá este ser um Tondela diferente. A ver…

O Feirense, por seu turno, apresentou identidade habitual desde que Manta assumiu os destinos da equipa na anterior Liga NOS. Pelo que, perante essas perspetivas, se espere um Feirense em bom plano para 2017/18.

A qualidade (a todos os níveis) brotou no Marcolino de Castro no regresso dos jogos a ‘doer’.

-> Rio Ave 1 x Belenenses 0

Nos Arcos, assistiu-se a espetáculo paupérrimo. Escassas oportunidades para ambos os conjuntos, futebol desligado (do lado azul) e mastigado (do lado vila-condense). Uma mão cheia de nada.

Belenenses pouco escorreito no último terço do terreno, com constante recurso a cruzamentos para tentar bater Cássio. Resultado: inúmeros cantos… inconsequentes. Rio Ave, por seu turno, procurando sair sempre com bola, mas «mastigando» em demasia, não criando perigo. Este dado foi, aliás, o que mais saltou à vista. Miguel Cardoso procura claramente Bom Futebol com recurso ao passe curto, posse de bola, uma ideia, fundamentalmente, de permanente construção.

Dado muito positivo e que a médio prazo se verá o que realmente dá. Como princípio, excelente e de se lhe tirar o chapéu. Raras foram as vezes em que houve «chutão». Mesmo Cássio procurava sempre o defesa para recolher e, a partir daí, iniciar esse processo de construção preconizado pelo treinador. Por ora, notou-se uma clara impreparação por parte dos jogadores para «absorver» essas ideias, esperando-se com expetativa os próximos capítulos. No fundo, como crescerá a equipa com esta ideia arrojada (e, repita-se, sedutora e defensora de Bom Futebol).

O Belenenses está ainda muito perro, ainda que já um pouco à imagem de Domingos, privilegiando eminentemente a vertente defensiva. Nesse capítulo, esteve muito bem a equipa, tendo sido apenas batida (ou traída…) por um livre de Francisco Geraldes que embateu na barreira e pregou por completo ao chão o brasileiro Muriel Becker (em estreia nesta Liga NOS). O jogo acabou por ser (injustamente) sentenciado com essa espécie de emboscada. A haver um vencedor, no entanto, pela maior qualidade evidenciada, só podia ser o Rio Ave.

Francisco Geraldes mostrou-se como um dos mais influentes do conjunto de Vila do Conde e promete ser um dos melhores da Liga NOS

Imagem 2 – ‘Mascarilha’ Geraldes desbloqueou um jogo talhado para o empate. Não obstante, o Rio Ave do estreante Miguel Cardoso apresentou proposta de futebol ousada e… prometedora. Fonte: globalnoticias.

-> Marítimo 1 x Paços de Ferreira 0

Na Madeira, que melhor notícia para os adeptos locais?! A de que o Marítimo de Daniel Ramos está… na mesma. Nada que já não se desconfiasse, pelo que se vira dos confrontos com o Botev Plovdiv para a Liga Europa. Os maritimistas voltaram afinados e Daniel Ramos prossegue trabalho de excelência. Defesa seguríssima, processos simples, qualidade na saída de bola, equipa compacta atuando em bloco. O Marítimo de 2016/17 poderá continuar a fazer lei nesta edição da Liga NOS. Vale, essencialmente, pelo coletivo, mas destacaram-se neste jogo Ricardo Valente (será a época de afirmação?) e o poderoso Erdem Sen (o bloco operativo da equipa).

Quanto aos pacenses, nada de extraordinário (e, por conseguinte, novo). Uma certa incapacidade já evidenciada na pretérita Liga NOS na abordagem aos jogos forasteiros, equipa um pouco desconectada. Welthon, o grande abono de família, apenas entrou aos 79′ e ofensivamente poucos “Paços” se viram por parte da equipa. Um pouco à imagem da temporada passada, em que o conjunto dependia grandemente da capacidade finalizadora do brasileiro.

As perspetivas para esta época são, por isso, uma incógnita, um pouco amareladas mesmo, à imagem do equipamento tradicional. Vasco Seabra terá de dotar a equipa de maior capacidade ofensiva e «abrir» mais o meio-campo nessa vertente. Isto é, mais ofensivo, mais criativo, mais empreendedor a esse nível, não se escudando tanto defensivamente.

-> FC Porto 4 x Estoril Praia 0

Os azuis e brancos, tal como em 2016/17, entraram com o pé direito nesta Liga NOS 2017/18. Goleada logo a abrir, perante um frágil Estoril, que mais frágil ficou quando Mano ofereceu um golo de mão beijada a Moussa Marega, que só teve que (facilmente) encostar para a baliza canarinha. Acabou esse por ser o momento do jogo, momento que o jogo estorilista, que já se vislumbrava vulnerável, desmoronou. Até aí, nem soslaio de Bom Futebol, com a equipa de Pedro Emanuel a manifestar somente preocupações de cariz defensivo. Por isso, do clube da Linha poucas ilações puderam ser retiradas.

Já do FC Porto, algumas e positivas. Sérgio Conceição escalou onze prafrentex, com dois laterais de cariz ofensivo (Ricardo e Alex Telles), um meio-campo pleno de criatividade, velocidade e imprevisibilidade (Óliver, Brahimi e Corona, com Danilo a segurar propensão ofensiva deste trio) e um ataque com dois pontas de lança bem fixos na frente de ataque (Soares e Aboubakar). É um Porto sem dúvida mais orientado para o ataque e previsivelmente mais marcador e mais sofredor (comparativamente a 2016/17).

Vincent Aboubakar regressa aos jogos oficiais pelo FC Porto.

Imagem 3 – Aboubakar jogou e fez jogar neste seu regresso à Liga NOS, mas pecou (e muito) na finalização. Não obstante, é uma das pedras fundamentais do esquema de Sérgio Conceição. Fonte: maisfutebol.

Os niños de Conceição passaram claramente no teste, ainda que tenha sido ligeiro. Do que lhe foi possível fazer até ora, contudo, nada a apontar. Há aparentemente um FC Porto de maior ímpeto atacante, mais dominador e de maior vertigem e, como tal, de Bom Futebol.

-> Benfica 3 x SC Braga 1

O tetracampeão nacional entrou de rompante nesta Liga NOS 2017/18. As águias receberam o sempre complicado SC Braga e, tal como na Supertaça, valeram-se da entrada avassaladora para moldar o triunfo, numa réplica do que havia sucedido dias antes diante do Vitória de Guimarães. O ataque está bem oleado, Seferovic é um jogador um pouco à imagem de Jonas (inteligentíssimo e com uma leitura de jogo acima da média – tendo o primeiro golo sido imagem disso mesmo) e só mesmo o centro da defesa gera maior preocupação no ninho da águia (Jardel vê-se que já teve melhores dias, tendo ficado «duro de rins» no golo bracarense; Almeida cumpriu bem na direita, notando-se clara evolução da temporada passada para esta). Mais discussões poderão ser feitas sobre o campeão nacional, mas o que ficou foi deveras positivo.

Jonas festeja o seu primeiro golo na Liga NOS

Imagem 4 – Jonas continua a ser o pêndulo ofensivo de uma equipa com grande capacidade finalizadora.

Ataque demolidor, meio-campo com a criatividade do costume (com Pizzi na batuta), compensando uma ou outra vulnerabilidade defensiva. O Benfica está forte e na linha do que tem apresentado desde que Rui Vitória assumiu os destinos do clube.

O SC Braga, por seu turno, mostrou algumas coisas interessantes, especialmente no ataque. Xadas, Horta, Fonte e Hassan formam quarteto de respeito, bem resguardados e municiados por Vukcevic e Fransérgio no miolo. A defesa parece ser o setor menos forte, pelo menos por agora. Raúl Silva é exímio nas bolas paradas, mas falha muito na sua posição de base (posicionamentos erráticos, alguns cortes defeituosos – como foi exemplo o golo de Jonas), um pouco como Rosic, que também não aparenta estar no seu melhor. Ainda assim, aqui e ali, apresentaram os bracarenses bons pormenores, sendo (como habitualmente) candidatos ao Top 4 da Liga NOS.

-> Vitória de Guimarães 3 x Chaves 2

Foi o último, mas foi o melhor, o mais entusiasmante e com mais golos.

Vitória SC e GD Chaves fecharam as contas da jornada 1 com, nada mais nada menos, 5 (!) golos. Mais do que isso, qualidade em bruto num jogo recheado a todos os níveis. Tática, tecnicamente, pleno de emoção e, tão ou mais importante que tudo isso, golos!

Sem surpresas, atendendo ao estilo de Castro, o Chaves entrou mandão no jogo, com muita posse. Tentativa de construção a partir de trás, constantes triangulações, jogadas bonitas,… Não contava, porém, o novo timoneiro transmontano com as inúmeras falhavas em zonas (demasiado) recuadas do terreno. Falhas (passes) que o Vitória, astuto e com a lição bem estudada, aproveitou através de pressão alta para transformar… em golo. O primeiro golo, anotado por Zungu, foi exemplo disso. O sul-africano, rato e exímio no desarme, foi uma das pedras fundamentais para explorar os erros cometidos pelos Valentes Transmontanos.

Um Vitória astuto, taticamente bem preparado e com a qualidade do costume acabou por derrotar um Desportivo de Chaves muito desprendido, sem medo de ter bola (bem pelo contrário), com Luís Castro a procurar aplicar na equipa uma espécia de tiki taka à transmontana (o equipamento é semelhante ao do Barça).

Castro entrou com o pé esquerdo mas apresentou um Chaves de qualidade

Imagem 5 – Luís Castro apresentou obra no primeiro jogo oficial da época. Não obstante a derrota (justíssima), deixou bem patente as ideias que quer para a sua equipa e ‘perfumar’, assim, de Bom Futebol esta Liga NOS 2017/18. Fonte: maisfutebol.

Certo é que a turma transmontana promete Bom Futebol a rodos para esta campanha. E não há capital maior para uma equipa deste calibre apresentar um futebol como Castro se compromete a fazê-lo. Pelo que… os flavienses prometem ser equipa sedutora e espalhar perfume intenso de futebol de qualidade pela Liga NOS. A ter muito em conta.

 

Autor: André Rodrigues

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