-- ------ Liga NOS ou Liga dos solavancos? Um olhar crítico sobre o calendário
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Liga NOS ou Liga dos solavancos?

Liga NOS ou Liga dos solavancos?

Liga NOS ou Liga dos solavancos?

Aí está mais uma pausa para seleções à porta. Após a realização da 11ª jornada da Liga NOS, é hora de mais uma ronda de apuramento para o Mundial 2018, agora o playoff que dará a conhecer os últimos apurados, enquanto os que já carimbaram o seu passaporte terão oportunidade para testar novas soluções em jogos particulares. Algo que é uma realidade há vários anos, com os primeiros meses de competição de cada época a terem uma pausa por mês para seleções (setembro, outubro e novembro). O problema no caso luso é a, pouco feliz, na minha opinião, opção de colocar eliminatórias da Taça de Portugal nas semanas posteriores à paragem das seleções.

Apenas setembro escapou a esta pausa prolongada, dado que as equipas da Liga NOS ainda não participavam nessa ronda. Assim, durante o mês de agosto, até porque esta época houve a decisão de começar a Liga a meio da semana e fazer jornada dupla na primeira semana de competição, jogaram-se quatro jornadas. Entre setembro e novembro (contando a jornada 12 que se disputa no último fim-de-semana do presente mês) a Liga NOS terá apenas 8 jornadas disputadas! Uma média inferior a três jornadas por mês.

21 dias depois

Entre a jornada 11, disputada este fim-de-semana, e a 12 distam 21 dias! Exatamente igual ao que se passou em outubro. Ou seja, durante dois meses, que têm em média 60 dias, houve 42 dias sem Liga NOS (contando os dias oficiais de cada jornada, aos domingos, pois este número reduz ligeiramente se contabilizarmos que há jogos às sextas e segundas). Daí para a frente, não há mais pausas, com todos os meses a terem quatro jornadas da Liga NOS em disputa.

A questão que fica é sobre qual a lógica de carregar o calendário competitivo nos últimos 5 meses de competição, quando as equipas acumulam desgaste, com a Taça de Portugal a ser disputada a meio de semana (qual a lógica e quando chegamos à fase mais interessante da prova, colocar os jogos e meio da semana? É porque os clubes de divisões inferiores já não estão na chamada Festa da Taça? Ora se a maioria não joga nos seus estádios, como aconteceu com Lusitano de Évora e Olhanense, parece pouco relevante que os jogos das primeiras eliminatórias se disputem ao fim-de-semana…)?

A Liga NOS arrancou no início de agosto. Chegará, como referi, à 12ª jornada no final de novembro. Vejamos o ritmo competitivo nas principais ligas europeias:

  • Espanha – Começou depois de meio de agosto (a Liga NOS disputava a 3ª jornada) e no final de novembro disputará a jornada 13! Ou seja, jogaram 13 jornadas no mesmo período em que a Liga NOS disputou 10.
  • França – Começou em simultâneo com a Liga NOS e atingirá a jornada 15 no final de Novembro. Jogou mais três jornadas que a Liga NOS no mesmo espaço de tempo.
  • Itália – Começou depois de meio de agosto, como a Liga espanhola, com a Liga NOS a disputar a 3ª jornada. No final de novembro disputa a 14ª jornada, pelo que jogaram 14 jornadas no espaço em que a Liga NOS disputou apenas 10.
  • Alemanha – A Bundesliga começou no mesmo fim-de-semana que a Serie A e La Liga. Tal como a liga do nosso país vizinho, atingirá a 13ª jornada no final de novembro.
  • Inglaterra – Começou no segundo fim-de-semana de agosto, quando a Liga NOS disputava a segunda jornada. Atingirá a jornada 14 no final de novembro. Mais duas que a Liga NOS, mesmo tendo começado com uma semana de atraso face à Liga Portuguesa.

Em Suma:

As principais ligas jogam nos quatro primeiros meses de competição, em média, 3 jornadas mais que a Liga NOS. Não será o único factor, mas certamente ajudará a perceber a pobre prestação europeia das equipas portuguesas este ano, dado que o ritmo competitivo é muito inferior aos dos seus concorrentes na Europa.

Estas pausas matam a emoção da Liga NOS, que até dezembro mais parece aquele carro velho que nunca pega à primeira e anda aos solavancos constantes. O que faz que o mercado de inverno possa ser mais do que suficiente para dar a volta a uma situação menos conseguida de algum clube até lá dado que só a partir de janeiro o ritmo acelera à séria e qualquer atraso não muito significativo pode ser recuperável com novas armas.

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