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Liga NOS – Vírus do BomFutebol a espalhar-se?

Liga NOS – Vírus do BomFutebol a espalhar-se?

BomFutebol do Rio Ave de Miguel Cardoso, do Chaves de Luís Castro, do Braga de Abel e muito mais. A Liga NOS tem-nos oferecido momentos de BomFutebol

O principal escalão do futebol português vive dias de grande agitação (e infelizmente não tanto de BomFutebol). Polémicas, contestação aos árbitros e videoárbitros, acusações de parte a parte, fazem o dia a dia do adepto. No meio de tanta confusão, fala-se pouco do bom que muitas equipas têm feito dentro das quatro linhas.

Numa Liga claramente dominada pelos chamados “três grandes”, existe um conjunto de jogadores e treinadores que vão cimentando o seu lugar de destaque pelo futebol que praticam. Boas ideias de jogo, processos sólidos e construídos em cima de um futebol positivo. Jogadores que se sentem valorizados pela possibilidade de ter a bola, jogar olhos nos olhos e, claro, adeptos que vão ficando conquistados pela capacidade que “os mais pequenos” têm de sobressair da mediania geral, que ao longo dos últimos anos reinou no futebol português.

Rio Ave – Uma ideia que cresce de dia para dia

O Rio Ave de Luís Castro na temporada passada era uma equipa que mostrava grande qualidade no seu jogo. Miguel Cardoso chegou no verão e cedo mostrou que era capaz de dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo clube nos últimos anos. Uma equipa audaz, com personalidade, tem espalhado BomFutebol pelos Estádios por onde tem passado. Um excelente trabalho que já tínhamos acompanhado aqui e aqui.

Se analisarmos os dados estatísticos das primeiras dezasseis jornadas da Liga NOS, verificamos que a equipa de Vila do Conde é quem apresenta maior percentagem de posse de bola nos jogos em casa.

Posse de bola média (jogos caseiros)

 

Marítimo (com)prova que BomFutebol e posse de bola por vezes não estão em clara associação direta

Imagem 1 – Fonte: transfermarkt.pt

Os comandados de Miguel Cardoso superem os três crónicos candidatos ao título, mostrando claramente a sua capacidade de impor o seu futebol nos jogos como visitado. Os dados mostram que Braga, Vitória de Guimarães, Chaves, Estoril e Setúbal conseguem também percentagens interessantes de posse bola nos jogos em casa.

Nota para os valores alcançados pelo Marítimo. A equipa insular esteve muitos meses sem ser derrotada em casa, mas apresenta a média mais baixa de posse de bola. Um indicador bastante revelador da forma como a equipa aborda as partidas.

Posse de bola média (jogos forasteiros)

Imagem 2 – Fonte: transfermarkt.pt

Nos jogos fora de casa, Braga, Vitória de Guimarães, Aves e Rio Ave conseguem ter percentagens médias maiores do que o atual líder da Liga.  A equipa bracarense é apenas batida pelos grandes de Lisboa. O Braga de Abel tem sido uma das melhores equipas da prova, com muita qualidade de jogo e um plantel capaz de ombrear com os melhores. Poderá voltar a intrometer-se na luta pelo título?

Chaves – Um golo que diz tudo

A equipa Flaviense é outro digno representante do BomFutebol na Liga NOS. Orientada por Luís Castro, a formação transmontana tem crescido ao longo da competição. Na última jornada terminou com a longa invencibilidade caseira do Marítimo. Uma vitória por duas bola a uma, que teve no segundo golo da equipa a expressão máxima daquilo que são as ideias da sua equipa técnica.

“All in – volved” ⚽️®️

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A belíssima jogada de BomFutebol foi concluída por Davidson, depois de um brilhante trabalho coletivo.  A equipa teve um início de temporada complicado, mas paulatinamente foi encontrando o seu caminho. Para isso muito contribuiu a confiança na sua ideia de jogo por parte da equipa técnica chefiada por Luís Castro (ver vídeo acima, retirado do Instagram do treinador adjunto Vítor Severino).

As ideias fortes do treinador português ficaram bem vincadas num recente entrevista à Sinal TV.  Um verdadeiro tratado para qualquer amante de futebol, ideias claras, um caminho para um futebol português mais forte e com mais qualidade.

BomFutebol, um vírus a contagiar cada vez mais equipas

O futebol português gira em volta dos três clubes grandes. Na comunicação social  tudo que lhes é relativo é esmiuçado ao pormenor. Somos um país onde se fala sempre muito sobre o que rodeia o futebol mas pouco sobre o jogo em si. A necessidade de construirmos uma cultura desportiva acima do clubismo puro é simples e é grande. Valorizar quem quer fazer diferente e seguir um caminho distinto da luta pela sobrevivência a qualquer custo num mundo muito competitivo. O futebol profissional exige resultados e dá pouco tempo aos seus treinadores para construir um caminho válido para os alcançar. Durante muito anos assistimos a espetáculos pobres de luta pelo pontinho. Um futebol com poucas ideias, muito barulho e refém de momentos de inspiração.  Uma nova forma de estar parece ter capacidade para se impor. Jogadores, treinadores, adeptos. O futebol português, no seu todo, só tem a ganhar com isso.

Referimos aqui os exemplos de Rio Ave, Chaves, Braga, mas poderíamos abordar outros. Ainda recentemente a entrada de Ivo Vieira no Estoril, e a forma como tem procurado colocar a equipa a jogar um futebol positivo. A recente conferência de imprensa conjunta dos treinadores Pepa e Miguel Cardoso, aquando do Tondela x Rio Ave. O Feirense de Nuno Manta, que na temporada anterior surpreendeu tudo e todos. O recém promovido Portimonense, que tão bem tem jogado no regresso à Primeira Liga. O Marítimo de Daniel Ramos, mais pragmático, mas a jogar a um nível muito alto.

Acreditar no BomFutebol

São claros os sinais de propagação do vírus. Esperemos que ele possa continuar a espalhar-se, a crescer e a enraizar-se. Que os dirigentes e adeptos tenham a capacidade de valorizar quem tem ideias fortes, quem pensa pela sua cabeça e quem ousa ser diferente. Nós, por cá, estaremos sempre sedentos de mais e melhor BomFutebol.

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