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Liga Portuguesa… 20 jornadas depois

Liga Portuguesa… 20 jornadas depois. Finalizados quase 2/3 do Campeonato Nacional, não podia a luta pela 1.ª posição estar mais ao rubro, depois de uma vantagem assinalável por parte do

Liga Portuguesa… 20 jornadas depois.

Finalizados quase 2/3 do Campeonato Nacional, não podia a luta pela 1.ª posição estar mais ao rubro, depois de uma vantagem assinalável por parte do SL Benfica, que indiciava menos dificuldades ao atual (tri)campeão nacional para revalidar o título. O FC Porto aproveitou, renasceu um pouco das cinzas e… encontra-se somente a 1 ponto, quando, por exemplo, no final da jornada 15 eram 4 os pontos que separavam águias de dragões.

Imagem 1 – Classificação da Liga NOS ao fim de 20 jornadas, correspondente a quase 2/3 dos jogos disputados. Fonte: zerozero.

Iniciando precisamente por esta luta a dois pelo título nacional, há primeira e claramente a destacar a quebra do Benfica. As águias, quando tudo parecia bem, ainda mais com uma dupla vitória em Guimarães sobre o Vitória local pelo mesmo resultado (0-2, a contar para o Campeonato à 16.ª jornada e para a 3.ª jornada da fase de grupos da Taça da Liga), parecia mais do que embalada, mas… o jogo atípico diante do Boavista em casa (empate a 3, quando aos 25 minutos já os axadrezados ganhavam por 0-3) colocou a equipa de Rui Vitória em sentido (ou sem…). Se parecia que o jogo seguinte para a Liga com o Tondela também na Luz (4-0) tinha reatado uma certa normalidade, tal não se verificou, por intermédio de uma eliminação concludente da Taça da Liga no Algarve (derrota por 3-1 diante do Moreirense, que acabou por vencer o troféu), seguida de uma derrota para a Liga NOS em Setúbal (1-0), acompanhada de uma exibição condizente com o desaire.

Desta forma, não chegou o 3-0 perante o Nacional, na Luz, nesta jornada 20, para aferir que (ou se) o Benfica saiu da crise, até porque a exibição não foi particularmente estrondosa e enleante. Têm a palavra Rui Vitória y sus muchachos nos próximos capítulos, ainda para mais quando se aproxima a velocidade de cruzeiro o importante desafio europeu com o Borússia Dortmund.

O FC Porto, também em contagem decrescente para o duplo confronto com a poderosa Juventus para a Liga dos Campeões, soube capitalizar muitíssimo bem a quebra do seu grande rival, colocando, no topo do bolo, não propriamente qualquer cereja, mas o triunfo diante o Sporting nesta última ronda. E só não capitalizou na totalidade porque os portistas não foram capazes de marcar qualquer golo na deslocação à Capital do Móvel, decorria a jornada 16.

Com, portanto, 4 triunfos consecutivos, os azuis e brancos reacenderam a esperança de voltar a conquistar o ceptro, que escapa desde 2012/13. Ainda assim, continuam as águias favoritas, pela maior constância exibicional demonstrada e pela qualidade do plantel exibido. O Porto, não obstante ostentar uma defesa muito sólida, continua a pecar muito na finalização e a qualidade de jogo tem oscilado grandemente. Perante um débil Estoril, somente encontrou o caminho do golo para lá do minuto 80 e na transformação da marca de grande penalidade, quando já havia também sentido dificuldades na ronda anterior com o Rio Ave no Dragão (triunfo suado por 4-2). Diante dos leões, ‘apagou-se’ por completo na segunda metade, tendo sido unânime que o Sporting merecia bem mais do que o resultado (2-1) ditou. Sporting que prossegue a sua saga quase autodestrutiva. O panorama leonino, pasme-se (!), agravou-se e, no currículo destes últimos 5 jogos, para amostra apenas dois triunfos, ambos em Alvalade diante de Feirense (2-1) e Paços de Ferreira (4-2). De resto, duplo empate a 2 fora de portas diante de duas das grandes equipas da Liga – Desportivo de Chaves e Marítimo.

A derrota na Invicta, se dúvidas ainda existissem, lançou o Sporting por completo para fora da corrida, confirmando, já na reta inicial de fevereiro, ano dececionante e… a zeros. Ano esse que só não está a ser pior porque o Sporting Clube de Braga, também em gravíssima crise de resultados, não vai aproveitando as ‘ofertas’ da equipa de Jorge Jesus.

Jorge Simão não conseguiu claramente ‘pegar’ na equipa, tem transformado o ‘11’ num conjunto mais físico do que técnico (nesse âmbito, a saída de Xeka foi, além de difícil de entender, exemplo desse errático caminho) e os resultados (não) estão à vista. Essencialmente, falta a Simão perceber que o SC Braga é hoje um clube com uma perspetiva mais aproximada dos ‘grandes’, pelo que a abordagem aos jogos terá de ser diferente, faltando, por isso, ao técnico ex-Chaves, conseguir perceber como o fazer, sob pena de se instaurar uma crise insustentável (já esteve mais longe).

De resto, além da sensaborona derrota na final da Taça da Liga, a turma de Jorge Simão averbou, nestas últimas 5 rodadas, somente 5 pontos em 15 possíveis.

Imagem 3 – Jorge Simão está a ter vida difícil no Minho, muito em parte devido a uma abordagem errada ao “contexto Braga”. Fonte: maisfutebol.

O seu grande rival do Minho, o Vitória Sport Clube, que na jornada 18 venceu em Braga, não soube aproveitar esse balanço e não mais voltou, desde aí, a reencontrar o caminho dos triunfos (empate a 0 em casa diante do Marítimo e derrota na Capital do Móvel perante o Paços de Ferreira), desperdiçando igualmente pontos que poderiam valer o… 3.º lugar, que está à distância de um triunfo. Os arsenalistas, esses, estão, mesmo com tanta escorregadela, à distância apenas de 2 pontos, pelo que as aspirações vimaranenses de um lugar além 5.ª posição estão intactas. É perfeitamente possível, não obstante algumas saídas importantes (como as de João Pedro, para os LA Galaxy, e Soares, para o FC Porto).

Falta, ainda assim, mais ímpeto a este Vitória, algo que terá oportunidade de explanar já na próxima jornada, em seu território, diante do FC Porto. Será, indubitavelmente, este jogo de extrema importância para os comandados de Pedro Martins, que, em caso de resultado positivo, poderão dizer claramente “sim” a voos mais… ambiciosos. Até porque, a não acontecer, o Marítimo pode ficar à espreita. Os madeirenses, excelentemente guiados por Daniel Ramos, prosseguem excecional percurso nesta Liga NOS e a 6.ª posição isolada, a 4 pontos de Vitória de Guimarães e 3 à frente da grande sensação da prova Desportivo de Chaves, espelha bem uma equipa em crescendo e a lutar abertamente por um lugar europeu (ainda que para isso, em virtude da Taça de Portugal, tenha que chegar ao 4.º lugar).

Certo é que os verde-rubros têm mantido um registo defensivo notável e a isso aliado um ataque concretizador. As últimas 5 rondas foram exemplificativas disso mesmo, com os madeirenses a conseguirem derrotar Estoril, Paços de Ferreira e Moreirense e fechado as portas da vitória a Sporting Clube de Portugal e Vitória Sport Clube (registo de empate em ambos os confrontos).

Como foi anteriormente mencionado, é o clube sensação Desportivo de Chaves a ocupar o 7.º posto da tabela classificativa.

Os Valentes Transmontanos prosseguem percurso positivo, ainda que perdendo um pouco fulgor nestas duas últimas rondas por intermédio de uma derrota em Tondela e de um empate caseiro diante do Boavista.

Ainda assim, há que dizê-lo, Ricardo Soares tem tido a hercúlea tarefa de reconstruir um ‘11’ arrasado pelo mercado de inverno. Com o anterior técnico Jorge Simão seguiram para Bracara Augusta os ‘titulares’ Paulinho, Battaglia e Assis (estes dois últimos titularíssimos no ‘miolo’ do meio-campo flaviense) e para paragens orientais seguiu o melhor central até aí: Leandro Freire.

Do Desportivo, ainda assim, recai muita expetativa para o resto desta temporada, até porque a semifinal da Taça diante do Vitória de Guimarães será decisiva para as contas… (surpreendentemente) europeias e, claro está, a sempre luta por um troféu de nomeada que é a Taça de Portugal.

Em igualdade pontual com a turma transmontana está o Vitória Futebol Clube de José Couceiro. A provação que tem feito passar aos ‘grandes’ não é fruto do acaso, tendo, nestas últimas 5 rondas, a equipa sadina derrotado, além, como foi supracitado, o Benfica, o Nacional (em casa) e o Belenenses (em Belém).

Os vitorianos são uma equipa essencialmente regular, muito equilibrada, um pouco à imagem do seu treinador, um técnico de grande valia que figura, indubitavelmente, entre os melhores do futebol português pelo(s) trabalho(s) de excelência que tem realizado em Setúbal (e não só). Pegando um pouco no que foi dito atrás, nomeadamente no que concerne ao confronto com os ‘grandes’, apresenta o conjunto de Couceiro, para  todas as competições, um registo de dois triunfos, duas igualdades e outras tantas derrotas, que no fundo acaba por espelhar esse equilíbrio anteriormente evidenciado, na medida em que está situado na exata metade da tabela classificativa com 28 pontos.

A liderar a segunda metade da tabela está o Rio Ave (outrora de Capucho, agora de Luís Castro).

Depois de um início fulgurante ao leme da equipa vila-condense, os pupilos de Castro foram perdendo (como era expectável) um pouco o fulgor e averbaram, nas últimas 4 rondas, três derrotas e um triunfo (em casa, diante do Braga). Nada de muito admirável, atendendo a que era/é este o previsível destino da nau rioavista, em águas tranquilas mas apenas nacionais. Em igualdade pontual ao clube do litoral nortenho está o Arouca, que tem vindo a galgar terreno depois de um início comprometedor.

Lito Vidigal, um dos mais valiosos técnicos da Liga Portuguesa, conseguiu fazer do Arouca o que foi na última temporada, em que conseguiu inclusivamente um lugar europeu, e é por isso com expetativa que se assiste a mais um belo percurso deste técnico. Tendo perdido também no mercado de inverno jogadores de valia como Jorginho Intima, o que é certo é que a equipa arouquense conseguiu responder bem ao pós fecho do mercado (com uma vitória caseira diante do Vitória de Setúbal). Nos quatro jogos anteriores, dois triunfos, um empate e uma derrota, que lhe valeu, nestes anteriores 5 rounds, uma subida de dois lugares (do 12.º para o 10.º).

Imagem 4 – Lito e Arouca voltam a sorrir perante o regresso dos resultados positivos. Fonte: RR.

Em 11.º, a dois pontos, encontra-se o Boavista de Miguel Leal. Os axadrezados encontram-se em momento de forma interessante, perderam apenas 1 dos últimos 5 jogos, tendo ultrapassado com distinção o sempre difícil teste em Arouca (1-2, à jornada 18) e, por isso também, estão em paz consigo próprios, na medida em que o objetivo da luta pela manutenção está mais do que encaminhado. São 11 os pontos que separam o segundo clube da cidade do Porto do inferno (e quase na mesma medida o último lugar europeu).

Do Boavista e de Miguel Leal esperar-se-á, até final, um campeonato tranquilo, com mais ou menos séries negativas.

O seu rival Belenenses acaba por vir um pouco no raciocínio desenvolvido anteriormente. Uma equipa também de um certo equilíbrio no número de vitórias, empates e derrotas, que acaba por balançar para um lugar tranquilo no que concerne à descida mas nunca numa estrada europeia. As últimas 5 rondas exemplificaram na perfeição isto mesmo: 2 vitórias, 1 empate e 2 derrotas. Faltará ao conjunto de Quim Machado instinto goleador, sendo mesmo o pior nesse aspeto, com apenas 13 golos. Vale-lhe, enfim, um comportamento defensivo de grande categoria, sendo a quinta melhor nesse capítulo.

Emparedado entre o 12.º Belenenses e o 14.º Paços de Ferreira está o surpreendente Feirense de Nuno Manta. O jovem técnico, que ficou para substituir José Mota, está a ter um desempenho notável à frente dos destinos da equipa de Santa Maria da Feira e tem feito do seu terreno um castelo inexpugnável, como o próprio fez crer (e bem) na última conferência de imprensa após o difícil triunfo diante do Rio Ave.

À derrota pela margem mínima em Alvalade, respondeu o Feirense com dois empates e dois triunfos (tendo, destes, sido três em casa e o outro em Moreira de Cónegos). Ainda que a não despromoção não seja, de todo, um dado adquirido, porque ainda há muita tinta por correr, certo é que os fogaceiros já levam 8 pontos de avanço sobre o Tondela, que ocupa o primeiro lugar de acesso à 2.ª Liga.

Pior, bem pior, anda o Paços de Ferreira de Vasco Seabra, um técnico jovem, na linha do anterior, que acabou por também ocupar a vaga deixada em aberto pela saída do anterior treinador.

Não obstante o tão importante quanto saboroso triunfo diante do Vitória SC na última ronda, foram três as derrotas (todas por margem de dois golos) no mesmo número de jornadas anteriores, que fez soar o alarme entre a entourage dos castores. Alívio relativo, portanto, de um clube que nos últimos anos está habituado a, regra geral, estar mais desafogado de lutas de calibre mais baixo, sendo, ainda assim, 6 os pontos que separam os auri-verdes do red line.

O Moreirense, por outro lado, vive um carrossel de emoções e estados de espírito.

Depois de ter surpreendido Portugal com uma épica vitória na Taça da Liga, onde ultrapassou Benfica e Braga e ainda antes, na fase de grupos, o FC Porto, não conseguiu a equipa de Augusto Inácio capitalizar esse boost anímico conferido pelo inédito troféu, tendo apenas conseguido amealhar 1 ponto nas duas últimas rondas.

O saldo, ainda assim, é positivo para os cónegos, que saltaram uma posição de há 5 jornadas para cá. Como foi referido em artigos anteriores, a qualidade que o Moreirense apresenta, já dos tempos de Pepa, não é ajustada aos pontos que tem averbado e é, por isso, expectável que não seja um dos clubes a descer de escalão no final da temporada.

Em situação realmente preocupante está o Estoril Praia, do estreante Pedro Gómez Carmona.

O efeito que se fez sentir desde a entrada do técnico espanhol não é a melhor, tendo em 7 rondas os estorilistas apenas averbado 1 (!) único ponto, curiosamente nesta última ronda, e logo em Braga. Pelo meio, garantiu com sucesso a qualificação para a semifinal da Taça de Portugal, a disputar com o Benfica, mas os canarinhos terão muito a fazer para sair da situação limite em que se encontram. Algo que, atendendo à qualidade dos jogadores, poderá claramente suceder (os ex-portistas Kléber e Licá – este último acabado de chegar ao clube –, o ex-benfiquista Moreira, entre outros), ainda que isso, como se sabe, não seja, de forma alguma, fator decisivo. Tem o espanhol muito a provar ainda nos 14 jogos que faltam disputar, transportando compreensivelmente uma nuvem carregada de dúvidas, não como fazer crer pela sua nacionalidade, mas por uma série de derrotas absolutamente anormal e pouco consentâneo com o que tem sido o Estoril nas últimas épocas, desde que regressou ao principal escalão sob a bitola de Marco Silva.

Imagem 5 – Percurso do Estoril com Carmona. Fonte: zerozero.

Se o Estoril está em risco, o Tondela, esse, continua em situação aflitiva. A entrada de Pepa está, ainda assim, a fazer-se sentir positivamente, com 4 pontos averbados nos últimos dois jogos (triunfo caseiro diante do Chaves e empate em Belém). O técnico, ainda assim, não tem perfil para um trabalho de curto prazo, pelo que na eventualidade de o destino do Tondela ser o pior no final da temporada, não muitas responsabilidades deverão ser assacadas ao jovem técnico português, que já mostrou imensa competência por todos os clubes onde passou (inclusivamente por Moreira de Cónegos, onde foi despedido injustamente).

O Tondela tem um plantel limitado e será árdua a luta pela manutenção, ainda que já não seja último e a distância diminuta de 2 pontos para o Estoril faça, logicamente, sonhar os beirões por, pelo menos, mais uma época desportiva na 1.ª Liga.

Em desgraça mesmo caiu o Nacional da Madeira. Rui Alves, ao promover a saída de Manuel Machado do comando técnico da equipa, acabou por… despromover o rendimento da mesma, com consequências, para já, imprevisíveis de julgar. Desde que Pedrag Jokanovic assumiu o comando técnico, dois empates caseiros e três derrotas forasteiras foi a folha de serviço apresentada pelo sérvio, com consequências diretas na classificação. Se à 15.ª jornada o Nacional estava em 17.º lugar ex aequo com o Moreirense, agora está em último e a um triunfo de distância do 16.º Estoril Praia.

Dificilmente com Manuel Machado tal sucederia, não obstante a época muito aquém das expetativas. O português, muito experiente, sempre demonstrou competência assinalável e, mais tarde ou mais cedo, o clube insular iria “ao sítio”. Assim, ao dar o passo mais fácil (o despedimento) e ao mesmo tempo em falso, será de todo crível julgar que os alvi-negros poderão ser sérios candidatos à descida de divisão, algo impensável desde que o clube excelentemente bem gerido por Rui Alves assomou à 1.ª Liga, que contou inclusivamente com várias participações europeias no curriculum.

Posto isto, não poderia estar mais ao rubro o Campeonato Português, com ingredientes de sobra para as próximas rondas. Na luta pelo título, na luta pela Europa e na luta pela manutenção. Uma trilogia explosiva que aguarda por capítulos particularmente intensos.

Autor: André Rodrigues

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