-- ------ Liga Portuguesa... 6 jornadas depois - Temporada 2017/18
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Liga Portuguesa… 6 jornadas depois – Temporada 2017/18

Liga Portuguesa… 6 jornadas depois – Temporada 2017/18

6 jornadas volvidas, a Liga Portuguesa está vibrante e plena de emoção. Impera o equilíbrio e há Bom Futebol a rodos. Promete! E de que maneira…

-> Sporting satisfaz… plenamente

E não é que ao cabo de seis jornadas ainda temos, não uma, mas duas equipas de folha limpa? São elas Sporting Clube de Portugal e Futebol Clube do Porto. Desempenho, para já, 100% imaculado. No que concerne aos leões, houve dois triunfos especialmente sofridos, que podiam ter já manchado esse tal percurso. Com o Vitória de Setúbal (jornada 2), só um penalty salvador perto do final solucionou a questão. Com o Feirense, igual. Com a diferença de ter sido este obtido no último dos últimos minutos de compensação. A felicidade, aquela pontinha de sorte tão falada em futebol, tem, indubitavelmente, estado com a equipa leonina. Mas não só… A qualidade de jogo tem sido superlativa.

Coates e Mathieu formam dupla de «pedra» no centro da defesa. Patrício, na baliza, não dá tréguas. William Carvalho tem apresentado nível soberbo. E depois há Bruno Fernandes, que, mais do que joga e faz jogar, apresenta impressionante registo goleador. O médio português tem nada mais nada menos do que 5 golos, quase à média de 1 por jornada. Fabuloso! Tão fabuloso que tem ofuscado os não menos fantásticos Bas Dost e Gelson (4 e 3 golos, respetivamente). Jogadores importantíssimos na manobra da equipa (como o foram na temporada transata). Imprescindíveis mesmo! Segue de vento em popa e em velocidade de cruzeiro o navio montado por Jorge Jesus.

Bruno Fernandes tem sido o grande destaque desta Liga Portuguesa em 2017/18

Imagem 1 – Gelson e Bruno Fernandes têm sido os grandes motores do Sporting 2017/18 nesta edição da Liga Portuguesa. Especialmente este último. Com golos de «tirar o chapéu», BF (Bruno Fernandes) tem sido sinónimo de Bom Futebol. É o atleta que tem espalhado mais «sonhos» pelos relvados nacionais. Fonte: maisfutebol.iol.pt

 

-> FC Porto… idem

Os dragões, por seu turno, ainda que apresentem rendimento semelhante ao dos sportinguistas, tem diferente índole. Ainda que a eficácia seja a mesma, diga-se. Os portistas apresentam impressionante marca de apenas 1 golo consentido (e apenas nesta última jornada, em Vila do Conde). Evidenciam também eficácia de «estalo» (14 tentos anotados). Contas feitas, é a equipa mais eficiente desta Liga Portuguesa, com um goal average de 13 (o Sporting tem 12).

Sérgio Conceição tem tido o condão de fazer muito com pouco (atendendo à inoperância diretiva no mercado de transferências). O técnico português está, por isso, a realizar trabalho de excelência, tendo montado equipa forte e compacta. Aliado a uma defesa de betão, Conceição tem conseguido que a criatividade de Brahimi, Corona e Óliver surtam… golos. Golos que Aboubakar e Marega têm sabido corresponder na perfeição.

Para o técnico portista, para já, nada se lhe pode apontar. Até porque já ultrapassou adversários de craveira, como SC Braga e Rio Ave (e ambos fora de portas). Ver-se-á com o tempo se Sérgio não será «traído» pela política de contenção financeira imposta pela estrutura diretiva. Há soluções de qualidade, mas poucas, muito poucas. Algo que poderá «esbarrar» nos intentos dos azuis e brancos em alcançarem o título, que escapa desde 2012/13.

Sérgio Conceição é o grande idealista do conjunto azul e branco versão 2017/18

Imagem 2 – Conceição, mesmo tendo «sofrido» com a inoperância no mercado de transferências, «reuniu tropas» e tem realizado trabalho notável. Fonte: maisfutebol.iol.pt

 

-> Prossegue o notável Marítimo, à frente do… tetracampeão

Não está fácil para os (tetra)campeões nacionais este início de temporada. O Benfica até começou bem (4 triunfos consecutivos), mas estas últimas jornadas provaram que algo não vai bem na Luz. À partida, de fácil compreensão: Bruno Varela (que tem sido aposta) está a anos-luz de Ederson; Lisandro e Jardel (este último praticamente não jogou na temporada transata) não dão garantias de uma substituição capaz de Lindelof; Luisão tem mais um ano (com todas as consequências que isso acarreta num futebol deste nível); pelo menos para já, Almeida e Douglas (ainda sem jogar) não mostraram ser substitutos à altura de Nélson Semedo; continua a não haver substituto à altura para Fejsa, quando está indisponível, como no presente.

Imagem 3 – Sem Fejsa, a defensiva benfiquista «mete água» por todos os lados. Ausência do médio explica golos consentidos (quase à média de 1 por jogo). Sérvio é, para a equipa, jogador uno e indivisível.  Fonte: zimbio.com

Todos estes problemas levantados são «só» no esqueleto mais importante da equipa: baliza, centro da defensiva e meio-campo defensivo. A coluna vertebral da equipa está, por isso, débil. À exceção, claro está, do ataque (concretizador como sempre, com Jonas e Seferovic como principais artistas). Cabe a Rui Vitória a resolução desses problemas com o que tem em «casa», algo perfeitamente possível. Terá, no fundo, de fazer o que fez em 2015/16, quando «descobriu» um «8» para a equipa (Renato Sanches). Certo é que afastar a águia da luta pelo título é deveras precoce. Tal como sucedeu em… 2015/16.

O Marítimo, que fecha o pódio desta Liga Portuguesa 2017/18, tem prosseguido caminhada incólume. Não há já quaisquer dúvidas sobre a qualidade de Daniel Ramos. A capacidade defensiva dos maritimistas e o dom de marcarem quase sempre fazem deles um dos mais temíveis deste campeonato. Vêm os Leões da Madeira de uma série de 3 triunfos consecutivos, algo que já começa a tornar-se rotineiro. É, sem dúvida, um dos grandes candidatos (de novo) à Europa, juntamente com o SC Braga.

-> Rio Ave de Bom Futebol, Braga de sempre e Feirense de Manta

A fechar o Top 5 desta Liga Portuguesa está o surpreendente Rio Ave. Pleno de Bom Futebol, a turma vila-condense, sob a batuta do estreante Miguel Cardoso, apresenta proposta de futebol… sedutora. Bonita, espetacular, infelizmente pouco vista em clubes desta dimensão, respeitadora do futebol, da sua beleza e arte. Dá gosto ver o Rio Ave jogar e, felizmente para os amantes do futebol, com resultados. Miguel Cardoso é o cineasta de um filme que conta, obviamente, com atores de referência. Francisco Geraldes, Rúben Ribeiro, Óscar Barreto, Tarantini, Guedes e N. Santos são os atores principais desta fantástica promoção ao futebol lusitano.

Imagem 4 – Miguel Cardoso é o técnico em maior evidência neste arranque de Liga Portuguesa. Há futebol prometedor nos Arcos. Fonte: maisfutebol.iol.pt

Em Braga, respiram-se melhores ares depois do triunfo do último fim de semana no grande derby minhoto. Aliado, claro está, à estupenda vitória na Alemanha, diante do Hoffenheim, a contar para a Europa League. Abel tem promovido rotação, com constantes câmbios de ‘onzes’, estratégia que não exorta às rotinas mas à saudabilidade do plantel. Plantel dotado de uma qualidade indiscutível e com alargado leque de opções. Xadas, Fábio Martins, Paulinho, João C. Teixeira, Vukcevic, Ricardo Esgaio (em fulgurante momento), irmãos Horta, Fransérgio, Danilo, Hassan, R. Silva,… Temos Braga!

O Feirense de Nuno Manta, esse, continua igual a si próprio. O jovem técnico dotou a equipa de uma personalidade muito própria que tem dado cartas. Equipa muito bem organizada, muito equilibrada e ofensivamente muito dinâmica. Destacam-se do conjunto da Feira o tridente ofensivo composto por Etebo (o grande «manobrador» da equipa), Edson Farias e T. Silva.

-> Belenenses e Vitória SC ‘nim’, por diferentes razões

Belenenses, apesar da boa classificação (8.ª), não tem mostrado grandes argumentos. Com um futebol defensivo e pouco criativo em termos atacantes, é melhor a posição do que o trabalho apresentado. Domingos deverá, por isso, (re)pensar o modelo da equipa, especialmente na vertente ofensiva, onde precisa sobremaneira de melhorar. A classificação da turma do Restelo é um engano e, caso a qualidade não melhore, poderá «cair» rapidamente. Classificação que, compreensivelmente atendendo a fase tão precoce, está «segura por pinças». Do conjunto de Belém ao último distam… 3 pontos.

O Vitória de Guimarães, a ocupar precisamente a metade da tabela, debate-se com problemas… estruturais. Como sendo, de má abordagem ao mercado veraneante, que não colmatou saídas importantes. As vagas deixadas em aberto por Josué, B. Gaspar, Zungu, Marega, Hernâni e, de certa forma, Soares não foram corretamente preenchidas. Pedro Martins tem tido, por isso, trabalho difícil e de elevada complexidade. O Vitória SC tem, ainda assim, potencial para mais, muito mais. Terá, para tal, de haver esse trabalho de fundo e como Roma e pavia não se fizeram num dia…

-> O pelotão da Liga Portuguesa

Seguem-se seis equipas com outros tantos pontos: Paços de Ferreira, Portimonense, Estoril, Boavista e Vitória de Setúbal. Destas, é o recém-promovido Portimonense, excelentemente liderado por Vítor Oliveira, que melhor tem jogado, seguido do Vitória sadino. Os algarvios têm apresentado poder atacante muito interessante, numa espécie de canarinha à algarvia. Paulinho é o brasileiro em melhor plano deste conjunto, aliado a um nipónico que vem também surpreendendo. Shoya Nakajima de seu nome. De resto, só por uma vez os alvinegros não marcaram nesta Liga Portuguesa.

Sob as asas de Paulinho e Nakajima, um regresso em grande do Portimonense à 1.ª Liga Portuguesa.

Imagem 5 – Paulinho (à esq.) e Nakajima (à dir.) são os dois grandes destaques de um Portimonense em grande estilo. Fonte: maisfutebol.iol.pt

O Vitória de Setúbal tem sido o costume da ‘era Couceiro’. Muito consistente, organizado, uma equipa interessante com bom poder atacante. A defesa é, também ela, segura. Será expectável um campeonato tranquilo por parte dos setubalenses.

Os castores, por seu turno, têm apresentado grande irregularidade exibicional. Se por um lado acabaram de obter o primeiro triunfo nesta Primeira Liga (diante precisamente o V. Setúbal), por outro apresentam somente duas manchas (derrotas) no curriculum. É, por isso, uma equipa irregular a todos os níveis a de Vasco Seabra.

O caso do Estoril é um pouco semelhante. Os estorilistas protagonizaram grandes exibições em Alvalade, Tondela e V. Guimarães (este último em casa), mas foi paupérrimo ao que se assistiu diante de Moreirense e Belenenses. Fruto dessa inconstância, os pupilos de P. Emanuel somaram a terceira derrota consecutiva. Estão por isso os canarinhos em fase descendente.

A estreia de Jorge Simão pelos axadrezados não podia ter sido melhor (saída de M. Leal constituiu a primeira chicotada psicológica na Primeira Liga 2017/18), mas o técnico português tem muito trabalho pela frente. O plantel não é dotado de qualidade superlativa (bem longe disso) e as exibições têm sido «trôpegas». Simão, que possui reconhecida qualidade, terá de «dar uma volta» à equipa boavisteira, sob pena de… sustos maiores.

Estreia de sonho para Jorge Simão, que tem muito trabalho pela frente

Imagem 6 – Jorge Simão teve estreia auspiciosa no Bessa, mas terá muito trabalho pela frente. Fonte: maisfutebol.iol.pt

-> Tondela, Chaves e Aves bem; Moreirense com sérias dificuldades

Há futebol de qualidade em Tondela, Trás-os-Montes (GD Chaves) e Vila das Aves (CD Aves). A classificação, porém, não o indica (pelo menos para já). Pepa tem desenvolvido trabalho de qualidade em Tondela e o futebol praticado é agradável. Falta, porém, maior consistência defensiva, visto que o ataque é bastante concretizador. A equipa expõe-se muito no momento ofensivo e é essa uma das principais causas para esse diferencial de rendimento.

O Desportivo de Chaves, sob a batuta do competentíssimo Luís Castro, ainda anda numa fase de encontro consigo mesmo. O ideal do treinador vai muito ao encontro do preocnizado por M. Cardoso (Rio Ave), mas a assimilação de processos está a ser mais lenta. A classificação, porém, nada evidencia a mais-valia dos Valentes Transmontanos. Há, indubitavelmente, Bom Futebol em Trás-os-Montes e o mais natural é que o Desportivo local ascenda na tabela classificativa. O último jogo (vitória sobre o Moreirense por números claros) poderá ter sido o click que faltava à equipa. Ficam, por ora, além desta, exibições muito conseguidas diante de Benfica e Vitória de Guimarães (ambas culminadas sem pontos).

Na mesma tarimba exibicional encontra-se o Aves de Ricardo Soares, cujas exibições não têm correspondido à qualidade da equipa. Recheada de jogadores de classe (Salvador Agra, Arango, C. Ponck, Nélson Lenho, R. Gauld, Paulo Machado,…), a turma avense ainda anda à procura do seu (real) caminho. Os sinais, contudo, têm sido bastante satisfatórios.

Agra, Gauld e Vítor Gomes são três unidades importantes de um plantel bem «recheado»

Imagem 7 – Aves tem plantel bem composto, aliando talento à experiência. Na foto, S. Agra, R. Gauld e Vítor Gomes (da esq. para a dir.). Fonte: maisfutebol.iol.pt

No plano oposto encontra-se o Moreirense, provavelmente a equipa que pior futebol tem apresentado nestas primeiras rondas da Liga Portuguesa. Ofensivamente inócua (pior ataque) e defensivamente frágil, terá, a continuar assim, séries dificuldades em garantir a manutenção na Liga Portuguesa. É, para já, a equipa que mais sinais alarmantes revela.

Classificação da 1.ª Liga Portuguesa ao cabo de 6 jogos

Imagem 8 – Classificação completa da Liga Portuguesa disputadas 6 rondas. Fonte: zerozero.pt

 

Autor: André Rodrigues

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