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Mercado de Janeiro… Um Prémio Para Quem Preparou Mal a Temporada quando Devia?

Mercado de Janeiro… Um Prémio Para Quem Preparou Mal a Temporada quando Devia?

A fotografia de Éden Hazard que ilustra o presente escrito, pode, a breve trecho temporal, tornar-se desactualizada. Com efeito, o talentoso criativo belga que, ainda é orientado por Conte no Chelsea, pode, no presente mês, cumprir um sonho antigo e que pouca ou nada fez, de há muito tempo, para esconder: representar o Real Madrid.

Tal contratação, levanta, desde logo, a questão da utilidade do mercado de Inverno de transferências no futebol.

Obviamente, existirão correntes que defenderão que o futebol , apesar de desporto é uma actividade económica, e que as entidades patronais são sociedades cujo escopo principal é o lucro. Sinais dos tempos em que os golos são substituídos por folhas de Excel, os troféus que se ostentam com maior orgulho são os provenientes de balanços, balancetes e demonstrações de resultado positivos. Além disso, se o jogador do futebol, até pelo Acórdão Bosman, goza de igualdade de circulação e contratação relativamente aos outros trabalhadores, deveria poder, como os demais, em qualquer altura mudar de entidade patronal.

Outra haverá, mais rígida, que, optando por uma, chamemos assim, postura exclusivamente desportivista, defende que o período de transferências de Janeiro deveria, simplesmente, ser abolido. A sustentar tal teoria defendem que esta altura do mercado, apenas, fortalece os clubes mais endinheirados, que, fruto dos seus amplos recursos financeiros, conseguem reforçar-se, debilitando os demais clubes. Estes, por sua vez, em virtude de poderem ver-se depauperados nos seus recursos, terão a sua componente desportiva comprometida, o que em última ratio poderá ser interpretada como o mérito do dinheiro a fazer-se valer aos méritos desportivos.

Porém, achamos que “in medio virtum est”… ou seja no meio destas teorias estará um comprometimento necessário para a salvaguarda desportiva das provas e simultaneamente proteger quem tem menos meios.
Assim, desde logo, a nosso ver, deveria existir um “numerus clausus” de contratações neste momento de mercado. Com efeito, e utilizando uma metáfora, numa corrida automobilística, no seu decorrer, apenas se trocam os pneus… numa maratona, nem isso… porque razão, é permitido a certos clubes alterar o seu elenco, quase, radicalmente?

Depois desse “numerus clausus”, e decorrente do mesmo, restringir as transferências entre clubes da mesma liga. Ou seja, se haveria um número limite de transferências no total, entre clubes da mesma liga, o seu número ainda deveria ser inferior, de modo ao dinheiro não ser o factor de decisão no parte mais importante da temporada.

O mesmo se diria dos emprestados… certo e sabido que muitos clubes, incapazes de atacarem o mercado, mas fruto de uma época desportiva mal planeada no seu debutar, “salivam” pelos excedentes de clubes com mais recursos e que possuem jogadores que integram o plantel, apenas, para fazer a “peladinha” nos treinos. Ora, a permissão de nesta altura recorrerem a empréstimos em número desmedido e desregrado é um prémio e uma ode à incompetência em período anterior. Tal, efectivamente, não é justo, para quem soube planear o seu percurso com visão, prevendo o que teria de necessitar ao longo da época.

Além disso, com esta restrição cessariam as relações dúbias entre clubes, pois, como sabemos, existem clubes que ficam em posição de subserviência em relação aos demais, fruto dos empréstimos, sendo que essa relação de domínio é observada quando esses dois clubes se enfrentam.

Acreditamos que tais medidas tornariam o jogo mais límpido e equitativo, com todos os contendores com as mesmas armas e possibilitando que o bom trabalho desenvolvido na pré-época ( a altura de preparar o ano) se reflectisse, efectivamente, ao longo de todo o ano…

Autoria: Vasco André Rodrigues (A Economia do Golo)

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