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O Milagre da Liga Alemã, explicado em passos simples…

O Milagre da Liga Alemã, explicado em passos simples…

Estádios cheios com inolvidáveis coreografias e manifestações de apoio dos adeptos…bons jogadores… clubes numa situação económica sólida. Tudo isso parece contribuir para o verdadeiro exemplo em que a liga alemã se tornou nos últimos anos.

E com efeito, quem olhava para aquele campeonato enfadonho, em que as equipas de leste, após a queda do muro, pareciam perdidas na ocidentalização do país, em que os estádios pareciam estar decrépitos e em que existiam os ricos e os pobres, ficará certamente surpreendido com os toques de modernidade de uma liga que é um verdadeiro exemplo económico.

Na verdade, a primeira parte da revolução deu-se nos anos 90. Os clubes que, até então, tinham uma vertente associativa, sem fim lucrativo, assumiram a necessidade de profissionalizar a sua estrutura. Surgiram as primeiras sociedades anónimas desportivas, mas já aí com a preocupação de proteger o cliente do desporto mais espectacular do mundo. Ipso modo, ao invés do que actualmente vai ocorrendo em Portugal, estas estruturas empresariais foram limitadas à regra dos 50%+1. Ou seja, essa percentagem é dos clubes e dos seus sócios, sendo esta norma imperativa e inderrogável!

E tal ajuda a explicar as bancadas cheias nos estádios…com efeito, além da vertente económica, ninguém no futebol ousará alvitrar o pragmatismo alemão, pois esta medida permitiu que, apesar dos investimentos exteriores, os clubes continuassem a ter um vínculo fortíssimo com os seus sócios e adeptos. Um modelo cooperativista, em que os gestores encarregam-se de procurar e fazer frutificar os proventos.

E esses proventos têm-se multiplicado exponencialmente a todos os níveis.

Direitos Televisivos

Assim, a Liga germânica optou por centralizar os direitos televisivos. Ao invés do que se faz em Portugal, as receitas deste meio de transmissão são negociadas conjuntamente por todos os clubes.

A acrescer, passou a apostar em transmitir os desafios para outras latitudes, o que tem enriquecido em muito os cofres da Liga. Exemplificando, o acordo celebrado entre Twenty-First Century Fox Inc e a Deutsche Fussball Liga (DFL), em 2015 permitiu que a 21th Century Fox passasse a transmitir os jogos para 80 países, incluindo os Estados Unidos.

Patrocínios

Na última década os patrocínios no futebol alemão incrementaram de forma clara. A ajudar os sucessos desportivos em eventos internacionais ( a final da Champions entre Bayern e Borussia em 2012, as permanentes boas carreiras europeias dos seus clubes), bem como a crescente profissionalização dos aspectos referentes ao marketing. Além disso realce para a aposta, que ainda quase tenha levado ao exaurimento deste meios, na venda dos “namings” dos estádios, de espaço para publicidade nos equipamentos, bem como a publicidade estática.

Utilização dos estádios

Os estádios da principal competição do país encontram-se potenciados economicamente ao máximo. Com efeito, 90% dos seus recursos estão a ser aproveitados, bem como a taxa de ocupação dos mesmos ronda tal percentagem. Por essa razão, temos assistido a obras de expansão em diversos recintos desportivos do país, para permitir, para além de mais adeptos, novas valências.

Tal êxito deve-se ao facto do preço dos bilhetes ser relativamente reduzido para o nível de vida alemão, tendo, porém, em consideração as preocupações dos adeptos. Assim, o valor dos ingressos tem aumentado sempre de acordo com a inflacção do país, ao invés de assistirmos a uma desregulação do valor dos mesmos.

Novos Mercados

Um dos grandes desafios da liga alemã, nos dias que correm, passa por aproveitar o seu potencial de internacionalização. Para tal suceder, tem ocorrido uma aposta em “sponsors” multinacionais, bem como a tentativa que os jogos do campeonato principal sejam transmitidos em mercados distintos do europeu, um pouco à imagem do que a Premier League faz.

E poderemos estar a falar de uma verdadeira “galinha dos ovos de ouro” com os jogos de Bayern, Borussia ou Wolfsburg, bem como os demais, passarem a ser visionados em todo o mundo, gerando uma verdadeira onda de fãs que despoleta inúmeros proventos de marketing e merchandising.

Aposta na Juventude

Os clubes alemães desde o início da década passaram a apostar nas academias para fornecimento de talentos para as suas equipas principais.

Longe vão os tempos de uma Mannschaft envelhecida, a arrastar-se, penosamente, pelos relvados… Hoje, assistimos a uma geração quase tão talentosa com os sul americanos, permanentemente rejuvenescida e reconhecida.

A tal não é alheio, ao gasto em média, de 100 milhões de euros por temporada dos clubes nas suas academias, sendo que 60% dos atletas aí integrados são naturais do país, ao contrário do que ocorre na Inglaterra em que a percentagem desce para 33%.

Resultados À Vista

Os resultados estão à vista…como demonstra as fotos que ilustram o presente artigo os estádios encontram-se cheios, possuindo a maior taxa de ocupação da Europa.

As receitas geradas pelo campeonato andam na ordem dos 8 mil milhões de euros, um aumento de 50% em relação há cerca de 10 anos. Receitas essas que em dez temporadas (2003/04 a 2013/14) cresceram 124,8%.

Além disso, a sua participação para o estado é relevante. 2,3 milhões de euros de impostos e taxas para a segurança social é o montante gerado por esta excelente máquina comercial. Não obstante esse cumprimento fiscal, 13 dos 18 clubes que participam no principal campeonato germânico, almejaram lucros de 72%, já depois de terem cumprido as suas obrigações.

Em suma, se devemos seguir os bons exemplos, temos aqui um verdadeiro manancial de êxito para tornar o futebol português mais rico e competitivo… não tenhamos vergonha de replicar o que de bom se faz no exterior, ao invés de tentarmos descobrir, quase como um alquimista, uma fórmula secreta que teima em não aparecer…

Autoria: A Economia do Golo – Vasco André Rodrigues

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