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Nápoles, ou como se pode revistar o passado…

Nápoles, ou como se pode revistar o passado…

“Ontem”, mencionamos uma entrevista do presidente do Nápoles, Aurélio de Laurentiis.
Contudo, o clube “partenopei” merece mais do que a referência a uma entrevista do homem que reabilitou o símbolo maior do Sul de Itália.

Com efeito, depois do êxtase maradoniano, coadjuvado com os golos de Careca, a fantasia de Andrea Carnevale, a sagacidade táctica de Alemão ou a eficácia “cattenaciara” de Ciro Ferrara, o clube bateu no fundo… e no debutar do novo milénio pareceu chegar ao fim!

Com efeito, as inúmeras dívidas contraídas com o objectivo de não perder o lastro anteriormente alcançado, fizeram com que o clube tivesse de chegar ao extremo, de declarar a bancarrota.

E, aí, uma cidade apaixonada por futebol, fervilhante e entusiasta por um dos seus maiores símbolos, que era o clube da camisola azul celeste, viu-se na contingência de ter-se de despedir de uma equipa que tantas tardes de alegria houvera dado… que tinha permitido à parte pobre e depauperada do país ser ouvida e temida no Norte rico, industrializado e glamouroso!

Porém, era uma história que não poderia acabar assim!

Então, em 2004, e após a declaração de insolvência da anterior equipa ( a que ostentava os troféus ganhos pelo génio do astro argentino), uma nova equipa surgiria. Em vez da histórica Società Sportiva Calcio Napoli, simplesmente Napoli Soccer, com um novo emblema, mas com as mesmas cores e a querer respeitar a história de outrora!

Apesar de ter tentado fazer uso da Lei Petrucci, ainda que sem êxito por apresentação ao programa de modo extemporâneo, o clube, fruto da sua relevância desportiva e social, bem como alegando fundamentadas razões de ordem pública, haveria de conseguir um acordo com a FIGC que lhe permitira ter as mesmas regalias de quem houvera actuado dentro dos prazos previstos.

Elucidemos, pois em que consistia tal pressuposto normativo. Este permitia que as sociedades desportivas em crise financeira e declaradas falidas, pudessem manter os seus direitos desportivos, apenas sendo despromovidas uma divisão.

A escalada rumo ao retorno à Serie A

Beneficiando desse acordo, o clube encetou uma escalada que o haveria de levar rumo ao posto onde hoje se encontra, que é o primeiro lugar da Serie A, sendo conjuntamente com a Juventus, o mais forte candidato a vencer um scudetto que já foge desde o início dos anos 90.

Mas, não se pense, contudo, que tal facilitaria uma dolorosa escalada… o Nápoles, outrora campeão, teria de retomar a sua vida na série C, quase nos escalões “diletantiche”; ou seja, os amadores do nosso país.

Porém, a ambição de De Laurentiis, um reconhecido produtor cinematográfico romano, não tinha limites…

Assumindo a equipa na Série C, com Gian Piero Ventura a treinador, o famigerado seleccionador da azurra que falharia o apuramento para o Mundial 2018, começou a escalada rumo ao retorno à Serie A em 2007/2008, após sete anos de interregno.

Além disso, mantendo uma promessa feita aos tifosi, aquando da aquisição do título desportivo na Curatela Fallimentare do Tribunal de Nápoles, em 2006 o clube recuperou a sua anterior designação, que já existia desde 1926, ano da sua fundação.

O acrescentar de uma filosofia

Não obstante o retorno ao escalão maior do futebol transalpino, os sonhos de grandeza não findariam…procurando rodear-se de jogadores talentosos e com possibilidade de retorno financeiro a escalada competitiva haveria de permanecer…e nomes como Cavani, vendido ao Paris Saint-Germain por 64 milhões de euros, Higuain pelo qual a Juventus pagou a cláusula de rescisão estimada em 90 milhões, ou Lavezzi transaccionado para Paris por cerca de 29 milhões de euros, contribuiriam para uma saúde financeira assinalável e para o concomitante reforço da equipa, que não obstante os milhões auferidos não cessa de buscar talentos ainda em fase de afirmação, como Koulibaly, Zielinsk, Diawara ou Rog, para juntarem-se aos consagrados Hamsik, Albiol ou o filho da casa, Lorenzo Insigne.

A acrescer a essa filosofia, a escolha de um treinador com uma ideia de jogo bem vincada e atraente, como Mauricio Sarri, seria o passo seguinte…

Actualmente, os “partenopei” sonham igualar os feitos da equipa de Maradona… e o San Paolo vibra, cheio, com os golos de Mertens (uma invenção como goleador do visionário Sarri), com as arrancadas de Callejon e com um presidente ambicioso que pretende devolver ao clube o que lhe foge desde que um pequeno e atarracado argentino, quase sozinho, almejou…porém, o sucesso da recuperação esse já pode constar do seu curriculum!

Autoria: Vasco André Rodrigues (A Economia do Golo)

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