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Nelson Lenho – Coração de Capitão

Nelson Lenho – Coração de Capitão.

ODesportivo de Chaves foi uma uma das sensações da Liga Nos que terminou recentemente. O clube transmontano,recém-promovido jogou muito e BomFutebol e ainda esteve muito perto da final do Jamor. O excelente percurso da equipa já tinha sido abordado pelo nosso site. Conversámos um pouco com o capitão de equipa e uma das suas mais proeminentes figuras. A não perder Nelson Lenho:

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O Chaves tem uma massa adepta única. São pessoas que vivem o clube e tem uma paixão muito forte. São realmente diferentes

Nelson Lenho, 33 anos, único jogador que jogou todos os minutos da Liga Nos 2016/2017.

O que significa para si ter alcançado este registo ?

Nelson Lenho: É sempre bom conseguir um registo destes. Não escondo que fiquei bastante feliz, ainda para mais por ser o único a consegui-lo esta época .

Tinha jogado na Primeira Liga no Leixões e no Penafiel, duas temporadas que colectivamente correram bastante mal. Que ilusão trazia este regresso aos melhores palcos do futebol nacional?

Nelson Lenho:  Sinceramente o que tinha pensado para mim esta época, era acima de tudo provar a mim mesmo que conseguia impor-me na Primeira Liga. Das outras vezes não tinha corrido bem, felizmente consegui este ano e acaba por ser um objectivo que já tentava há bastante tempo.

Ainda lhe vem muitas vezes ao pensamento o penalti do Bruno Braga frente ao Vitória de Guimarães?

Nelson Lenho: Não,agora já não penso nisso, já passou.Na próxima época haverá mais jogos da Taça.

Segunda meia-final que perdeu com o Vitória (primeira com o Belenenses em 2012/2013). O Jamor é um palco que ainda sonha pisar?

Nelson Lenho: Sim é verdade, por duas vezes o Vitória me tirou esse sonho. Ainda não desisti e acredito que um dia possa acontecer, tendo a consciência que cada vez e mais difícil.

O Chaves foi a equipa sensação durante grande parte da temporada, sente que a eliminação da Taça pesou naquilo que foi o resto da época ?

Nelson Lenho: Sem duvida, o segundo jogo da Taça de Portugal acabou por nos abalar bastante, tentamos sempre conseguir levantar o ânimo, mas inconscientemente não conseguimos. Mesmo assim, acho que a época do Chaves foi muito positiva.

No mercado de Inverno falou-se numa possível ida para o Konyaspor da Turquia, o que havia para ganhar esta época, pesou mais que um grande contrato?

Nelson Lenho: Foi simples, houve uma abordagem muito perto do fecho do mercado. Tínhamos perdido muitos jogadores, o clube estava em mudança em plena época. Entendi que não seria o momento, se algo tivesse que acontecer, iria acontecer mais para a frente.

No final do jogo da última jornada em Alvalade falou em orgulho pela temporada da equipa.  Como foi capitanear este grupo ?

Nelson Lenho: Senti durante toda a época um orgulho imenso por pertencer a esta equipa. Um grupo de excelentes jogadores mas acima de tudo de grandes profissionais, humildes e de fácil trato. Foi fácil capitanear e gerir toda a temporada.

A excelente fase inicial da equipa projectou vários nomes da equipa, incluindo o treinador Jorge Simão. Acompanhaste de perto o percurso de quem saiu?

Nelson Lenho: Sim, continuei acompanhar todos eles, pois no fundo sempre foram uns dos nossos. Havia laços entre todos e a amizade continuou, mesmo partindo para outros projectos.

O Battaglia foi preponderante no Chaves, acreditas que pode ser uma das figuras do campeonato na próxima época?

Nelson Lenho: Sobre o Battaglia não tenho qualquer dúvida, se ficar em Portugal será certamente umas das figuras do campeonato. Pois quem é sério e profissional como ele, só merece ter sucesso. Assim como o Paulinho e o Assis merecem a melhor sorte.

Fazes parte do onze do ano da Liga NOS para o BomFutebol, é mais uma prova da excelente temporada que fizeste? O que achas do 11?

Nelson Lenho: Antes de mais agradecer esse reconhecimento de vossa parte. É um orgulho ver o meu nome no meio de todos estes craques. Poderiam ser outros a estar aqui mencionados mas se estão estes e porque fizeram algo a mais do que os restantes.

O Chaves é um clube que representa uma região, com uma massa adepta imponente e dedicada. Num pais futebolístico onde os “ 3 grandes” ditam as leis, sentes que fazes parte de um clube diferente?

Nelson Lenho: Sim, o Chaves tem uma massa adepta única. São pessoas que vivem o clube e tem uma paixão muito forte. São realmente diferentes .

Visitar escolas, falar com crianças e jovens faz parte do “trabalho” ou é uma bênção que a profissão dá ? Qual foi a pergunta mais caricata que te fizeram numa dessas situações?

Nelson Lenho: Acho que todos os clubes devem aceder a estas iniciativas. Não me parece que faça parte do trabalho mas sim, aproveitar o nosso trabalho para falarmos um pouco da nossa vida profissional e acima de tudo não deixar de reforçar o quanto é importante as crianças estudarem para conseguirem ter bases na sua vida profissional no futuro. Não me lembro de nenhuma assim caricata. Todos têm alguma vergonha no início para falarem connosco.

Desta época ficam as imagens dos adeptos do Chaves quase sempre em grande numero em todos os Estádios. Num futebol altamente profissionalizado, há espaço para pensar nos quilómetros que aquelas pessoas fazem só para vos ver jogar?

Nelson Lenho: Sim, há uns dias dei uma entrevista e referi isso também. Principalmente quando vamos jogar a muitos quilómetros de Chaves, lembramos muitas vezes isso. Por isso também fazíamos questão, quer o jogo corresse bem ou menos bem, de os aplaudir no final. Era uma forma de lhes agradecer tamanha dedicação e amor ao clube e a equipa.

Nunca desisti de conseguir alcançar o futebol profissional . O meu trajecto não foi fácil, mas a minha persistência venceu.

O Nelson, jogador profissional, como vê o que aconteceu esta temporada, com os treinadores a durarem muito pouco em quase todos os clubes?

Nelson Lenho: Sinceramente, acho que é algo que em Portugal se tem que melhorar muito. Temos os treinadores portugueses por todo mundo a fazerem grandes trabalhos, sinal que têm qualidade. Em Portugal os nossos dirigentes não tem paciência. Não dão tempo para que eles façam o seu trabalho. Infelizmente querem logo os resultados no imediato. Na minha opinião a cultura directiva no futebol tem que ser pensada de outra forma.

Fizeste o percurso nas camadas jovens no Vianense e no Vitória de Guimarães. Como olhas para o futebol de formação actual comparando-o com aquele que viveste?

Nelson Lenho: Hoje em dia a formação trabalha já de uma forma muito evoluída . Acho que sinceramente está bastante mais profissional e os jovens têm um acompanhamento diferente . Acho que tem mais “ferramentas ” para se explorarem .

Achas que nos grandes clubes se preparam os jogadores para a possibilidade de não chegarem de imediato ao futebol profissional?

Nelson Lenho: Neste momento , penso que sim. Os Clubes grandes tem dados suficientes sobre todos os atletas e existem sempre alguns que demoram mais a desenvolver as suas capacidades. Tendo que passar primeiro por um processo diferente. Os clubes, no meu ponto de vista estão a trabalhar bem nesse aspecto.

Ainda mantens contacto com colegas dos tempos de futebol de formação?

Nelson Lenho: Sim , mantenho contacto com alguns deles.

O que achas que foi mais importante para que conseguisses chegar ao futebol profissional?

Nelson Lenho: Acreditar sempre que era possível . Nunca desisti de conseguir alcançar o futebol profissional . O meu trajecto não foi fácil, mas a minha persistência venceu .

O que diria o capitão Nelson Lenho ao “miúdo” Nelson que entrou no balneário do Sandinenses em 2003?

Nelson Lenho: (“risos”) Que o mundo do futebol não é fácil para ninguém. E que se existe alguma qualidade, então que seja humilde, trabalhe sempre nos limites, ouça os mais velhos . Porque o resto irá acontecer naturalmente. Mas jamais alguém te dará alguma coisa, tens que conquistar.

Fizeste um percurso por divisões secundárias. Que futebol existe nesses patamares que o comum adepto desconhece?

Nelson Lenho: Actualmente nas divisões secundárias, os clubes, treinadores já estão bastante evoluídos e tentam dar o máximo de condições aos seus atletas. Embora por vezes não seja fácil, treinar à noite, com pouca luz, com bolas pesadas,depois de um dia de trabalho porque existem muitos jogadores que tem além do futebol outros trabalhos. Aparecem jogadores com muita capacidade para serem bons valores no futebol profissional, o que faz depois a diferença é mentalidade de cada um e um pouco de sorte também .

Chegaste à Primeira Liga a primeira vez em 2009 no Leixões. Que memórias guardas desse momento?

Nelson Lenho: As memórias, acima de tudo, foi a minha estreia, num Setúbal – Leixões. Tenho pena que nesse enorme clube a época não me tenha corrido bem em termos individuais e colectivos.

Foste campeão da II Liga com o Belenenses em 2013. Um grande temporada com o treinador Van der Gaag. Como foi a tua aventura em Lisboa?

Nelson Lenho: Foi um ano maravilhoso, tínhamos um excelente grupo de trabalho, éramos no fundo uma família. Adorei a minha passagem por lá. Foi um orgulho ter jogado com a Cruz de Cristo ao peito .

Não teres ficado em Belém na temporada a seguir é uma mágoa da tua carreira?

Nelson Lenho: Sim, foi dos momentos mais tristes para mim. Nunca escondi isso de ninguém, passei uma fase que me apetecia desistir, pois naquela altura acho que não era justo. Mas nada acontece por acaso e o que passei naquele momento, ajudou me a vencer no futuro.

Cruzaste-te com dois goleadores portugueses que não brilharam na Primeira Liga, o Bock e o Tozé Marreco. Como eram como colegas e o que achas que faltou para fazerem golos na Primeira Liga?

Nelson Lenho: O Bock é meu amigo há muitos anos, o melhor finalizador com quem joguei. Sinceramente, às vezes falamos sobre isso, não encontro uma justificação para não ter jogado. Era um craque. O Tozé Marreco, joguei pouco tempo com ele, mas os seus números em termos de golos falam por si. O Tozé não jogou, mas fez uma carreira muito boa fora de Portugal. Foi uma satisfação enorme ter jogado com estes dois amigos. Sem duvida nasceram com o dom de fazer golos. Um grande Abraço para os dois.

Video-Árbitro – Sinceramente espero que seja algo para ajudar e que funcione bem.

O que é para ti BomFutebol?

Nelson Lenho: Bom futebol, é conseguir ganhar e mostrar boas jogadas colectivas com princípio meio e fim. Alguns lances individuais que o público gosta.

Qual a equipa onde jogaste que jogou mais BomFutebol?

Nelson Lenho: O Belém no nosso “passeio” pela Segunda Liga.

Qual a equipa actual que jogou mais BomFutebol na Liga NOS?

Nelson Lenho: Penso que o Benfica foi a equipa que melhor praticou futebol ao longo do campeonato.

Partilhaste nas redes sociais uma fotografia de uma camisola que o árbitro Artur Soares Dias te deu no final de um jogo. És um capitão fácil de lidar para os árbitros?

Nelson Lenho: Eu por norma sou muito tranquilo. Tenho uma relação de respeito por eles. Existem alguns árbitros que já conheço há alguns anos e sei a forma de liderarem os jogos. Por vezes reconheço que me excedo num jogo ou outro mas tudo esta relacionado com as incidências do próprio. Mas acho que tenho uma relação boa com todos eles.

A próxima época traz o video-árbitro, que expectativas tens para esta nova realidade?

Nelson Lenho: Sinceramente espero que seja algo para ajudar e que funcione bem.

A demasiada clubite que muitas vezes existe em Portugal, dá pouco espaço para jogadores e treinadores fora da órbita dos 3 grandes, terem maior destaque na comunicação social?

Nelson Lenho: Sim, na verdade os 3 grandes são sem duvida quem tem maior destaque, mas compreendo perfeitamente pois a comunicação social preocupa o máximo de público, a ler a comentar, a comprar, etc.. sendo assim só tem que valorizar e falar daqueles que vendem mais. Mas os mais “pequeninos” começam aparecer agora em maior número . Pode ser que no futuro isto se equilibre um pouco .

Começaste por ser um extremo, atacar bem continua a ser a tua melhor arma como defesa esquerdo?

Nelson Lenho: O facto de ter começado mais a frente ajudou para conseguir agora na posição de lateral, atacar com alguma frequência, tentando decidir bem.

Qual o adversário que tiveste pela frente a quem mais complicaste a vida?

Nelson Lenho: Não me lembro. Normalmente são eles que me complicam a mim.

És um capitão de gestos ou de palavras?

Nelson Lenho: Penso que sou um capitão que acima de tudo tem o respeito pela forma como encara as coisas, com acções. Não sou muito de falar para todo grupo.

O final abrupto da carreira do teu irmão Tiago foi algo que te fez pensar no quão frágil é esta profissão?

Nelson Lenho: Não, foi algo que me fez pensar que existe muita gente que quer muito uma coisa e não consegue porque o corpo não pode. Fez me pensar que nem todos os seres tem a mesma sorte.
Agora depois de um momento muito duro na vida do meu Irmão, as portas abriram-se de novo, e ele tem uma vida para além do futebol, que esta a seguir e felizmente com sucesso. Pois é um vencedor por natureza.

Existe potencial para um Mister Nelson Lenho no futuro?

Nelson Lenho: Não me parece .Não sei o dia de amanhã, mas neste momento as minhas ideias são outras.

Que conselho te deram que tens sempre presente?

Nelson Lenho: “quem trabalha sério todos os dias, Deus ajuda.””E a verdade é como o azeite, vem sempre a tona.”Estas frases são as que me acompanham sempre. A primeira porque na verdade acredito muito no trabalho, na dedicação, no profissionalismo . A segunda, porque acredito que podemos não ter os resultados no imediato, mas se não desistirmos, mais tarde ou mais cedo, estaremos no lugar onde merecemos.

Com 33 anos, e uma vasta experiência no futebol profissional, como observas a diferença nos métodos dos treinadores actuais para o inicio da tua carreira?

Nelson Lenho: Os clubes agora oferecem melhores condições de trabalho ao treinadores. Hoje um treinador tem acesso a muita informação sobre treinos, jogos, etc… Há uns anos atrás não existia tanta organização e tanta preocupação com adversários, agora todos tentam ir ao pormenor. A evolução das tecnologias por exemplo no futebol e tanta que ninguém pode parar.

Nelson Lenho

Nelson Lenho – Exclusivo BomFutebol

Numa Palavra:

Chaves: Únicos

Vítor Oliveira: Sabedoria

Açores: Paz

Freamunde: Paixão

Jamor: Sonho

Belém: Mágico

O teu Bom Futebol

Um Estádio: Luz

Um golo: Freamunde-Boavista 2008/2009

Um colega de equipa: Todos

Um treinador: Todos

Uma vitória eterna: F.C. Porto ( Taça de Portugal )

Uma derrota eterna: Guimarães ( Taça de Portugal 2ªmao) ganhámos mas foi como se tivessemos perdido

Uma assistência: A primeira na Primeira Liga num Setúbal-Penafiel . Ganhámos 1-0 com um golo do Guedes

Um adepto (a): Todos os do Chaves( fantásticos)

Um ídolo: Pedro Barbosa

Um adversário: Gélson Martins

Carreira
2016/2017- Chaves
2015/2016 – Chaves
2014/2015 – Penafiel
2013/2014 – Chaves
2012/2013 – Belenenses
2011/2012 – Santa Clara
2010/2011 – Santa Clara
2009/2010 – Leixões
2008/2009 – Freamunde
2007/2008 – Freamunde
2006/2007 – Freamunde
2005/2006 – Os Sandinenses
2004/2005 – Os Sandinenses
2003/2004 – Os Sandinenses

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