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Norton de Matos e a Índia no Mundial Sub-17 – ProScout

Norton de Matos e a Índia no Mundial Sub-17 – ProScout

Mundial Sub-17: Iremos de seguida apresentar a forma como Norton de Matos e sua equipa técnica procuraram abordar esta competição, na qual a Índia foi o país organizador e onde pela primeira vez uma selecção indiana marcou presença numa fase final desta categoria.

Antes de avançar com a análise, importa referir o contexto e a dificílima tarefa que Norton de Matos teve pela frente. Primeiro que tudo importa referir que esta selecção foi apurada automaticamente pelo facto de ser o país organizador, como tal não disputou a fase de apuramento para a competição. Por outro lado, a competição nos escalões de formação na Índia é praticamente inexistente, ou seja, jogadores que não estão habituados a competir e em que as academias para formação de jogadores também é muito reduzida. Assim, ter de seleccionar jogadores e trabalhar uma equipa para enfrentar as melhores selecções do mundo na categoria, num período de 7 meses é no mínimo um enorme desafio.

Terminada a fase de grupos, onde estava incluída juntamente com EUA, Colômbia e Gana, esta equipa não conseguiu nenhuma vitória mas dificultou muito a vida aos seus oponentes. Importa também realçar que determinadas situações nos vários jogos poderiam ter ditado claramente melhores resultados. Ainda assim, foi possível verificar o nível de organização que esta equipa técnica conseguiu desenvolver na equipa (como iremos demonstrar de seguida) e que outras selecções não apresentam. Foi também visível alguma falta de qualidade individual e que em caso contrário poderiam alcançar melhores resultados.

Devido a todas as limitações referidas anteriormente, o plano estratégico passou por organizar uma equipa com base numa boa organização defensiva em bloco médio-baixo e posteriormente explorar os ataques rápidos e contra-ataques. O sistema táctico utilizado foi o 1-4-4-1-1, com um método de jogo defensivo estruturado numa defesa à zona e com um método de jogo ofensivo baseado no ataque rápido. Confira a análise no seguinte vídeo:

Organização Ofensiva

Predominantemente com uma saída longa e a explorar o ataque rápido, uma vez que existiam algumas limitações para que esta pudesse ser mais elaborada. Contudo, foi possível verificar algumas tentativas numa construção mais elaborada, com um dos médios a baixar e a permitir a saída a 3 e o outro médio a surgir em apoio.

Procura saída a 3 devido à oposição de 2; Médio centro a procurar receber em apoio entre linha atacante e média, mas a ser acompanhado.


Possibilidade de jogar curto e com espaço mas opta pelo passe longo.

Má execução, inferioridade numérica, possibilidade de temporizar e jogar em apoio; variar o construtor de jogo e procurar corredor livre.


Falta de capacidade para perceber que não existiam condições favoráveis para criar situação de finalização, uma vez que se encontravam em clara inferioridade numérica e com reduzido ângulo de ataque; o melhor seria manter a posse pelo apoio do lateral.

Transição Defensiva

Muito bom reposicionamento após a perda da bola, a garantir superioridade numérica na transição defensiva e a conseguir proteger as zonas mais perigosas.

Organização Defensiva

Aplicação dos principios de cobertura defensiva, equilibrio e concentração; superioridade numérica na zona da bola, proteção do espaço interior e controlo da profundidade; bom alinhamento dos defesas centrais.

Linha média com 4 e linha atacante com 2 jogadores procuram condicionar o jogo para o corredor lateral, conseguindo vantagem numérica.

Equipa com linhas próximas para dificultar a construção; possibilidade para o adversário colocar nas costas do lateral direito que está com os apoios paralelos e colocaria o colega em excelente posição para finalizar.

Concentração no construtor de jogo que irá resultar na conquista da bola e tentativa de transição ofensiva em direção à baliza adversária.

Transição Ofensiva

Possibilidade de variar o construtor de jogo e explorar o corredor livre, com mais espaço para explorar – má percepção e decisão.

Fechar o espaço central e preparar a recuperação da bola, para a transição ofensiva em direção à baliza adversária.

Média ala esquerdo, lançado pelo médio centro, vai dar largura e profundidade para explorar o corredor livre.

Recuperação da bola, procura do corredor livre e movimentação em direção à baliza adversária.

Video Análise

Terminamos com um pequeno vídeo com alguns dos melhores momentos frente à Colômbia, em que esteve muito perto de conseguir os primeiros pontos numa fase final e em que marcou  pela primeira vez 1 golo nesta competição.

Autoria: Luís Lalanda (ProScout).

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