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Novas Tecnologias – Uma solução ou mais um problema?

As novas tecnologias são uma solução ou problema?

O árbitro é o elemento mais criticado e visado pelos adeptos. Será que as novas tecnologias irão proteger o juiz do jogo ou as polémicas crescerão de tom?

Este texto não é mais do que uma análise de opinião daquilo que o Vídeo-Árbitro e as novas tecnologias podem trazer ao jogo. Numa fase em que a implementação deste sistema parece avançar diariamente, o garante de que as polémicas em torno do desporto-rei diminuirão de tom parece longe de assegurado.

Nas últimas semanas têm sido várias as polémicas em torno da arbitragem. Em Portugal, com lances polémicos em catadupa, equipas a contestarem decisões e resultados, clubes e treinadores a justificarem insucessos com base no juízo da equipa de arbitragem. Mas também lá fora esses casos se sucedem, basta ver o que se passou este fim-de-semana em Sevilha, no Bétis-Barcelona, ou noutros jogos em que os catalães reclamam decisões nos seus jogos e nos do Real Madrid que segundo eles adultera a realidade do campeonato espanhol.

Mas com tanta polémica, serão as novas tecnologias e em particular o vídeo-árbitro a resposta para o problema? Na minha opinião NÃO!

São muitos os exemplos que fazem qualquer adepto ficar de pé atrás. No Mundial de Clubes foi utilizado o vídeo-árbitro pela primeira vez numa grande competição. E o resultado foi mais polémica. Com decisões que tardaram e uma até que fez correr muita tinta que deu origem a um penalty que decidiu o jogo entre Kashima Antlers e América do México.

Claramente o modelo de utilização do vídeo-árbitro ainda não é claro e parece prejudicar claramente o espectáculo com constantes interrupções e dúvidas.

Outro exemplo polémico é o derby entre Benfica-Sporting desta temporada, onde os leões ainda hoje reclamam dois penalties e justificam o descalabro desportivo da época pela derrota na Luz. Contudo, vários ex-árbitros recusam dar razões aos de Alvalade e o próprio Conselho de Arbitragem nega qualquer razão aos verde-brancos. Ora se um lance, visto e revisto por dezenas de especialistas não gera consenso com o clube que reclama, é crível que as polémicas diminuam com a introdução de novas tecnologias?

 

Na NFL a revisão por vídeo é uma prática habitual mas com regras muito específicas.

O Futebol Americano é pioneiro na utilização da revisão de lances através de vídeo. Fonte: SportsGrid

O exemplo de outros desportos

Talvez olhar para outros desportos possa ser a solução para o futebol encontrar a melhor forma de introduzir as novas tecnologias. À cabeça, o exemplo do Ténis, com o Olho de Falcão que permite ver se a bola está dentro ou fora. No caso do Futebol, a tecnologia de linha de baliza urge ser uma realidade em todo o mundo. Basta ver o que aconteceu no Bétis-Barcelona deste domingo, onde os blaugrana foram objetivamente prejudicados num lance em que a bola ultrapassou de forma óbvia a linha de golo. Com a tecnologia de linha de baliza o golo teria sido validado e poupava-se muita tinta que esta semana corre na imprensa espanhola.

Mas se é consensual o benefício da tecnologia da linha de golo, o mesmo não acontece com o vídeo-árbitro, como acima referimos. A este nível, o exemplo a seguir é o da NFL, ou seja, do Futebol Americano. Há vários anos que a revisão através de vídeo de alguns lances é uma realidade. Mas tal só acontece em casos muito específicos. Ora é a própria equipa de arbitragem que solicita a revisão de um lance por ter dúvidas sobre o mesmo, ora é o treinador de uma das equipas que lança uma bandeira vermelha a solicitar a revisão do mesmo. Porém, apenas algumas jogadas podem ser reclamadas e o treinador apenas dispõe de duas oportunidades para o fazer. Caso lhe seja dada razão, mantém o timeout (têm direito a três por parte), caso não seja, perde o mesmo.

A verdade é que mesmo assim há polémicas e decisões que não geram consenso. E no caso do Futebol Americano, a decisão é do árbitro que revê o lance (que é o juiz da partida e não um árbitro numa cabine na bancada) em conjunto com a área de arbitragem da NFL que analisa em simultâneo os lances a partir do escritório em Nova Iorque.

Uma coisa é certa, semanalmente vemos vários lances serão analisados até ao tutano nas televisões e jornais portugueses (como acontecerá noutros países). E as opiniões raramente são unânimes. Chegam ao cúmulo de ex-árbitros, com a mesma formação e larga experiência, terem opiniões diametralmente opostas. Por isso, desenganem-se os que acham que as novas tecnologias serão sinónimo de paz na arbitragem. As polémica irão continuar! Resta saber se o tom dos protestos não subirá ainda mais…

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