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O Ajax está de Regresso – Renascer da Fénix ou Criar para vender?

A política do Ajax volta a passar por investir nos jovens e na formação, basta ver a equipa que avançou até aos quartos de final da Liga Europa, cheio de talentos em plena eclosão.

Na década de 70, a Europa e o Mundo estavam espantados com as exibições de puro talento do poderoso AFC Ajax, da Holanda, o maior fornecedor de jogadores para a seleção da Holanda vice-campeã do mundo em 1974 e 1978,  tendo sido soberano durante anos, onde chegaram às conquistas internacionais com o tricampeonato da Liga dos Campeões (1971, 1972, 1973). Johan Cruyff, Rep, Suurbier, Hulshoff, Krol, Haan, Swart e Keizer, criados em Amsterdão, conquistaram e encantaram a Europa com um futebol total e vencedor.

Depois de uns anos gloriosos, o Ajax viveu anos duros após 1973, onde viu grande parte do seu elenco partir para outros voos. Conquistou apenas seis títulos nacionais, até que uma nova geração de jogadores formados nas camadas jovens motivou mais um período de conquistas e afirmação do talento feito em casa.

O título que deu início ao renascer do sucesso do Ajax foi a Taça das Taças de 1986/1987. Competição  que era jogada pelos campeões das taças nacionais de cada país. A Taça das Taças era tratada como uma competição de segundo plano, mas para Ajax significou muito, pois tornou-se no renascer das cinzas.

A equipa era treinada por nada mais nada menos que Johan Cruyff, para resgatar a tradição do futebol total e formado em casa. Cruyff tinha em mãos uma equipa com média de idade de 22 anos, porém alguns jogadores experientes foram importantíssimos para o balanço da equipe. As principais estrelas jovens do clube eram Marco Van Basten (23 anos), Aron Winter (20 anos), Frank Rijkaard (25 anos), John Bosman (22 anos), Danny Blind (26 anos), Rob Witschge (21 anos), Dennis Bergkamp (18 anos), John Van’t Schip (24 anos), Jan Wouters (27 anos), para além do guarda-redes Menzo (24 anos).

Essa mesma equipa foi a base da Holanda que venceu o Europeu de 1988.

Em 1992, o Ajax vivia novamente um jejum de títulos e a vitória na Taça UEFA amenizou a perda de força dentro do país.

Foi então que, em 1995, uma nova geração de ouro da casa com talentos formidáveis, tais como van der Sar, Frank de Boer, Clarence Seedorf, Edgar Davids e Patrick Kluivert, comandados pelo famoso técnico Louis van Gaal, fez renascer a mística do Ajax e voltou a levantar o troféu de clubes mais cobiçado da Europa: a Liga dos Campeões e terminou a época imbativel no campeonato interno.

Em 1995/1996, o Ajax  chegou novamente a uma final de Liga dos Campões, perdendo nos penaltis a final diante da Juventus. Em 1996/1997, a equipa voltou a estar na ribalta, chegando às semifinais e perdendo novamente para a Juventus.

Nos anos seguintes vemos a equipa desmanchar-se devido à Lei de Bosman e à abertura do mercado europeu, conjugado com a perda de poder económico do clube, vendo as suas principais estrelas partirem para os ditos colossos europeus.

Século XXI: o gigante adormecido produz para vender

A primeira década dos anos 2000 foi talvez a pior da história do Ajax e da Laranja Mecânica, que não conseguiu a classificação para o Mundial de 2002. A nível interno o clube conquistou apenas dois campeonatos e três taças. As participações em competições europeias foram fracas, sendo que a melhor prestação na Liga dos Campeões foi em 2006, caindo nos oitavos de final diante da Internazionale.

Após um jejum de seis épocas sem vencer o Campeonato Holandês, o Ajax venceu a competição nacional em 2010/2011, e seguiu para um tetracampeonato inédito para o clube, novamente comandada por um treinador que tinha vivido o clube como jogador, Frank de Boer e voltou a criar uma equipa jovem, revelando Siem de Jong, Van der Wiel, Vertonghen, Emanuelson, Daley Blind e Alderweireld.

Parece impossível resgatar as glórias continentais para Amsterdão. Atualmente, o poderio financeiro vivido no mundo do futebol passa longe da Holanda e os clubes vêem-se obrigados a vender as grandes revelações e isso reflete diretamente nas campanhas europeias dos clubes.

Actualmente o plantel do Ajax é recheado de jogadores jovens. E os resultados voltam a ser animadores, apesar de estarem a 6 pontos do líder Feyenoord, o clube encontra-se nos quartos de final da Liga Europa onde vai defrontar o Schalke. Trata-se de um grupo de jogadores muito jovens, com média de idade inferior a 23 anos. Depois de ter perdido as jovens promessas que surgiram em 2010, a equipa vem se reconstruindo. Os titulares do clube são na sua maioria formados no clube, e a politica de contratações do clube passa por jovens promessas.

Agora com Peter Bosz no comando técnico é possível acreditar que os jovens jogadores do Ajax irão-se tornar importantes no cenário internacional.  A dúvida que persiste é se  clube conseguirá reter esses talentos e proporcionar continuidade para colocar o Ajax de volta no caminho aos bons resultados internacionais.

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