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O Caso Saltillo – Como não repetir 1966

Vinte anos depois da histórica (e até à data única) presença no Campeonato do Mundo de 1966, Portugal garantiu a presença no México 86. Apesar de ter ficado em 3º lugar no Europeu de França 84, Portugal teve que se esforçar e, invariavelmente, sofrer para se apurar, fazendo o que já ninguém fazia desde 1945 – ganhar à Alemanha no seu próprio estádio. O selecionador José Torres pediu para sonhar e Carlos Manuel concretizou-o. Parecia estar dado o mote para repetir 66.

Ainda antes da viagem para o México, a polémica estalou quando José Torres  deixou de fora Jordão e Manuel Fernandes, do Sporting, sendo o herói do Euro 84 e o melhor marcador da liga portuguesa, respetivamente. Apesar dos protestos do saudoso João Rocha, assim seguiu a equipa. Ou seguiria, se Veloso não fosse acusado de doping ainda antes da viagem (cuja contra-prova revelou ser negativo) obrigando Bandeirinha, ainda na Académica, a correr para o Aeroporto e juntar-se à comitiva.

A equipa partiu de Lisboa para Frankfurt, depois para Dallas, seguidamente Cidade do México e finalmente Monterrey terminando com uma viagem de autocarro até Saltillo, uma pequena cidade perto da fronteira dos EUA. Segundo se consta, as condições do hotel e de treino deixavam muito a desejar, inclusive treinando-se num campo inclinado e sem sequer conseguirem equipas para jogos de preparação. Quando se conseguiu arranjar uma, foi contra os trabalhadores do sector hoteleiro de Saltillo. Para além deste fato, a direção da FPF não acompanhou a equipa e ficou-se pela Cidade do México, contribuindo para o descontentamento volátil da equipa.

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O verniz estala quando os jogadores, a uma semana do inicio da competição, ameaçam com greve, exigindo aumento dos prémios diários e do jogo, para além de uma maior fatia dos patrocínios. A FPF não cede e delega as responsabilidade para os seus funcionários em Saltillo. A equipa começa a treinar com equipamentos do avesso, para tapar a publicidade e a 8.000 kms Portugal assiste por televisão às várias conferências de imprensa. Para agravar o caso, saem noticias que as mulheres de Saltillo não resistiam aos encantos dos jogadores portugueses, criando apreensão nas famílias dos jogadores.

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O caso chega ao Parlamento, onde os partidos de direita chegam a exigir o retorno da equipa a Portugal e Mário Soares, então presidente da República, pede calma e bom-senso aos jogadores portugueses. Da parte da FPF, não existem negociações. A situação chegou ao ponto em que Bobby Robson, selecionador inglês, que assistia do outro lado da rua pois Inglaterra também se encontrava em Saltillo, disse nunca ter visto nada igual.

Chega ao dia de estreia a Portugal surpreende ao vencer a Inglaterra por 1-0, com uma exibição convincente. No entanto, Bento lesiona-se durante um treino e apesar de ter Damas como suplente, Portugal já não tem a sua voz de comando. Uma posterior derrota por 1-0 contra a Polónia não compromete o apuramento a Portugal, habituado a fazer contas. Contra Marrocos, só era necessário um empate, mas Portugal perde por 3-1 e é copiosamente eliminado.

Como consequência, 7 jogadores portugueses foram considerados como responsáveis e banidos da seleção, a que outros 15 se lhes juntaram por solidariedade. Portugal passou por uma reestruturação da equipa nacional e ficou arredado das grandes competições por 10 anos.

Autor: João Pedro Português

 

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