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Onze para observar, ainda, melhor na Liga NOS

Onze para observar, ainda, melhor na Liga NOS

Onze para observar, ainda, melhor na Liga NOS

A edição da France Football da passada semana trouxe em capa um onze de futebolistas subavaliados na Ligue 1, nomes totalmente fora do espectro dos principais clubes gauleses. A partir desse ponto, no Bom Futebol resolvemos também trazer alguns nomes que têm dado que falar na Liga NOS 17/18.

A capa da France Football do passado 7 de Novembro. Fonte: France Football

Liga NOS

São horas a fio a discutir vazio. Se nos jornais desportivos, raramente, ainda se conseguem ler algumas entrevistas ou peças que vão além do óbvio, nas televisões portuguesas há muito que se deixou de abordar o principal campeonato português. Duvidam? Façam um exercício de memória e tentem recordar-se da última ocasião em que num canal aberto viram os resumos e discussão de todos os encontros de uma jornada da Liga NOS. É verdade que no detentor dos direitos de transmissão o seu canal + faz uma espécie de abordagem, contudo não com o pleno de encontros e mesmo aí com mera passagem dos três minutos, se tanto, de resumo e nem uma real análise.

Ouvem-se imensas razões, tudo em torno do não vende, do não interessa, mas a verdade é que o interesse pessoal – como em qualquer área – resulta em muito do marketing realizado, do mediatismo que se cria. Algo que se observa em toda a Europa, com maior ou menor impacto nos media, pela natural divisão com outros temas desportivos, sublinhando-se que na maioria dos países europeus há uma verdadeira – ou mais próxima da realidade – noção da importância das modalidades, dos feitos dos nativos dessas nações e uma ‘democracia’. Nem na pátria-mãe dos triunviratos, o antigo império romano, se vê uma tão distorcida abordagem mediático ao universo futebolístico, por parte de praticamente todos os envolvidos, onde se incluem os próprios clubes e seus responsáveis. Não basta queixar, há que trabalhar pela diferença, utilizar as múltiplas ferramentas que hoje em dia existem para chegar directamente ao(s) público(s).

Onze para observar

A escolha é sempre subjectiva. Não faltam alternativas, mas procurou-se aqui mesclar épocas de qualidade com novas chegadas e surpresas. Além dos onze nomeados como futebolistas em bom rendimento e que pedem observação aturada, deixaremos igualmente ‘alternates’ que brilham na Liga NOS fora do universo ‘mediático’.

Caio Secco

O Feirense de Nuno Manta Santos foi brilhante em 16/17. Depois de várias tentativas frustradas de manutenção, os ‘fogaceiros’ conseguiram finalmente segurar o lugar na Liga NOS após uma promoção. Nos lugares relevantes, entre outros, esteve Vaná, que acaba por rumar ao Dragão e deixa as redes de Santa Maria da Feira novamente em apuros.

À Feira chega Caio Secco, 26 anos, com formação no Coritiba, de passaporte também italiano, com um trajecto anterior de pouca relevância, perdido nos escalões terciários de Itália. Caio estava no quarto escalão transalpino e não se antevia que chegasse a demonstrar a qualidade que se lhe tem visto neste período no Feirense. Secco está avaliado pelo portal transfermarkt em 600 mil euros, valor actualizado neste mês de Novembro dos 50 mil euros!!! Não espantará se rumar a outras paragens, desta feita de primeira linha, no final da temporada.

Na baliza não faltam referências. Nomes como Mário Felgueiras, campeão europeu de sub17 em 2003, mais de 40 encontros repartidos pelas várias selecções nacionais jovens, duas vezes eleito melhor guardião da liga romena, primeiro no FC Brasov, depois no CFR Cluj-Napoca, agora a assumir as redes dos ‘Castores’ de Paços de Ferreira; ou Trigueira, que chega ao Boavista para os juniores, ainda a tempo de somar nove desafios nos sub20 e sub21, a necessitar de descer até ao terceiro escalão para, finalmente, ganhar tempo de jogo a sério, no Cinfães, voltando a escalar até, agora, ao Vitória FC de Setúbal, onde na segunda temporada volta a ter primeira opção.

Bebeto

Tal como Caio Secco, Bebeto está a ser uma verdadeira surpresa olhando ao seu histórico. O Marítimo tem sido uma das melhores defesas da Liga NOS e o lateral direito está a contribuir para esse bom desempenho. Natural de Sergipe, o futebolista de 27 anos tem uma carreira no Brasil repartida entre terceiro e quarto escalões, mas sem ser primeira escolha, o que indiciaria pouca mais-valia nos insulares, algo que tem provado errado.

São pouquíssimos encontros para uma avaliação consistente e, comparando com o que o France Football fez, não entraria no lote, contudo aqui quisemos fugir dessa análise meramente espelhada e aludir às surpresas da Liga NOS. O Transfermarkt já o coloca a valer 1 milhão de euros.

Na lateral direita, bem mais a norte, outra boa surpresa. Francisco Afonso do Paços de Ferreira, 20 anos, que se iniciou no Estarreja local, passou pelos aveirenses do Taboeira, uma das referências em clubes apenas formativos, e que passa por FC Porto, chegando aí às selecções de sub15 e sub16, culminando o processo formativo nos ‘Castores’, onde Vasco Seabra o orientou e repescou para a equipa principal. Tem imensa margem de progressão.

Talocha

O engenheiro que, aos 27 anos, resolveu – finalmente – deixar o seu ‘day job’ para perseguir o sonho do profissionalismo no futebol. Se Fernando Santos durante anos acumulou funções entre a engenharia e o futebol, mas no contexto de banco, abdicando porventura de uma carreira mais ampla como futebolista para se dedicar aos estudos e à formação, o lateral esquerdo do Boavista optou pela formação, pela profissão, até que, já maduro e depois da recusa de outras abordagens, aceitou abandonar temporariamente aquela que era a sua real escolha ‘diurna’ para experimentar a carreira de futebolista – e bem.

Formado no Famalicão, onde se estreou como sénior, ajudou o clube no regresso desde os Distritais bracarenses até à IIB, passando depois pelo Vizela, onde contribuiu para a subida à LedmanLigaPro, e finalmente acedeu à chamada superior e está a provar todo o seu valor nos ‘Panteras Negras’. Sabe atacar, tem boas noções defensivas, é raçudo e tecnicamente dotado, um achado boavisteiro e da Liga NOS. Está avaliado pelo Transfermarkt em 800 mil euros.

É madeirense outra das revelações deste primeiro terço de Liga NOS. Fábio China tem sido escolhido por Daniel Ramos no Marítimo e com bom retorno.

Parecia que o jovem, de 25 anos, já não chegaria à primeira equipa. Afinal, nos ‘verde-rubros’ as equipas ‘B’ e ‘C’ têm recebido muitos jogadores de qualidade, mas a chegada de ‘continentais’ tem tapado por completo a progressão de locais até à primeira equipa. Pensar que, com 22 anos, Fábio China estava a jogar no Marítimo C indiciaria que a carreira do esquerdino não iria além dos clubes madeirenses dos escalões secundários. Mérito ao futebolista por não deixar de acreditar que poderia vingar no Marítimo e a Daniel Ramos pela aposta.

Nuno Tomás

Claramente uma das maiores revelações da Liga NOS 17/18. O central que Domingos Paciência tem utilizado de forma consistente trocou Odivelas pelo Restelo nos iniciados, fez estreia sénior em Ponte de Sôr, no Eléctrico local, passou ainda por cedências ao Sintrense e ajudou o Real Sport Clube a subir à LedmanLigaPro na temporada passada, agora regressando definitivamente ao Belenenses para vincar uma posição de ‘xerife’ e com golo ofensivamente. Pode saltar rapidamente para as selecções nacionais, até faria sentido ter feito parte já desta escolha face ao que vem demonstrando a cada partida. É outro futebolista muito valorizado pelo portal Transfermarkt em função dos seus desempenhos, saltando de 200 para 900 mil euros.

Flávio Ramos

Chegou na temporada passada ao Feirense e a equipa parece abanar defensivamente na sua ausência. Flávio Ramos é um central pernambucano imponente e que sabe liderar e orientar os companheiros. Apesar dos jovens 23 anos é já um dos valores a seguir na Liga NOS. Subiu a sua cotação para 600 mil euros no Transfermarkt.

Formado no Vila Meã, Miguel Vieira tem provado polivalência e qualidade nos ‘Castores’, um central com competência para fechar flanco quando necessário, mesmo para alinhar à frente da defesa. Tem 27 anos e foi ‘pescado’ pelo Aves no Sporting Espinho em 2013, somando a terceira temporada no Paços de Ferreira.

Outro nome a provar a qualidade que existe, em quantidade, na LedmanLigaPro e no Campeonato de Portugal é Pedro Pinto, que se iniciou nos traquinas do Pedroso, ainda como Associação Desportiva e não como agora se nomeia – Futebol Clube, o central rumou ao Leixões em iniciado e faz aí a transição para sénior. Depois de duas temporadas de titularidade absoluta nos ‘Bebés do Mar’ é recrutado pelos sadinos, onde confirma qualidade no eixo.

Hélder Tavares

Do Operário Lisboa até o Tondela e a selecção de Cabo Verde, Hélder Tavares tem-se mostrado com muita competência no miolo ‘auriverde’, onde tem boa companhia do luso-francês Claude Gonçalves.

A carreira do lisboeta foi feita a pulso, subiu o Tojal dos Distritais para a III Divisão, passou por Portosantense na III, por Pinhalnovense na IIB e por Beira-Mar no segundo escalão. Passa uma temporada nos ex-campeões romenos do Otelul Galati e volta a Portugal para acompanhar o Tondela nesta empreitada da Liga NOS. Vai convencendo todos os treinadores – e já foram vários – que têm passado pelo João Cardoso. Está avaliado em 600 mil euros.

Filho de peixe sabe nadar e a cedência de João Gamboa do Sporting Braga ao Marítimo está a ser muito bem aproveitada, ainda que o jovem médio em nada tenha a ver, em termos posicionais, com o que o seu pai fazia nos relvados. É mais um futebolista luso de elevadíssima margem de progressão.

João Costinha

A primeira vez que olhamos realmente para Costinha estava o futebolista a alinhar na segunda dinamarquesa e fomos acompanhando a sua carreira dentro do contexto da nossa própria e única análise aos segundos escalões europeus.

Não foi fácil, como o próprio já admitiu, e o retorno a Portugal fez-se pelos Trambelos, o ‘outro’ clube de Viseu, Lusitano Vildemoinhos, onde brilhou a alto nível no Campeonato de Portugal e captou, justamente, os olhares do Vitória FC Setúbal, saltando para os sadinos, onde demonstra a cada partida que não sente qualquer pressão ou diferença entre o que fazia no terceiro escalão e que exibe na Liga NOS.

A polivalência e qualidade que exibe permitem-lhe alinhar mais no meio, em transição ou criação, ou até mais sobre a linha, como interior ou até como ala, sendo de sublinhar que pode também jogar mais próximo dos avançados.

Este é somente mais um exemplo de como se faz pouco scouting interno em Portugal, passa-se os olhos pelos diversos clubes e apenas a crise financeira obrigou a uma ligeira mudança no recrutamento, com o sucesso que se observa. Dir-se-ia que já seria hora de prestar atenção real às dezenas de emblemas que semanalmente se exibem no Campeonato de Portugal! Segue avaliado em 1,25 milhões de euros.

Também no Vitória de Setúbal José Couceiro tem outro elemento oriundo do Campeonato de Portugal a brilhar, João Amaral, gaiense, formado entre Vilanovense e Candal, onde debutou como sénior, com cinco temporadas de terceiro escalão até ser convidado pelo Vitória sadino. Nota ainda para os ex-juniores André Pedrosa e André Sousa, este filho do antigo campeão do mundo de sub20 Hélio Sousa, a mostrarem também qualidade nas chamadas do experiente treinador dos setubalenses.

Pedrinho

Mais um craque produzido pelos ‘Capões’, de onde saiu um tal de… Pedro Barbosa, para os menos recordados, Pedrinho causou mais um episódio de mal-estar entre os vizinhos Freamunde e Paços de Ferreira quando rumou aos ‘Castores’, mas o seu toque de bola é mágico e as aspirações e possibilidades deverão ir bem além da ‘Capital do Móvel’, continue a evoluir como tem feito e a crescer futebolisticamente, particularmente nos aspectos sem bola, pois com o esférico no pé já sabe fazer muito. Está avaliado em 1,25 milhões de euros.

André Sousa do Belenenses e João Novais do Rio Ave são dois estranhos exemplos da Liga NOS. Cada vez que pisam os relvados denotam inteligência, qualidade de movimentação, com e sem bola, boas leituras, capacidade de finalização, são médios completos que, por uma ou outra razão, não conseguem ‘convencer’ os técnicos. Existem futebolistas de treino, que nos encontros a sério deixam a desejar, igualmente há os futebolistas de jogo, que são muito menos intensos nos treinos, perante os companheiros, porém crescem assoberbadamente nos desafios, o que parece ser as características destes dois elementos – e é vital que os técnicos observem também isso, não se limitando a ler treinos ou respostas a estes, como provou na temporada passada João Pedro no Vitória SC.

Xavier

Vimaranense e vitoriano, fez parte da ligação do Vitória SC Guimarães ao Tourizense, onde realizou a estreia sénior. António Xavier saltou daí para o Sporting Braga B, com muitas chamadas a partir do banco, o que repetiu no Feirense. No Marítimo também não conseguiu a consistência desejada e, depois de três temporadas na Madeira, regressa ao Continente para reforçar o Paços de Ferreira, onde tem tido exibições de nota.

Extremo, canhoto, Xavier tem 25 anos e ainda pode crescer muito como futebolista, particularmente nas movimentações interiores e no trabalho de finalização, onde pode ser mais letal. O tempo do extremo clássico já passou e é necessário que todos os avançados sejam mais polivalentes. Também necessita de aumentar a atenção defensiva, colaborar de forma mais aturada com o lateral e não perder essa noção, contudo é uma das boas marcas da Liga NOS. Está cotado em 600 mil euros.

Ruben Ribeiro, do Rio Ave, continua a demonstrar qualidades técnicos superlativas, mas esta é talvez a primeira temporada em que se lhe vê uma maior percepção colectiva, uma maior integração dentro das dinâmicas da equipa e não apenas exibições de lustro individual sem (con)sequência, mérito para si, que prova estar a amadurecer, e para Miguel Cardoso.

Murilo do Tondela é outro elemento em alta nota ofensiva nesta época.

Fabrício

Chegou pela primeira vez ao Algarve em 2011, esteve em 2012 na China, em 2016 no Japão, sempre passagens curtas pelo meio da longa estada em Portimão, onde continua a brilhar. Ajudou o clube a retornar à Liga NOS e tem sido uma das principais figuras de Vítor Oliveira neste regresso. Está avaliado em somente 800 mil euros e é uma das probabilidades de saída no mercado invernal, pois estará por certo a captar olhos de vários emblemas, especialmente com a Liga NOS a receber a cada ronda tantos olheiros.

É mais um exemplo de um futebolista sem grande espaço no Brasil, mesmo na Série B, a conseguir vingar, no seu caso, no Portimonense.

Paulinho

No Gil Vicente dava toda a mostra de um potencial alto, mas poucos antecipariam o seu tão grande impacto nesta chegada ao Sporting Braga.

Ainda ninguém resolveu fazer um estudo de caso sobre o que de especial existe no modesto Santa Maria, mas deveriam. O clube de Santa Maria Galegos, em Barcelos, tem oferecido avançados atrás de avançados a vingarem no futebol luso, nomes que vão desde Hugo Vieira, passando por Nelson Oliveira ou por Carlos Fonseca, agora é Paulinho a partir do Santa Maria e a brilhar em alto estilo na Liga NOS, onde já avaliado em 1,5 milhões de euros.

Ricardo Valente, no Marítimo, Bruno Xadas, no Sporting Braga, Paulinho e Nakajima no Portimonense, Etebo no Feirense, Raphinha e Hélder Ferreira no Vitória SC, Nelson Monte finalmente no Rio Ave, Arsénio no Moreirense, Allano no Estoril, Pedro Tiba no Chaves, a lista é ampla e daria mais equipas de alta bitola, pouco referidas pelos media tradicionais portugueses, tão agarrados que estão a um triunvirato, que pede naturalmente mais atenção, mas não a única atenção, directa ou indirecta.

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