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Quando os bancos decidem os jogos

Quando os bancos decidem os jogos

Quando os bancos decidem os jogos

Há quem diga que quando uma equipa está repleta de estrelas, nem é preciso treinador, mas sim deixar as estrelas brilhar. Não poderia estar mais em desacordo. Por muito talento que exista, a qualidade de um treinador é determinante para fazer de um conjunto de individualidades um coletivo forte ou, ao invés, nunca passar de um conjunto de estrelas a jogar cada um para seu lado.

Vem isto a propósito do clássico desta sexta-feira e do quão determinante foram os treinadores para aquilo que se passou no relvado do Dragão. A começar, elogio para Rui Vitória, que surpreendeu com a equipa a entrar pressionante, a não deixar o Porto sequer sair do seu meio-campo durante os primeiros cinco minutos, e a impedir que se aproximasse da baliza de Bruno Varela até meio do primeiro tempo. Poucos esperariam essa atitude e capacidade.

A mudança tática de Conceição que desequilibra os pratos da balança

Depois foi a vez de Sérgio Conceição mostrar como se pode mudar um jogo a partir do banco. Viu Marega em mais do que um lance em velocidade a criar dificuldades a Jardel e pôs o maliano mais perto de Aboubakar, abrindo Herrera na direita. Com isso conseguiu finalmente sair da pressão dos tetracampeões e aproximar o jogo da baliza encarnada, mesmo que pouco perigo tenha criado na primeira parte.

Depois, já na etapa complementar, tirou Sérgio Oliveira, sempre incapaz de contrariar a dupla criativa de médios do Benfica, e colocou Otávio. O brasileiro deu outras soluções ao jogo ofensivo e finalmente Varela foi chamado a intervir (e a grande nível). Marega voltou à direita e passou a seu belo prazer por Grimaldo, incapaz fisicamente de lhe fazer frente, e Herrera, jogando mais atrás, conseguiu levar a equipa para a frente, algo que Sérgio Oliveira jamais fez.

O fiel da balança grego e o desequilíbrio involuntário sérvio

Foi nesse período que o Porto mais perigo criou (exceto quando em superioridade numérica) e voltou a ser a vez de Rui Vitória mostrar a sua leitura do encontro e capacidade de o alterar a partir do banco. Tirou Pizzi e colocou Samaris (que viu cerca de cinco minutos de jogo pronto para entrar mas sem que o jogo parasse com o Porto a criar dois lances de muito perigo nesses minutos) e o jogo voltou a mudar. O grego voltou a dar superioridade à equipa do Benfica no meio-campo, estancou o caudal dos dragões e apenas faltou a capacidade para esticar o jogo e aproximá-lo do último reduto do Porto. E precisamente devido a essa incapacidade, Vitória voltou a mexer, já percebendo que estava controlado o poder ofensivo dos azuis e brancos, com a entrada de Zivkovic.

O sérvio nem dez minutos esteve em campo pois rapidamente foi expulso, mas a verdade é que nesses poucos minutos o Benfica voltou novamente a aparecer junto à área contrária, com dois lances que o extremo dos balcãs conduziu e levaram a bola a voltar a rondar a baliza de Sá. Curiosamente, após a expulsão, os encarnados dispõem da sua melhor ocasião na partida, com Krovinovic a falhar na cara de José Sá, seguido de outra jogada de bastante perigo em que o croata falhou a última decisão.

Um Maliano Muito Perdulário

Depois, foi o que se sabe, o Benfica tentou não perder, em desvantagem numérica, e o Porto tudo fez para ganhar, mas o maliano Marega esteve muito Mal(i) e o nulo acabou por ser um desfecho que penaliza a ineficácia azul e branca mas onde a anunciada supremacia dos dragões esteve muito longe de ser gritante em vários momentos do jogo, que até poderia ter caído para o lado dos tetracampeões com uma pontinha de felicidade.

Ninguém ganhou, pelo que foi um jogo de xadrez que terminou empatado, mas foi um paradigma perfeito da importância que um treinador tem num jogo, com ambos os técnicos a saíram do Dragão com nota muito elevada. O resto era responsabilidade dos artistas.

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