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OS ÍDOLOS E A FORMAÇÃO ESPORTIVA

OS ÍDOLOS E A FORMAÇÃO ESPORTIVA

Você se lembra do seu ídolo de infância no futebol?

Responda rápido: quem é o seu ídolo de infância no futebol?

Qual foi ou é aquele jogador que sempre que você assistia ele jogar você pensava em querer jogar como ele, tentar imitar tudo o que ele fazia em campo e sempre pensava que era ele em todo jogo de futebol que você participava?

O meu foi Romário.

Impossível alguém não conhecer o Romário, até porque ele foi um dos maiores atacantes do futebol mundial, sendo inclusive tetracampeão mundial com o Brasil em 1994, sendo eleito inclusive o ‘Melhor Jogador da Copa do Mundo’ e o ‘Melhor Jogador do Mundo’ naquele mesmo ano. Me lembro que foi por causa dele que comecei a torcer mesmo pelo Vasco, em 1988.

Não sei explicar o porquê, mas já gostava do Vasco antes. Achava o uniforme bonito, principalmente a cruz vermelha dentro da faixa preta, e sempre desenhava algum jogador do Vasco nos meus cadernos. Mas foi após um Vasco/RJ 2×1 Flamengo/RJ, onde Romário pegou uma bola recuada erroneamente por Leandro, deu um chapéu em Zé Carlos, goleiro rubro-negro, e completou para o gol vazio de cabeça, que eu virei vascaíno de vez. E passei a considerar o ‘baixinho’ como o melhor jogador do mundo.

Depois que ele saiu do Vasco eu acompanhei a carreira do Romário na TV Bandeirantes, com as transmissões do campeonato espanhol sempre aos domingos a tarde. Aquele time do Barcelona que ele jogava era um fenômeno!  Cresci sendo fã do Romário e o coloco como um dos maiores atacantes que eu pude ver jogar. Para mim inclusive, é o melhor e o mais letal dentro da grande área até hoje. Incomparável.

Uma única ressalva aqui é que por nunca ser atacante, sempre joguei na defesa e no Futsal cheguei a ser goleiro, eu nunca quis ser o Romário. Mas ele segue sendo até hoje o meu ídolo de infância no futebol e um dos meus ídolos no geral.

A RELAÇÃO CRIANÇA – ÍDOLO

 Quem nunca pensou ser o seu ídolo quando está jogando?

 Aqui no nosso projeto de Futsal na UFOP nós não temos uniforme de treino.

Este talvez seja um dos nossos maiores problemas, mas conseguimos resolver isso usando coletes de cores diferentes durante as atividades ou nos jogos. Assim deixamos que os alunos venham com a roupa que eles quiserem. No início pedíamos aos pais para evitar que os filhos ou filhas viessem com camisas de times de futebol, mas acabou não adiantando muita coisa. É quase impossível, em um projeto de Futsal que não tem uniforme de treino, os alunos não virem usando camisa de algum time de futebol.

E vocês já devem imaginar qual a camisa que é mais usada aqui, certo?

A maioria dos meninos, principalmente os de 5 a 8 anos, ou vem com a camisa 10 do Brasil ou a 10 do PSG: a camisa do Neymar, hoje o maior jogador brasileiro em atividade. A do Barcelona diminuiu bem, mas quando Neymar jogava lá os meninos tinham e vinham com a camisa número 11 do time catalão.

Só que não se limita somente ao uso da camisa. Os meninos também vêm com o meião puxado até no meio das coxas, só o par de luva nas mãos durante o frio, tênis colorido e as pulseiras de fita no braço. Um dos meninos inclusive já fez um corte moicano na mesma época que o Neymar estava usando um. Os meninos assumem que querem ser como o Neymar e as vezes até dizem que são ele.

Uma vez fizemos aqui na UFOP um jogo entre o time dos ‘Neymares’, sendo 2 com camisas do PSG e 2 com camisas do Brasil, contra o Cruzeiro, que era formado por 4 Arrascaetas, já que todos estavam com a camisa azul de nº 10. E antes de começar o jogo, eu presenciei os meninos conversando sobre qual Neymar era melhor, o do PSG ou o Brasil.

No final das contas o time formado pelos Neymares ganhou e um dos Neymares do PSG acabou sendo o artilheiro, encerrando a discussão para os pequenos sobre qual a melhor versão do atacante.

FORMAÇÃO x ÍDOLOS

 A idolatria por certos jogadores pode influenciar na formação de crianças e jovens?

E aí, essa questão da idolatria em demasiado por parte das crianças por um jogador poder acabar representando um problema sério para a formação esportiva das mesmas.

O Alex, um dos nossos alunos e que já relatei uma situação que está acontecendo com ele nos últimos textos, é um belo exemplo disso.

Ele é um dos que tem a camisa do Neymar. Uma do Brasil e uma do PSG. E sempre que ele vem com uma delas, ele alega que é o Neymar.

Assim como o Neymar, sempre que ele está com a bola, ele tenta driblar os adversários. E não tem drible para trás não. É sempre para frente, sempre tentando algo inesperado, como uma ‘caneta’, uma ‘carretilha’ ou um ‘drible da vaca’ por exemplo. Não é raro você ver o Alex brincando com a bola, tentando fazer alguma coisa nova enquanto estamos conversando com eles, nos 10 minutos iniciais deles ou enquanto os outros vão beber água.

Mas, se por um lado o Alex tem uma referência positiva do Neymar do futebol sempre atrevido, ‘moleque’, de dribles sempre para frente, ele também acabou pegando uma referência negativa do mesmo. É ele perder a bola, ou trombar com algum adversário, que ele cai no chão e fica pedindo falta. Mesmo que a gente fale com ele que a trombada foi lance do jogo ele segue deitado no chão, esfregando a canela ou deitado com a cara virada para o chão reclamando de dor.

Hoje mesmo no coletivo aconteceu algo parecido.

Ele trombou com um adversário e ficou caído no chão reclamando de falta. A bola foi para a defesa do time dele, foi rebatida e, ao chegar perto dele, rapidamente ele levantou, dominou ela e saiu correndo em direção ao gol. Nessa hora eu parei o lance e perguntei para ele se a dor tinha desaparecido e ele disse que sim, que tinha sido uma ‘dor leve’. E reclamou d’eu não ter deixado ele fazer o gol.

O VALOR E A IMPORTÂNCIA DOS EXEMPLOS.

 Devemos focar sempre no positivo e trabalhar o negativo, para que a criança aprenda, entenda que aquilo não é bom e não a reproduza.

Segundo Mário Sérgio Cortella, famoso escrito e filósofo brasileiro: 

“O bom exemplo ainda é a melhor maneira de se educar uma criança”.

Madre Teresa de Calcutá, famosa religiosa, reforça o valor do exemplo ao dizer:

“A palavra convence, mas o exemplo arrasta. Não se preocupe porque seus filhos não te escutam, mas te observam todo o dia”.

Criança vê, criança faz. É simples.

Não temos como fazer com que o Neymar mude o comportamento dele. É até um absurdo pedir ou pensar em algo desse tipo. E o texto nem é sobre isso também.

A questão que eu quero levantar aqui é que devemos sim estimular nossos alunos a querer jogar como seus ídolos. Esse sonho é saudável e faz parte do processo de formação esportiva deles.

Mas devemos trabalhar com eles a questão do exemplo e mostrar para eles o que é positivo e o que é negativo.

O exemplo é uma das ferramentas educativas mais poderosas que existem e a partir dele podemos contribuir de forma positiva para o crescimento e desenvolvimento das crianças.

Trabalhar com as crianças o comportamento, tanto dos ídolos delas, quanto os nossos, já que nunca podemos nos esquecer que somos educadores antes de sermos treinadores, pode impactar mais que qualquer discurso ou palavras.

Devemos reforçar exemplos positivos com nossos alunos e trabalhar os negativos, para que eles entendam que aquilo é ruim ou pode ser prejudicial para a vida deles. Se conseguirmos estender essa reflexão para a vida deles além da esportiva, a nossa contribuição será ainda maior. Família, Escola, Amigos, Esporte, estão todos conectados e é impossível desassociar eles. Um bom exemplo dado em um deles acaba impactando diretamente nos outros.

Pais, Professores, Irmãos, Amigos, Ídolos são observados pelas crianças a todo o momento e tudo o que eles fazem ou como se comportam, serão copiados pelas crianças em algum momento, independente se for certo ou errado. Por isso a importância em usar o exemplo na formação esportiva das mesmas, contribuindo com a educação delas.

 

 

 

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