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Por um processo de formação mais lúcido

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Por um processo de formação mais lúcido

“O Futebol tem que ser divertido. Se não é, não vale a pena jogar”.

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Começando o texto com essa frase do atacante sueco Zlatan Ibrahimovic para, novamente, abordar a importância do lúdico no Futebol e no Futsal.

Talvez a minha insistência em escrever sobre o tema se dê pelo fato de acreditar que o jogo é sim, divertido em sua essência e que nós, enquanto treinadores e formadores de pessoas e jogadores, devemos buscar isso em nosso trabalho diário.

Desde o primeiro texto que escrevi, tenho recebido vários feedbacks e conversado muito a respeito com outros profissionais, que concordam e discordam do que eu escrevo. Eu acho isso ótimo, pois a discussão e o debate mostram o incômodo dos profissionais com o tema levantado e a troca de idéias e pontos de vistas é sempre interessante.

Até porque todos nós sabemos que não há uma ‘receita de bolo’ ou fórmula mágica pronta para se aplicar no processo de formação ou mesmo no treinamento de equipes de competição.

Cabe a cada treinador usar as estratégias, idéias e conceitos que julgar pertinentes e trabalhar em cima daquilo com suas equipes.

As crianças são capazes de realizar tudo o que pedimos. Basta passar a informação de forma adequada para a idade delas e exercícios que elas possam entender, que elas conseguirão fazer. Mas, para mim, se elas não se divertirem enquanto fazem aquilo, a dificuldade de assimilação, execução, entendimento e participação será muito maior do que em uma situação onde elas tenham o prazer e se divirtam fazendo aquilo.

E isso vale não somente para as crianças, mas também para os jovens e principalmente os adultos. A frase de Ibrahimovic no início do texto, as frases de Ronaldinho, Paulinho e Cavani no texto anterior só demonstra e reforça o quanto o Futebol é uma grande diversão para quem joga.

Se o Futebol é uma grande brincadeira para todos, porque não podemos adotar o processo de formação como um todo, desde as idades iniciais, um caráter mais lúdico e divertido?

A regra dos “10 minutos” aqui na UFOP

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Eu coordeno um projeto de Futsal aqui no CEDUFOP desde 2014.

O projeto se chama ‘Escola de Futsal UFOP’ e a nossa é trabalhar a iniciação do Futsal com crianças e adolescentes ouro-pretanos dos 5 aos 17 anos. Optamos por trabalhar com uma metodologia mais lúdica, utilizando jogos e brincadeiras como ênfase de trabalho para as idades menores (5 aos 8 anos) e utilizamos como forma de aquecimento ou na parte inicial com as idades maiores (9 aos 17 anos).

No começo do projeto, chegávamos para dar treino junto com os alunos e iniciávamos as atividades. Treinos de 60 minutos, duas vezes na semana, divididos em três partes, sendo que a última era sempre o jogo.

Até que, depois de um tempo, eu e os outros professores (alunos bolsistas dos cursos de Educação Física aqui da UFOP) começamos a chegar e os alunos já estavam nos esperando na porta do Ginásio. Enquanto nós conversávamos, separávamos os materiais que seriam utilizados e víamos os últimos detalhes dos treinos, os meninos sempre pediam uma bola para brincar enquanto nos esperavam.

A partir disso, começamos a prestar mais atenção nisso e acabamos os deixando jogar um pouco antes de começar o treino. A partir disso, foi definida a regra dos ’10 minutos’ em nosso projeto: Os primeiros dez minutos do treino são deles. Eles definem o que vão jogar, escolhem os times, definem as regras e nós, os professores, não interferimos. Ficamos apenas observando o comportamento deles enquanto eles jogam.

Essa regra vale para todas as idades do projeto e é engraçado ver como eles se comportam com o tempo que tem. Os mais novos geralmente correm com a bola de um lado para o outro da quadra, fruto do comportamento egoísta da idade, de querer a bola para ele o máximo de tempo que puder. Dos 9 aos 13 anos, o mais escolhido sempre é o jogo em si, mas, também há as escolhas por brincadeiras como ‘1 toque’ ou ‘Artilheirinho’, por exemplo. Já os mais velhos, o preferido acaba sendo o ‘Futevôlei’ ou ‘Trave ou Travessão’.

Terminados os dez minutos, reunimos o grupo para uma conversa rápida e começamos o treino.

Dentro da nossa metodologia, essa estratégia representou um ganho significativo para o projeto, pois nossos alunos treinam de forma muito mais leve e concentrada depois. Eles demonstram isso dentro da quadra e por feedbacks, seja no início, nos intervalos ou no final dos treinos.

Em um projeto social, que visa à iniciação de crianças e jovens ao Futsal, que utiliza uma metodologia de trabalho mais lúdica, nós conseguimos transformar o jogo em uma grande brincadeira para nossos alunos.

Foco no jogador, treino divertido, jogadores se divertindo.

Como disse antes, não existe receita de bolo para trabalhar com formação, mas uma coisa é certa: se seu jogador está se divertindo com a bola nos pés, você está no caminho certo.

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