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Portugal à lupa: Club Sport Marítimo

Portugal à lupa: Club Sport Marítimo

No futebol português existem diversos clubes, com histórias apaixonantes e que poderão, no futuro, ajudar o nosso país a ter uma liga mais competitiva e empolgante. Nesta crónica tenciono deixar algumas anotações sobre esses mesmos clubes, para demonstrar que o nosso futebol não é só os 3 grandes.

Neste segundo capítulo, vou falar sobre o maior clube da ilha da Madeira, seja em termos históricos, estrutura, ou desempenho desportivo, o Marítimo destaca-se dos restantes. Apesar da falta de troféus, os insulares têm tudo para puderem amealhar, cada vez mais, bons resultados desportivos internos e, um dia, fazer furor pela Europa, basta continuarem com o bom trabalho e deter consigo uma pitada de sorte.

 

Nascimento:

O Club Sport Marítimo foi fundado no dia 20 de Setembro de 1910 (9º clube mais antigo de Portugal) e foi baseado no desejo de um novo regime, implantação da república, que só surgiu 15 dias depois, daí o clube madeirense ostentar as cores vermelho e verde.

Como a grande maioria dos clubes portugueses, o Marítimo foi fundado com a influência dos ingleses, mas, diretamente, os únicos criadores e impulsionadores do clube foram a classe marítima da ilha madeirense, ou seja, a principal força desportiva do clube foram as camadas mais baixas da população a contrapor com o carácter monárquico e elitista do Club Sports Madeira, o seu principal rival nos primeiros tempos.

 

Um início prometedor (1922-1931):

A partir da época 1922/23, o Campeonato de Portugal (antecessor da Taça de Portugal) aceitou que o campeão madeirense pudesse participar nesta mesma competição, e, como o Marítimo dominava o campeonato da Madeira, participou 13 das 16 edições.

Neste período, o Marítimo conseguiu vencer, por uma vez, e chegar quatro vezes à meia-final do Campeonato de Portugal, sendo o resultado mais histórico, a vitória na meia-final de 1925/26, onde a equipa da madeira derrota o Porto por 7-1.

 

Isolamento das ilhas

Aquando o início da 1ª Liga foi-lhes proibido a sua participação, devido à ditadura que se assistia em Portugal, sendo que apenas restava, às equipas das ilhas, a Taça de Portugal, que lhes foi, também, interdita a partir da época 1940/41, até à época 1947/48.

Até então, em termos de campeonato, apenas subsistia o Campeonato da Madeira, onde o Marítimo foi dono e senhor desta prova. Desde a época 1938/39, até à época 1972/73, ganhou 21 em 35 possíveis.

Na Taça de Portugal, desde a época 1939/40, até à 1972/1973, os insulares conseguiram atingir por duas vezes as meias-finais em 18 participações.

Nota, ainda, para uma digressão que o clube madeirense fez por África durante 70 dias, onde, em 13 jogos, obteve 12 vitórias e 1 derrota, elevando bem alto o nome da região e enchendo de orgulho os seus adeptos (“O Funchal parou completamente à chegada da caravana e a população acompanhou os jogadores em euforia e ao som do célebre hino” refere João Luís Lomelino ex-diretor do Marítimo).

 

O regresso às competições nacionais e à 1ª Liga (1973-1986):

Após árduas negociações, os clubes madeirenses conseguiram, através de inúmeros pedidos a diversos órgãos, a permissão de participar nos campeonatos nacionais, mas apenas o campeão da Madeira, da época 1972/73, poderia participar, e teria que disputar uma liguilha entre os últimos da 2ª Divisão e os primeiros da 3ª Divisão, para poder entrar na 2ª divisão nacional. O Marítimo, nessa época, garantiu isso mesmo, sendo o primeiro clube madeirense a participar nos campeonatos nacionais.

A partir dessa época, o clube insular cresceu a olhos vistos, e, apesar da constantes subidas e descidas entre a 1ª e a 2ª Divisão, desde a época 1973/74 até à época 1985/1986, finalmente conseguiu permanecer na primeira divisão na época 1985/1986 até aos dias de hoje, sendo um dos clubes com mais participações na Primeira Liga Portuguesa.

 

Marítimo europeu (1991–1995):

Com a estabilização, definitiva, do clube na 1ª Divisão, faltava algo para o clube poder aspirar novas ambições. Algo que o treinador Paulo Autuori, de apenas 35 anos, veio implementar, com um futebol vistoso e bastante ofensivo (na época 1992/93, o Marítimo bateu o recorde de golos marcados no campeonato, com 56 golos). Na primeira época do novo treinador (1991/92) estiveram perto da qualificação europeia, com um 7º lugar, mas nas duas épocas seguintes (1992/1993 e 1993/1994) conseguiram mesmo, e muito devido ao trio maravilha (Ademir, Edmilson e Jorge Andrade), que facilitou, e muito, as boas exibições dos insulares.

Mais uma vez, o Marítimo faz história e torna-se o primeiro clube madeirense a qualificar-se para as competições europeias, mas a experiência não foi muito positiva, pois o máximo que conseguiu atingir, na altura, foi a a 2ª ronda, em 1994/1995, sendo eliminado pela Juventus.

Presente e futuro:

Nos dias de hoje, vemos um Marítimo rotinado a boas prestações na Liga portuguesa, com três 5º lugares e dois 6º lugares, nos últimos 10 anos, e até algumas presenças pontuais na Europa (de recordar, a presença, na época 2012/2013, na Liga Europa, onde o clube madeirense conseguiu um 3º lugar na fase de grupos).

Apesar da ultima época e o início desta, até à 5ª jornada, terem sido desastrosas , Daniel Ramos, contratado a partir da 5ª jornada, conseguiu restabelecer a consistência que o clube insular precisava, e o merecido lugar europeu que os maritimistas tanto ansiavam. Só que, para a próxima época, muito trabalho tem de ser feito, para que o clube possa dar uma boa resposta no campeonato e na Europa, pois vários jogadores importantes já foram vendidos, mesmo antes de acabar a época (Dyego Sousa, Fransérgio e Raul Silva).

A seu favor, o Marítimo tem o seu presidente Carlos Pereira (foi, assim, nomeado desde a época 1997/1998), que fez crescer a equipa da Madeira como nenhum outro o conseguiu, o seu belíssimo estádio (desde que foi acabado, o clube insular nunca perdeu no seu recinto) e os seus adeptos, que fizeram a questão de encher o estádio como há muito não se via.

 

Festa maritimista, na noite passada, na chegada dos seus jogadores à ilha da Madeira

 

Portugal à Lupa (outros capítulos):

Vitória Futebol Clube

 

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