-- ------ PORTUGAL - Equilibrio ou falta dele? Uma análise da equipa de Fernando Santos. - Bom Futebol
Bom Futebol

PORTUGAL – Equilibrio ou falta dele? Uma análise da equipa de Fernando Santos.

PORTUGAL – Equilíbrio ou falta dele? Uma análise da equipa de Fernando Santos.

“Para ganhar é preciso ter equilíbrio. O talento é fundamental, mas não chega para ganhar. Não há nenhuma equipa no mundo que ganhe um Campeonato da Europa sem jogar bem. Agora, não se perde a identidade por pensar também no adversário. Podemos continuar a acreditar em ganhar”.

A frase foi proferida pelo nosso selecionador nacional, Fernando Santos, a propósito das exibições de Portugal durante o Euro 2016. Uma das palavras que salta à vista de todos os que acompanham a equipa das Quinas, é equilíbrio. Mas poderá uma equipa ser equilibrada e jogar um bom futebol? Acreditamos que esse tem de ser o nosso objectivo. E quais são os motivos pelos quais raramente isso acontece nos nossos jogos? Tentaremos neste artigo dar a nossa opinião.
Com certeza, não será pela falta de qualidade individual, já que nesse aspecto, conseguimos rivalizar com as melhores seleções do mundo. Então o que estará a faltar?

Na opinião do Professor Júlio Garganta, as interações entre os jogadores que defendem, para que a organização estrutural da equipa se mantenha e assim ser possível ocupar de forma inteligente os espaços mais relevantes em qualquer dos sentidos de ação do adversário, são muito importantes.

O Professor afirma que “por exemplo, o que permite a uma equipa estar equilibrada quando defende tem a ver, não só com a disposição dos jogadores no terreno, mas sobretudo com as possibilidades que existem de ligação entre esses jogadores no sentido de encurtarem distâncias entre si, de diminuírem as distâncias entre linhas (transversais e longitudinais) e, com isso, criarem e transferirem zonas de pressão junto da bola”.

Estamos totalmente de acordo com as palavras do Professor, quando este diz que são as ligações entre os jogadores que dão equilíbrio a uma determinada equipa. E na nossa opinião apenas a defesa zona (pressionante) é capaz de possibilitar que as ligações que se estabelecem entre os jogadores, sejam capazes de fazer com que a equipa Portuguesa, consiga encurtar distâncias entre si, diminuir as distancias entre linhas, para que a partir dessa disposição se consiga pressionar o adversário de forma mais eficaz.

Na nossa opinião, as equipas que defendem à zona, são as que estão mais próximas de jogar um jogo de qualidade, não só no que ao momento defensivo diz respeito, mas também estarão melhor preparadas para o momento seguinte e como consequência fazê-lo com mais qualidade. A zona é a disposição mais natural de todas as possíveis nos campos de futebol. Quem marca ao Homem, corre por onde o adversário quer. Os meios usados convertem o marcador em prisioneiro.

“Tu segues-me, no entanto vais para onde eu quero”.

As equipas que defendem à zona, repartem esse espaço de forma racional e o esforço, porque cada jogador realiza o seu trabalho dentro da zona que lhe é familiar e de maior conforto. E quando se dá a recuperação da posse de bola, os jogadores estão dispostos em campos sempre nos mesmos locais, que lhes são familiares e para os colegas de equipa.

A zona permite um sistema permanente de coberturas e um correto escalonamento das linhas. O grande objectivo é manter a equipa compacta e conseguir superioridade numérica nas zonas próximas da bola.

E é dentro desta organização defensiva que a equipa de Fernando Santos atua?

Pelas observações efectuadas, estamos longe de cumprir com os princípios de jogo anteriormente mencionados. Existem muitos momentos em que a equipa está pouco compacta, em que o espaço não é defendido de forma racional, em que não existe um permanente sistema de cobertura, o que origina situações de inferioridade numérica defensiva e em que a linha de 4 do meio campo não consegue estar corretamente escalonada.

Na análise que efetuamos durante o jogo contra a modesta Nova Zelândia, 122 do ranking FIFA, escrevemos o seguinte:

No último jogo da fase de grupos, defrontamos uma frágil e débil seleção da Nova Zelândia. No entanto e durante os primeiros 25 minutos de jogo, continuamos a cometer os mesmos deslizes, nomeadamente do ponto de vista defensivo, que acabam por ter influencia em todo o jogo da equipa. A linha de 4 não consegue deslizar sobre a lateralidade do campo, por forma a manter-se unida e não obrigar os extremos a afundar para ajudar. O duplo pivot defensivo, com dificuldades em manter-se compacto e equilibrado, no sentido de proteger a zona central do terreno de jogo.

Quando a equipa está a defender sobre a sua linha de grande área, existe um espaço enorme entre os dois avançados, que ficam junto à linha de meio campo e os restantes companheiros.

Foram feitas referencias à incapacidade da defesa em deslizar sobre a largura do terreno de jogo, originando que em muitas situações os extremos tenham que recuar em demasia, ficando na linha dos 4 defesas. Este posicionamento demasiado recuado dos extremos, origina que no momento seguinte estes estejam colocados em zonas do terreno que não lhes vão permitir ser decisivos.

Aliando a isso o grande desgaste que é provocado pelos trajetos enormes que tem que percorrer, faz com que quando é necessário, não estejam com a frescura necessária, para serem preponderantes no ataque. Se a um extremo são dadas demasiadas funções defensivas, torna-se, depois difícil cumprir com o seu papel de atacante de forma eficaz. Também o duplo pivot mantém uma série de problemas dos quais o mais flagrante é a incapacidade de manter a compactação da equipa e o seu equilíbrio posicional, devido muito ao facto de se deixar influenciar pelas referencias individuais.

Para nós é claro que uma melhoria na organização defensiva da equipa, iria originar um beneficio nos restantes momentos do jogo, e subsequentemente numa subida da qualidade de jogo de Portugal.

Muito poderão dizer que Portugal sofre poucos golos, logo nem tudo é mau. Claro que não, já que somos dotados de um conjunto de jogadores que do ponto de vista individual são do melhor da Europa e que com maior ou menos dificuldade, vão resolvendo os problemas que o colectivo não consegue resolver.

Mas o meu ênfase está na influencia que o organização defensiva tem para o momento de transição ofensivo e para a organização ofensiva.

Nesta primeira figura verificamos que William, atraído pela bola, liberta o espaço nas suas costas, não se verificando um dos princípios fundamentais da defesa que são as coberturas.

Estas duas fotos surgem na sequência da mesma jogada, em que Adrien, projecta- -se para pressionar a saída de bola do adversário, no entanto e como se pode verificar, as linhas defensivas estão muito pouco juntas, originando muito espaço livre, quer seja entrelinhas, quer seja no corredor oposto.

Na sequência da jogada em que não conseguimos impedir a saída curta, não existe a devida compensação pela subida de Adrien, ou seja, nem Bernardo, nem William, conseguem ajudar Cédric no momento defensivo, permitindo uma situação de igualdade numérica e muito espaço interior livre.

Ao procurar pressionar a saída de bola da equipa do Chile, Adrien era o jogador encarregue de pressionar o médio de ligação, subindo quase para a zona dos dois avançados.

No entanto este movimento de Adrien permite que o Chile tenha muito espaço e tempo de jogo, já que Portugal tem dificuldades em encurtar esses espaços entre as suas diferentes linhas, quer sejam eles na vertical ou na horizontal.

André Silva somou vários golos ao serviço do FC Porto, num curto espaço de tempo o que lhe valeu um lugar de destaque na equipa da Invicta e por consequência na equipa liderada por Fernando Santos. No entanto um dos aspectos que mais tem impressionado é a sua capacidade de entender o jogo e a forma como se movimenta dentro do campo.

Apesar do que acabamos de afirmar ainda não parece ser um daqueles avançados com uma apetência feroz pelo golo, já que em muitos momentos do jogo, prefere o movimento de aproximação, para tabelar ou ajudar um colega em dificuldades, do que com a movimentação para o golo.

Em posse de bola nota-se a preocupação com o momento da perda, já que os dois centrais mantém uma posição central e um dos laterais fecha o espaço interior, mantendo assim uma estrutura fixa de 3 jogadores, que permita reagir e proteger a baliza de uma forma mais eficaz, no entender de Fernando Santos. Os extremos fixam-se igualmente em espaços interiores, o que faz com que a equipa em posse esteja com os jogadores muito próximos uns dos outros.

Muito dificilmente Portugal será surpreendido em transição, no entanto, com tantas preocupações dos jogadores, no momento seguinte aquele que estão a jogar, os jogadores acabam por preencher o Córtex Pré-frontal com demasiadas informações e com isso prejudicar a criatividade da equipa em posse.

Um dos momentos em que devemos sem dúvida investir, nas transições ofensivas. No momento de organização defensiva, André Silva é o avançado que recua para “marcar” o espaço entre os médios e os dois avançados.

Posteriormente funciona como elemento de ligação entre o momento defensivo e o ofensivo, aproveitando a sua excelente capacidade para entender estes momentos do jogo e a sua boa movimentação em campo, beneficiando de forma inteligente dos espaços deixados livres pelo adversário. Com espaço e tempo, a capacidade de improvisar e a criatividade dos nossos jogadores podem criar muitas dificuldades a qualquer seleção mundial.

Podemos jogar melhor mantendo o nosso equilíbrio? Sem dúvida que sim! Para que isso seja uma realidade devemos melhorar a nossa organização do ponto de vista defensivo e libertar alguns dos nossos melhores jogadores das amarras a que estão sujeitos no momento em que a equipa está a defender.

Se mantivermos o cérebro dos nossos jogadores mais criativos, com demasiada informação estamos a cortar-lhes um aspecto fundamental do seu jogo, que é a imprevisibilidade. Para que isso aconteça, ai sim, será preciso um grande trabalho de equilíbrio entre todos os elementos da equipa nos diferentes momentos do jogo.

Deixe o seu comentário

bomfutebol
Powered by Live Score & Live Score App