-- ------ Redução do número de equipas B na Segunda Liga fará sentido?
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Proposta de redução do número de equipas B na Segunda Liga fará sentido?

Proposta de redução do número de equipas B na Segunda Liga fará sentido?

Recentemente fez eco pela comunicação social portuguesa que um clube participante Segunda Liga Portuguesa estaria a elaborar uma proposta para a redução do número de equipas B nesta divisão com o argumento que estas entraram para a Segunda Liga numa perspectiva alargada (24 equipas) e agora esta divisão apresenta apenas 18 equipas.

Para já este argumento parece-me algo tendencioso, para não dizer malicioso mesmo. Se houve diminuição das equipas na Segunda Liga e a maior parte das equipas B conseguiu a manutenção nesse escalão por mérito próprio, o facto de quererem descer equipas B por via administrativa parece-me desvirtuação da competição.

Mas já lá vamos a esse ponto.

Esta proposta fará algum sentido?

Em primeiro lugar, o que dá a entender com esta proposta é que os clubes mais uma vez estão a querer defender as próprias “quintinhas”. Com isto quero dizer que temos de pensar na questão de uma perspectiva mais macro, mais generalizada.

A verdade é que só houve ressurgimento das equipas B porque estas foram permitidas a competir na Segunda Liga. O objectivo era claramente permitir que os jogadores pudessem evoluir e ter os primeiros passos num futebol competitivo.

Isto veio fazer com que haja mais jogadores jovens a aparecer nas primeiras equipas pois estes já vão mais preparados para o futebol profissional primodivisionário. No entanto não foram somente os jogadores e as equipas formadoras que vieram beneficiar desta competitividade, as próprias selecções jovens beneficiaram com isso ao terem um leque mais alargado de escolhas a competir em campeonatos competitivos e a jogar regularmente, e com isso houve um acréscimo de qualidade nas selecções jovens e uma melhoria nos resultados internacionais.

A própria Segunda Liga veio beneficiar com a entrada das equipas B, ao permitir que jogadores de qualidade mas que em condições normais teriam dificuldade em entrar nas primeiras equipas da Segunda Liga, competissem nessa divisão, aumentando a sua qualidade de jogo e permitissem maior espectáculo.

Os próprios clubes da Segunda Liga beneficiam em receber estas mesmas equipas nos seus estádios, uma vez que, por muito triste que seja esta realidade, estas equipas muitas vezes atraem mais adeptos do que outras da Segunda Liga por associação à equipa principal.

A redução do número de equipas B na Segunda Liga e o futuro condicionamento de subida das equipas B delimitando um número máximo destas será porventura a maior desvirtuação do modelo competitivo português, no qual as equipas que beneficiam de maior regularidade se mantêm ou sobem de divisão. Este condicionamento estaria a querer dizer que a capacidade que as equipas têm de ser regulares seria falaciosa, pois estariam impedidas de subir à Segunda Liga e uma das actuais equipas B na Segunda Liga teria obrigatoriamente de descer mesmo conseguindo a manutenção em campo.

Mas não será desvirtuar a competição a existência de equipas B?

Consigo perceber o ponto de vista dos outros clubes no que diz respeito a estas equipas, nomeadamente nas partes finais dos campeonatos, recorrerem a jogadores das equipas profissionais.

No entanto isso pode ser combatido de outras formas. Por exemplo, pode-se impor uma regra na qual as equipas B apenas podem competir com jogadores sub23. Esta regra estaria de acordo com os princípios destas equipas, que supostamente servem para formar e introduzir jogadores jovens num contexto sénior, e seria mais justo para as outras equipas, uma vez que excluiria grande parte dos jogadores que já competem regularmente pelas equipas principais.

Outra das regras que se poderiam impor seria a de que nestas equipas B não poderiam competir jogadores com mais de 21 anos que tenham mais de 10 jogos pela equipa principal. Isto faria com que jogadores jovens que já estão inseridos nas equipas principais não viessem desvirtuar a competição.

Faria sentido as equipas B serem obrigadas a jogarem no mesmo estádio que as equipas principais?

No que diz respeito às equipas visitantes provavelmente seria mais motivador jogar no estádio principal. Mas sejamos realistas, as principais equipas beneficiam de campos de jogo normalmente em boas condições, e o facto de outra equipa competir nesse campo viria trazer mais degradação ao relvado principal e isso não seria benéfico nem para as equipas do principal escalão nem para a qualidade de jogo em nenhuma das principais divisões.

Já o facto de a inscrição das equipas poder variar relativamente ao seu património poderia ser uma proposta que realmente poderia fazer sentido. Desde que esse valor fosse devidamente distribuído pelos clubes em competição de forma justa.

Será benéfico para o futebol Português?

Realmente parece-me que esta proposta não tem em conta a evolução do panorama desportivo português nem o desenvolvimento de jogadores jovens, mesmo sendo aprovado com a obrigatoriedade de cada equipa ter 7 jogadores sub23 no plantel e a obrigatoriedade de apresentar 3 jogadores sub23 nas fichas de jogo.

A mim parece-me descabido que equipas que lutam por objectivos, seja a manutenção ou a subida à Segunda Liga sejam impedidas de concretizar esse objectivo, não em campo, mas por processos administrativos. Isso a meu ver será desvirtuar a competição e não tem em conta a evolução dos jovens jogadores nem o contexto desportivo português que vem beneficiando com o modelo actual tanto em vendas como em desempenho dos jovens jogadores e das selecções Portuguesas.

Alguém acredita que, por exemplo, o Sporting de Braga teria tanto sucesso nas vendas que está a realizar com jogadores da equipa B (Bruno Jordão, Pedro Neto, Xeka, etc…) se estes fossem obrigados a competir no CPP?

Será este o caminho certo para a Segunda Liga?

Na minha opinião não são as equipas B que estão a mais na Segunda Liga, mas sim as equipas que muitas das vezes incorrem em incumprimentos salariais, prometendo condições salariais a jogadores e elementos das equipas técnicas que são irrealistas para a sua capacidade financeira e acabam por não pagar atempadamente aos seus activos.

Assim a minha proposta seria de, ao dia 8 de cada mês, todas as equipas profissionais e semi-profissionais serem obrigadas a apresentar os comprovativos de pagamento a todos os activos do clube, desde jogadores, equipa técnica, equipa médica, técnicos de equipamentos e todos os demais funcionários, no dia 30 de cada mês serem obrigados a apresentar os comprovativos do banco em como têm dinheiro em conta para os pagamentos do mês seguinte e isto para todos os activos desde equipa principal a equipas de formação. As equipas que têm o estatuto de entidades formadoras da FPF serem obrigadas a apresentar em todos os escalões treinadores profissionais com os devidos vencimentos declarados. Caso incorressem em infracções destes pontos seriam excluídas dos campeonatos profissionais e semi-profissionais.

Isto sim seria uma proposta que eu aplaudiria de pé.

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