-- ------ PSG, a crónica de um fracasso europeu... novamente
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PSG, a crónica de um fracasso europeu… novamente

PSG, a crónica de um fracasso europeu… novamente

Chegamos ao início de março e já é quase certo que o PSG voltará a sagrar-se campeão francês, isto depois de uma época em branco. Com a situação no campeonato francês perfeitamente controlada (14 pontos separam PSG do Mónaco – 2.º classificado), era de esperar que o PSG almejasse algo mais…

 

1. PSG «campeão» dos sucessivos mercados de transferências

Com o elevado investimento em jogadores por parte do PSG, os títulos caseiros começaram a suceder-se de forma natural. O próximo passo seria agora passar a somar títulos internacionais. Blanc foi a primeira aposta e fracassou, Ancelloti idem.  A ideia da equipa parisiense passava por trazer um técnico com reconhecido sucesso europeu. Unai Emery foi o escolhido, que havia sido bicampeão europeu (da Liga Europa) pelo Sevilha.

A primeira temporada não correu de feição ao técnico espanhol, tanto a nível interno como a nível externo. Depois de uma primeira mão em que o PSG havia goleado o Barcelona por 4-0, a equipa de Paris iria deixar escapar esta vantagem “gorda” permitindo uma remontada histórica por parte dos blaugrana. A equipa já chegava mais perto das decisões mas faltava ainda um nome forte que pudesse, por um lado, catapultar a equipa para outra dimensão, e, que por outro, pudesse colmatar a falta de Ibrahimovic.  Neymar fora o nome escolhido e estava tudo a postos para ver o astro brasileiro a levar a sua equipa às costas. Nada mais errado…

Neymar como a camisola do PSG

Imagem 1- Neymar foi o expoente máximo da abordagem do PSG ao mercado de verão. Fonte: torcedores.com

 

2. Um problema chamado Emery? No lo creo…

Depois de muitas tentativas de se encontrar um bode expiatório para a eliminação do PSG esta semana, frente ao Real Madrid, podemos afirmar o seguinte: Unai Emery, apesar de não ser o melhor treinador do mundo não é o péssimo treinador que dele querem fazer. Não foi a falta de Neymar que eliminou a equipa parisiense, nem foi o elevado nível dos jogadores merengues que atirou a equipa de Paris para fora da competição milionária.

Imagem 2- Emery «perdido» num marasmo parisiense. Fonte: goal.com

Preferimos, desta forma, apontar para outras direções. A este Paris Saint-Germain faltam claramente estímulos competitivos diferentes.  A equipa de Unai Emery não está habituada a ter de pressionar e morder os calcanhares aos seus adversários, muito por culpa do desnível qualitativo em relação às restantes equipas francesas. Este PSG está habituado a dominar, a ter a bola no pé e a, depois, decidir os jogos usando, e bem, os seus desequilibradores: Mbappé, Cavani, Neymar, Di Maria, etc.

Não é possível, assim, que se possa melhorar e adotar novos comportamentos em cima do modelo tático de Unai Emery, Não é possível que, perante uma equipa com valia diferente, haja um comportamento que nunca havia sido adotado por falta dessa necessidade. A ideia que fica é que o Real Madrid acaba por ganhar o jogo muito por culpa da eficácia dos seus executantes, mas também pela agressividade colocada em campo, ao contrário do PSG. Só se mostrou confortável no jogo com bola no pé. Mostrou uma dificuldade tremenda em conseguir pressionar um Real que jogou como quis – seja em transição, seja em posse.

 

3. Soluções mágicas? Não as há

Não existem receitas mágicas para este PSG. Obviamente que a contratação de novos jogadores, nomeadamente para a defesa (que mostra lacunas), poderá  vir ser um primeiro passo mas não será esta a solução definitiva. O problema do PSG é não poder evoluir dentro de um espaço competitivo favorável. Chegar a março e ter mais de dez pontos de avanço sobre o segundo classificado demonstra o desnível existente no campeonato francês e que só foi esbatido na temporada por um super plantel do Mónaco, treinado por um super Leonardo Jardim.

A evolução do PSG  na Europa só terá efeito quando houver uma evolução na Liga Francesa. Quando as próprias equipas evoluírem e quando existir a intervenção de algum órgão que limite as contratações milionárias que este PSG vai fazendo. O problema do PSG é um problema do coletivo, nunca do individual. Enquanto não se perceber que o futebol não são nomes mas um onze, este PSG vai continuar a fracassar.

 

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