-- ------ Qualidade ou enquadramento? - Bom Futebol
Bom Futebol

Qualidade ou enquadramento?

Paulinho e Ruben Ribeiro

Qualidade ou enquadramento?

A primeira volta do campeonato, agora findo, fez emergir Paulinho e Rúben Ribeiro como duas das maiores figuras individuais para lá dos grandes. Prestações tais, que os fizeram ser cobiçados pelos competidores ao título final, o que se viria a traduzir em “transferências de inverno” para FC Porto e Sporting CP.

No entanto, o impacto que ambos tiveram nas respetivas equipas foi diminuto ou praticamente nulo – sobretudo no caso do Brasileiro. Perante isto, fica a questão: Erro de avaliação ou falta de capacidade para dar o passo em frente?

Os fatores que podem influenciar a prestação de um jogador são inúmeros e vão das “meras” questões sociais até à real capacidade do jogador.

Ignorando as variáveis invisíveis para quem está fora do grupo de trabalho (adaptação ao grupo, aos métodos de trabalho, à cidade, etc.) e focando a análise no que é visível do exterior, parece-me que em ambos os casos ocorreu um erro de observação por parte de quem avaliou/sugeriu/pediu a contratação de cada um deles, tendo em conta o contexto competitivo em que se iriam inserir.

Porquê?

Quer Paulinho, quer Rúben Ribeiro destacam-se por serem jogadores de elevada qualidade técnica e, sobretudo, de enorme capacidade para tomar boas decisões com bola, isto parece-me inegável. No entanto, em nenhum deles se destaca qualquer questão física e o que a ela está associado, como a contundência em duelos e capacidade de drible em grandes distâncias.

Ora, se atentarmos aos modelos de jogo dos treinadores dos dois clubes em causa, facilmente notaremos que este tipo de requisito é fundamental para, por um lado, ser opção e, uma vez aqui, conseguir ter impacto no jogo coletivo.

Face a isto, custa entender o que terá levado FC Porto e Sporting CP a optarem por estes dois nomes, pois era facilmente percetível que as características de cada um não iam ao encontro das ideias fundamentais das respetivas ideias de jogo.

O erro é tanto maior porque quer Porto, quer Sporting, contam nos seus quadros com jogadores do mesmo perfil (Oliver e Francisco Geraldes), com mais qualidade do que os que foram buscar fora e que também se revelaram pouco ou nada relevantes para cada um dos treinadores ao longo da época.

Sendo assim, considero que Paulinho e Rúben Ribeiro são mais vitimas que réus na questão da falta de impacto que tiveram em ambos os planteis.

Da falta de contexto à falta de qualidade

Se a ideia de jogo passasse por um futebol mais pausado, mais associativo e que visasse as boas decisões e não as decisões rápidas, ter Paulinho ou Rúben Ribeiro, faria todo o sentido, mas como não é assim, ter estes dois jogadores não faz/fez qualquer diferença positiva.

Dado o exemplo e transportando-o para a generalidade, o que importa salientar é que tão importante como detetar qualidade, é vital entender para que enquadramento se procura um jogador. Falei destes dois casos por serem recentes e facilmente acompanháveis por qualquer um, mas poderia falar de muitos outros, seja dos que chegaram aos grandes, seja dos que partiram para o exterior.

São muito frequentes as vezes em que o jogador falha por falta de contexto e não por falta de qualidade pura e dura.

Deixe o seu comentário

bomfutebol