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O Soccer está em risco, fruto da evolução da MLS?

NASL

O Soccer está em risco, fruto da evolução da MLS?

A NASL, como meio de divulgação do desporto rei nos EUA!

Já aqui falamos da Major League Soccer, o principal campeonato norte americano. Contudo, além deste existem outras ligas americanas, que também merecem alguma atenção. Uma delas é a NASL, criada em 2009 e que permitiu o regresso de um clube mítico como o New York Cosmos, onde na década de 70 jogaram, ainda que em final de carreira, Pelé, Franz Beckenbauer, Chinaglia ou Cruyff.

Esta liga, que seguia o modelo preconizado pela MLS, sem promoções nem despromoções, tinha como intenção o crescimento e desenvolvimento de novos clubes dentro do panorama desportivo americano. E, assim, derivado a esse situacionismo, ressurgiria o Cosmos, e logo com o mediatismo que o caracterizara no passado, ao contratar a lenda do Real Madrid, Raul, que posteriormente abriria as portas a outra estrela do futebol espanhol, o campeão europeu, Marcos Senna.

Contudo…

Porém, esta liga, este ano sofreria um choque profundo, do qual uma das equipas mais representativas do país seria das principais prejudicadas.

Na verdade, a NASL desapareceu! Era sabido que a mesma enfermava de problemas, sendo que na última temporada, apenas 8 equipas haviam findado a temporada, menos quatro do que os estatutos da federação postulavam.

A acrescer, no final da época, os San Francisco Deltas, campeões em título, anunciavam o seu fim, depois de terem competido apenas um ano e terem vencido o título ao baterem na final, os, já aqui aludidos, NY Cosmos. O clube de San Francisco, conjuntamente, com o North Carolina e os Indy Eleven tomaram, pois, a decisão de integrarem a United Soccer League (USL), que nesse momento poderia ser encarado como a terceira divisão mais competitiva do futebol do país, ainda que como se mencionou não existam subidas e descidas. Refira-se que a USL conta, actualmente, com 33 equipas e viu o seu estatuto reforçado graças a um acordo de colaboração, assinado em 2013, com a MLS, com o objectivo de receber as equipas de reservas dos principais clubes americanos.

A MLS, um eucalipto no desenvolvimento do futebol americano!

Já aqui, em outros artigos, se mencionou a evolução do futebol norte-americano, bem como o trabalho do comissário Don Gerber para que o mesmo floresça.

Porém, existe o outro lado da moeda…

A NASL, na verdade, denunciou a MLS, por adoptar políticas monopolistas para o seu desenvolvimento, sem olhar para os danos colaterais causados no restante organograma competitivo do país. Assim, fruto da sua política publicitária que permite a obtenção dos melhores contratos, à MLS não faltam propostas para a obtenção de franquias de milionários dispostos a investir montantes que podem chegar aos mil milhões de dólares e, com, a promessa de construção, com dinheiro do próprio bolso, de estádios…Aliás, o exemplo de Beckham em Miami é um paradigma dessa realidade!

Tal, leva à mudança nas restantes competições…

Como resultado, a NASL está em queda e a necessitar de uma reformulação que a volte a tornar apelativa, de modo a justificar que homens como Raul sintam interesse em lá actuar.

Fruto da decisão de a liga não ser disputada, os três principais clubes da mesma – Miami FC (onde pontificava como treinador, o italiano Nesta), os NY Cosmos e Jacksonville Armada – anunciaram que passariam a competir na National Premier League Soccer, um escalão abaixo da referida USL.

Contudo, diga-se que o actual cenário, onde não existem promoções, nem despromoções, fez com que nos últimos 5 anos tivessem desaparecido mais de 20 equipas.

Poderíamos recordar o projecto da equipa espanhola do Rayo Vallecano, que em Oklahoma, criou o Rayo OKC e que dois anos depois decidiu acabar com a aventura. Em 2017, os Fort Lauderdale Strikers optaram pela mesma solução, bem como antes os Atlanta Silverbacks e os San Antonio Scorpios tinham tomado a mesma opção!

Consequências do Fim do Campeonato

Com a suspensão da prova, os responsáveis pelo campeonato procuram soluções para atenuar a excessiva importância da MLS no quadro competitivo americano. No fundo, o grande drama passa por um binómio, nesta página tantas vezes referido, que é o crescimento/desenvolvimento.

Na verdade, a evolução da MLS não levou ao desenvolvimento do futebol americano. E tal deve-se aos compartimentos estanques que são as diversas competições, sem possibilidades de existir uma evolução competitiva.

Assim, as equipas com menor capacidade de sustentação, leia-se investimento, e longe do glamour da MLS encontram-se em perigo…e por aí pode ruir toda a estrutura do futebol americano, como sucedeu nos anos 70 do século passado!

A Economia do Golo

Autoria: Vasco André Rodrigues (A Economia do Golo)

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