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WSC 2017 – Tecnologia ao serviço da observação

Para fechar a manhã do World Scouting Congress um Painel moderado por Rui Oliveira. José Boto, Chief Scout no S.L. Benfica, Pedro Alves, Chief Scout no S.C. Braga e César Andrade da Hudl. Um painel de grande nível que procurou discutir a tecnologia no mundo Scouting.

A evolução tecnológica, e o maior número de ferramentas ao serviço do Scouting, já tinham sido abordados pelos anteriores oradores.  O terceiro painel do dia procurava incidir de forma mais especifica sobre o tema. Dois representantes de grandes clubes portugueses e alguém ligado à área tecnológica eram um excelente cartão de visita.

A conversa não desiludiu os presentes, que puderam perceber melhor a dinâmica de Scouting do Sport Lisboa e Benfica e do Sporting Clube de Braga.  Inseridos em estruturas altamente profissionalizadas, ambos realçaram a importância da observação ao vivo dos jogos. A tecnologia é um precioso auxiliar, mas a presença no Estádio é determinante. Pedro Alves referiu mesmo que actualmente nenhum jogador chega ao Braga sem ser observado ao vivo pelo próprio. Uma decisão que teve origem, naquele que considerou um dos grandes erros nas contratações bracarenses, o argentino Tomás Martínez. Um jogador que não foi observado ao vivo e que não teve uma passagem feliz pelo clube.

José Boto referiu que quando um jogador não rende o que era suposto, a culpa não é de ninguém. Existem diferentes contextos que tornam cada situação especial. Um jogador pode não render devido a uma série de factores. No seu caso pessoal, uma das grandes dificuldades que sente é conhecer o jogador “fora do campo”. O nome do S. L. Benfica faz disparar o preço de mercado dos atletas, e fazer demasiadas perguntas pode deitar tudo a perder num negócio.

Evolução do Scouting no Brasil

César Andrade falou sobre a realidade brasileira, onde a importância do Scouting e o uso das tecnologias no processo tem crescido de forma substancial. Durante muito tempo os treinadores centravam a sua atenção sobretudo sobre dados como o numero de remates, ataques etc. Uma analise qualitativa de movimentações  e outras questões tácticas eram colocadas para segundo plano. O trabalho do actual seleccionador brasileiro Tite no Corinthians foi muito importante no sentido de mudar a forma de trabalhar nos clubes brasileiros.  César Andrade considera que é fundamental existirem profissionais capazes de interpretar os dados que a tecnologia hoje consegue por ao dispor de todos os agentes no futebol.

Pedro Alves contou o caso de sucesso de Bruno Jordão, que saiu do Braga para a Lázio este  Verão.  Um jogador que viu jogar pela primeira vez num Loures-União de Leiria em Juniores. Na altura um negócio arriscado para o Braga, mas que rentabilizou com a venda por oito milhões de euros para o clube italiano. Pedro Alves referiu a grande evolução do clube onde trabalha, que actualmente trabalha ao nível dos melhores. Uma base de dados cada vez mais fiável, e uma rede de observadores em constante crescimento. O clube tem agora sempre jogadores referenciados para poder colmatar vendas que são inevitáveis.

José Boto abordou o seu trabalho dos últimos anos no S. L Benfica, o constante crescimento do clube também na sua área acção. Todas as decisões são tomadas pela presidente do clube, mas referiu a grande confiança que existe em toda a estrutura. Num mercado competitivo o nome do clube torna negócios mais complicados, mas existe grande capacidade em chegar mais cedo que os outros. Pedro Alves contou que numa viagem recente poderá ter descoberto uma nova pérola do futebol africano, mas não quis adiantar muito com receio que o S.L. Benfica pudesse fechar o negócio primeiro.

O papel dos treinadores

O pape das equipas técnicas é muito importante na forma como depois potencia os talentos referenciados. Pedro Alves enalteceu o trabalho do actual treinador Abel Ferreira, que confia nos jogadores, mesmo aqueles que provêem do contexto de Segunda Liga, como é o caso do goleador Paulinho. A confiança entre todos é crucial no processo.

Foi um painel de grande qualidade o que encerrou a parte da manhã do World Scouting Congress. Depois do painel 1 e do painel 2 , os oradores do derradeiro painel da manhã souberam estar à altura da grande qualidade do evento. Realidades distintas trazidas a debate, com o uso das tecnologias como pano de fundo.

tecnologia ao serviço da observação

Pedro Alves e José Boto

 

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