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Tiago – A carreira de um lutador – Entrevista Exclusiva

Tiago – A carreira de um lutador – Entrevista Exclusiva.

Tiago César Moreira Pereira, terminou a carreira com 40 anos no clube que o viu nascer para o futebol. Das ruas da Trofa para os maiores palcos do futebol português. O antigo jogador falou com o Bom Futebol, uma carreira e uma história de vida a não perder.

tiago (1)
TROFENSE    ( 2012/2013 )

As ruas da Trofa, e de tantas outras cidades do pais, eram bem diferentes no inicio dos anos 80. Qualquer parede podia ser uma baliza, qualquer objecto servia para construir um poste, pequenos “estádios” nasciam em qualquer canto. Vasos partidos, vizinhas a queixarem-se do grito dos golos, e mães que chamavam os filhos para voltar a casa já a noite tinha caído. Sem wi fi, sem comandos, sem chats, muitos joelhos esmurrados, muitas sapatilhas furadas, preço a pagar para se ganhar campeonatos entre ruas, e acima de tudo, muitas horas de diversão.

Naquelas ruas da Trofa, Tiago era mais um miúdo que encontrava na bola o melhor brinquedo do mundo. Uma máquina de horas infindáveis de diversão, uma construtora de sonhos, a mais verdadeira das amigas.

No inicio dos anos 80 não havia Escolas de Futebol com sintéticos de ultima geração, não havia um batalhão de treinadores para cada treino, a formação estava longe de ser um pequeno negócio. O pequeno Tiago começa nas camadas jovens do clube da sua terra, o Trofense. O resto veio tudo com muito suor, qualidade, um espírito combativo e acima de tudo a humildade de quem nunca esqueceu de onde veio.

No meu tempo apenas com vontade, querer e paixão é que seria possível ultrapassar todas as dificuldades que se iam pondo a caminho

Tendo em conta as condições e o panorama actual da formação do futebol em Portugal, achas que os jovens jogadores actuais têm noção do que era treinar nas ruas da Trofa ou em campos pelados? Do quão difícil era o caminho para chegar ao futebol profissional?

Tiago: Nos dias de hoje, os jovens jogadores não têm de facto noção o quanto era difícil treinar e jogar em pelado. Por muitas vezes tínhamos também que treinar nas ruas. As condições de hoje em dia não são sequer comparáveis às que tínhamos no meu tempo. No entanto, é sinal de que o futebol cresceu e foram-se gerando cada vez melhores condições para os atletas.No meu tempo apenas com vontade, querer e paixão é que seria possível ultrapassar todas as dificuldades que se iam pondo a caminho. Apesar disto, posso dizer que cresci muito com tudo isto o que é de valorizar também.

Foi certamente necessária muita força de vontade, trabalho e dedicação para chegar ao futebol profissional. Recordas o momento em que sabias que já não havia volta a dar, ias ser jogador de futebol?

Tiago: Sempre foi o meu sonho ser jogador de futebol. No entanto, no início da minha formação, nunca me passou pela cabeça chegar onde cheguei e muito menos ser profissional de futebol. Então, na altura que me apercebi que de facto não haveria volta a dar, tinha eu 17 anos, segundo ano de Júnior a jogar pelos seniores. Nesta altura, o Trofense estava na segunda B no qual comecei a ser cobiçado por outros clubes. Ainda com 17 anos assinei pelo Famalicão, primeira divisão. Sem duvida que comecei então a ter cada vez mais certezas daquilo que queria.

Como referiste chegaste à primeira equipa do Trofense ainda com idade de júnior. Com toda a experiência que adquiriste ao longo destes anos de carreira, como olhas para a tua integração num plantel sénior, comparando com as que foste presenciando ao longo das épocas, nomeadamente as mais recentemente?

Tiago: Na minha altura não foi fácil. Todos os planteis tinham bastante qualidade e por isso tínhamos consciência de que seria mais difícil integrar-nos num plantel sénior. No entanto, sabíamos ouvir os mais velhos tanto é que na nossa idade, naquela altura “entrávamos calados e saíamos mudos” com o devido respeito aos mais velhos. Hoje em dia a maioria dos miúdos pouco querem ouvir um colega de equipa com experiência. Não tem noção de que isso pode ser muito importante para eles.

Assinaste pelo Famalicão com 17 anos, tinhas outros interessados, optaste pelo Famalicão por sentias que era importante somar minutos, mais que qualquer outra coisa?

Tiago: Sim. Na altura tinha o Famalicão e o Vitória de Guimarães. Optei pelo Famalicão uma vez que o presidente do Vitória tinha-me dito que provavelmente iria ser emprestado a um clube satélite para com isto adquirir experiência derivado à minha juventude. Como também no Famalicão garantiram-me que iria ficar no plantel principal, optei por aqui.

Carreira
Estreia na Primeira Liga a 11 de Setembro de 1993 – F.C.Porto – 0 vs Famalicão – 0

Consegues “viajar no tempo” até aquele sábado 11 de Setembro de 1993, em que o jovem Tiago percorria o túnel das Antas para se estrear na I Liga?

Tiago: Sem dúvida que me lembro. Uma estreia na primeira liga, no estádio das Antas com um resultado positivo no qual a imprensa desportiva deu-me destaque pela exibição. Eu que nesta altura era um miúdo com 18 anos.

Naquela época de 1993/1994 o Famalicão sai goleado na Luz por esclarecedores 8-0. Uma noite inspirada do ataque encarnado e….do teu colega Celestino que fez dois auto golos. Recordas esse jogo?

Tiago: Sim, recordo-me perfeitamente. Curiosamente era o Celestino que me dava boleia até Famalicão visto que eu era um jovem e não tinha carta de condução. Nessa altura, na viagem, até brinquei com ele para descontrair o ambiente e disse “foram dois auto golos mas foram dois grandes golos”. Teve esse infelicidade, é verdade, mas ele não merecia pois para além de um grande ser humano era também um excelente profissional.

Marcar na baliza errada acontece aos melhores, também foi o teu caso alguma vez?

Tiago: Sinceramente não me recordo se fiz ou não algum auto golo.

Esse Famalicão de 1993/1994 comandado por Abel Braga, e que tinha na equipa técnica Mário Monteiro, que trabalha com Jorge Jesus há várias temporadas. Os métodos do Mário Monteiro na altura já faziam adivinhar o seu percurso de sucesso?

Tiago: Nunca diria que pensava que Mário Monteiro chegasse onde chegou. Na altura, um jovem que era, sem dúvida que tinha uns bons métodos de treinos e era também um excelente profissional. Um homem bastante sério,  que eu admirava bastante.

Carreira
Famalicão : 1993/1994 – 14 jogos


Famalicão : 1994/1995 – 30 jogos – 2 golos

De Famalicão, voas até à Madeira ( e a sua pista curta ) para ingressar no Marítimo do Raul Águas. Para quem cresceu nos anos 90, o Caldeirão dos Barreiros, o avançado canadiano Alex Bunbury, o som do publico Madeirense, eram muito característicos. Como foi a experiência no clube?

Tiago: Antes de mais foi um passo grande que dei na minha carreira. O Marítimo, nessa altura e ainda hoje, é um clube que luta por um lugar nas competições europeias. A minha ida para o Marítimo foi sem dúvida um clube onde eu gostei de jogar. Acima de tudo, apesar da minha idade e do clube grande que era, soube lidar com a pressão e era um jogador também muito acarinhado. Foram de facto dois anos fantásticos onde fui por isso chamado à Selecção Nacional SUB-21. Não deixando de parte a minha rescisão de contrato que ainda hoje se fala bastante, o receio de aterrar na Madeira uma vez que nesses tempos a pista era curta.

Na segunda temporada na Madeira cruzaste pela primeira com Manuel José. Como foi o primeiro impacto com, o já na altura, experiente treinador?

Tiago: Antes de mais foi um grande prazer. Vi-a nele um grande exemplo derivado ao seu passado e à sua experiência. Como treinador, admirava-o bastante pelo seu profissionalismo. Era um treinador exigente, frontal, rigoroso e com ambição.

Carreira
Marítimo : 1995/1996- 20 jogos


Marítimo : 1996/1997- 16 jogos  

A experiência no clube Madeirense termina de forma abrupta, Tiago rescinde unilateralmente alegando salários em atraso. o processo arrastou-se algum tempo.

Chegas ao Benfica depois da forma polémica como saíste do Marítimo

Já referiste noutras entrevistas que apanhaste uma fase do Benfica muito complicada, mas o momento em que entras ( final da temporada de 1996/1997) coincide com uma boa fase da equipa, que chega mesmo à final do Jamor e vence o derby com o Sporting para o campeonato.

Tiago: A minha chegada ao Benfica foi um momento importantíssimo. Representava na altura um dos melhores clubes, um clube grande. Estreei-me num jogo da Taça de Portugal com o Sandinenses, no Estádio da Luz com a vitória. Momentos a seguir, aliás, na semana a seguir, joguei a titular no derby com o Sporting no qual ganhamos por 1-0. Atendendo também ao jogo que era, sem dúvida que foi bastante marcante e inesquecível.

Nessa altura tinha no plantel nomes bastante sonantes. Valdo era um desses exemplos. Era um craque! Acima de tudo admirava-o pela sua humildade.

Os jornais no dia seguinte a esse derby, davam eco da grande exibição da dupla Amaral / Tiago, como era partilhar o maio campo com o Brasileiro?

Tiago: Sinceramente tínhamos características semelhantes. Tanto eu como o Amaral éramos competitivos e agressivos. Curiosamente, na altura, diziam-nos que éramos “jogadores à Benfica”. Para além de nos entendermos muito bem dentro de campo, isso passou também para o exterior. Foi um prazer.

Nesse jogo o Pedro Barbosa é expulso por te agredir num lance em que vocês os dois não lhe estavam a dar um milímetro.

Tiago: Para além de ser a minha estreia, um derby e um jogo bastante importante, esse momento foi  bastante caloroso.

Na Taça de Portugal uma grande meia-final e o F.C.Porto é eliminado na Luz

Ficaste surpreendido por não teres sido titular no Jamor?

Tiago: Não, não fiquei surpreendido. Tive uma lesão e por isso vinha de uma longa paragem no qual tinha sido recuperado para esse mesmo jogo

Uma final com um raro erro de um monstro das balizas, Michel Preud´Homme. Como foi partilhar o balneário com o belga? Era difícil fazer-lhe golos nos treinos?

Tiago: Era bastante difícil, tanto nos treinos como nos jogos. Não foi por acaso que foi considerado o melhor guarda redes do mundo. Um senhor a todos os níveis.

Aquele Verão de 1997 foi de muita ilusão para os Benfiquistas, mas a pré-época deu os primeiros sinais de alerta. Aquela ida ao Brasil mesmo em cima do inicio do campeonato e com tanta gente nova a chegar ao plantel, não foi lá grande ideia. Como é que vocês viveram tudo isso por dentro?

Tiago: Não foi fácil digerir tudo isso visto que o Benfica era/é um clube que está habituado às vitórias. A pré-época não correu da melhor maneira e por isso os sócios estavam descontentes.

O inicio da época foi desastroso e o Manuel José sai depois da uma derrota em Vila do Conde, que leva mesmo o clube para eleições. Tiveste certamente pena que o treinador português saísse naquele momento? Era difícil haver tranquilidade para trabalhar com tamanha instabilidade?

Tiago: Sim, tive pena, sem duvida. Para além de ser um treinador português era um grande profissional e eu admirava-o bastante. Sim. Tudo isso era fruto da instabilidade que a estrutura vivia, ano após ano, nessa altura. Reflectia-se por isso nos êxitos desportivos.

Mário Wilson orienta a equipa na fase de transição, que recordas do velho capitão?

Tiago: Foi um prazer ser treinado por esse grande senhor e por um dos símbolos do Benfica. Uma humildade extrema.

Entrou o furacão Vale e Azevedo e Souness assumiu a equipa, és suplente numa primeira fase com ele, mas regressas à equipa com a melhor fase da temporada. Uma segunda volta de nível, com uma goleada em Alvalade, e uma vitória clara contra o campeão Porto na Luz. As entradas de Poborsky e Deane foram fundamentais, o checo era mesmo um fora de série?

Tiago: Sim, sem dúvida. Foi muito importante no plantel pois veio acrescentar ainda mais qualidade.

Marcas o teu único golo pelo Benfica, num jogo contra o Braga com a Luz cheia. Recordo o teu festejo com aquela camisola preta ( muito bonita diga-se de passagem). Como foi esse momento?

Tiago: Um momento muito especial. Festejei a beijar o símbolo dessa tão bonita camisola preta. Foi de facto um momento inesquecível, tanto é que tenho esse momento gravado.

Aquele final de época muito forte deu ao treinador escocês carta branca para construir o seu Benfica para a temporada seguinte. Escusado será dizer que a tua dispensa foi um choque para todos. Conseguiste encontrar alguma lógica na forma como saíste do Benfica?

Tiago: Sou sincero, nessa altura foi uma “jogada de bastidores”. Interesses. Era eu titular indiscutível e bastante acarinhado pelos sócios. Depois também de o escocês dizer que “o Tiago era um jogador útil a qualquer equipa”.

O Manuel José  dizia que “tinhas tudo para vir a ser um grande jogador”, olhando para trás, achas que o teu percurso na Luz teria sido bem diferente com o treinador português?

Tiago: Sim, sem margem de dúvida.

Carreira
S.L.Benfica : 1996/1997 – 6 jogos


S.L. Benfica : 1997/1998 – 24 jogos – 1 golos

Vais para Madrid para jogar na II Liga Espanhola com o Rayo Vallecano. Uma opção que surpreendeu na altura o mundo do futebol português. Que realidade encontraste em Espanha?

Tiago: Apesar de ser um clube de segunda liga, era praticamente uma primeira liga cá em Portugal excepto os grandes. Era um campeonato bastante competitivo e com muita qualidade. Em termos financeiros foi também muito vantajoso.

No clube madrileno foste orientado por Juande Ramos, que anos mais tarde teve grande sucesso com o Sevilha, treinou o Real Madrid e o Tottenham por exemplo. Foi um treinador que te marcou de alguma maneira?

Tiago: Sim. Foi uma opção dele o facto de eu ir jogar para o Rayo Vallecano, ou seja, um voto de confiança em mim.

No Rayo tinhas na baliza um ilustre conhecido do futebol português. Julen Lopetegui, na altura um trintão já. Tiveste algum contacto com ele, quando ele esteve a treinar o F.C. Porto?

Tiago: Sinceramente não supus isso, mas via nele um líder como colega de equipa e como capitão também.

Carreira
1998/1999 – Rayo Vallecano – 22 jogos – 1 golo

Conquistas a subida de divisão, fazes um golo no jogo decisivo, mas acabas por ir para Tenerife, de novo na II Liga. O que falhou para não seguires em Madrid?

Tiago: Estava emprestado pelo Benfica e o impasse de regressar ou não a este clube, fez com que contratassem um outro português para o meu lugar, o Hélder. Então aí surgiu a ida para o Tenerife uma vez que já me conheciam do campeonato espanhol.

Na ilha espanhola encontras certamente um bom estilo de vida, e uma equipa com alguns craques, como o brasileiro Emerson, que tinha brilhado no Belenenses e no Porto. Além dos portugueses Costinha e Bruno Caires. Foram bons tempos em Tenerife?

Tiago: Apesar de não conseguirmos alcançar o nosso objectivo que era a tão desejada subida, foram sem dúvida bons tempos os que vivi em Tenerife. Outro grande clube.

Carreira
1999/2000 – Tenerife – 29 jogos

Ainda hoje as pessoas de Leiria têm uma grande admiração por mim e pelo meu passado também no qual, quando em vez, vou fazer uma visita à cidade e aos meus grandes amigos.

Em 2000 o Manuel José chega a Leiria e volta a querer trabalhar contigo. O que pesou mais para o regresso, voltar a estar mais perto da família, ou trabalhar com o algarvio outra vez?

Tiago: Tanto uma coisa como outra. O mister Manuel José demonstrou muito interesse para que eu voltasse a trabalhar com ele.

O treinador saiu, continuaste em Leiria e chegou José Mourinho. Como é que o plantel olhava para o jovem treinador na fase inicial? Mostrava a todos a mesma auto confiança que mostrava para fora?

Tiago: O José Mourinho na altura era um treinador jovem no entanto fez uma meia temporada bastante positiva tanto é que estávamos em segundo lugar. Não foi por acaso também que em Janeiro assumiu o comando técnico do F.C. Porto. Sim. Transmitia muita confiança ao grupo de trabalho.

Tinhas já alguma experiência nessa fase, como foi assimilar os métodos dele e da sua equipa técnica?

Tiago: Os métodos dele e da sua equipa técnica eram motivadores e cativantes. Foi fácil por isso assimilar os seus métodos.

O Leiria faz um percurso incrível. Que memórias guardas desse Super Leiria?

Tiago: O Leiria foi dos clubes que mais me marcou. Defendi aquelas cores durante cinco temporadas e meia, fui capitão, fiz várias amizades que ainda hoje preservo e a cidade em si cativou-me. Ainda hoje as pessoas de Leiria têm uma grande admiração por mim e pelo meu passado também no qual, quando em vez, vou fazer uma visita à cidade e aos meus grandes amigos.

Carreira
União de Leiria : 2000/2001 – 35 jogos – 2 golos


União de Leiria : 2001/2002 – 29 jogos


União de Leiria: 2002/2003 – 2 jogos

 

No inicio da época 2002/2003 tens certamente dos maiores reconhecimentos da carreira, quando Mourinho te chama para o acompanhares no Porto.

Voltavas a um grande do futebol português, mais experiente e num clube na altura mais estável. Com isso tudo conjugado, mais o factor Mourinho, sentias que os títulos estavam para chegar?

Tiago: Atendendo ao clube que o Porto era/é, sem duvida, que sentia isso mesmo. Não só pelo facto de ser acompanho pelo Mourinho mas também por saber a grandiosidade que este clube tinha/tem.

Uma equipa que fez uma época tremenda, com muita qualidade e uma mistura de jovens sedentos e veteranos com muito tempo de casa. Como eram Paulinho Santos, Jorge Costa, Capucho, entre outros?

Tiago: Jogadores importantes e fundamentais no balneário, a chamada “mística”. Pessoas fantásticas.

 “Uma equipa quis ganhar e não conseguiu. Uma equipa quis empatar, e ganhou. Vi um jogo entre duas grandes equipas. Foi um jogo duro, disputado palmo a palmo, mas o mais importante de tudo foi o que eu disse ao treinador do Panathinaikos no final: não faças a festa porque isto ainda não acabou”, frisou o técnico portista. 

No jogo da Grécia , entraste e viveste por dentro a reviravolta na eliminatória. Era o poder de Mourinho a surgir ?

Tiago: Tal como Mourinho disse “não faças a festa porque isto ainda não acabou” acabamos por ser nós quem venceu fora e a passar a eliminatória. É isso mesmo que José Mourinho transmite: confiança.

Uma final Europeia é o sonho de qualquer jogador. Apesar de não teres sido utilizado, acredito que a festa tenha sido imensa. O Celtic foi um rival duro, mas o Derlei tinha aquele dom de aparecer nos grandes momentos. Que relação tinhas com o brasileiro? E qual a melhor memória que guardas daquela final?

Tiago: A relação que tinha com o Derlei era sem dúvida a melhor. Mantivemos uma amizade já desde os tempos de Leiria. Toda a festa envolvente àquele jogo. A emoção do jogo de uma final da Taça UEFA, a festa no estádio de Sevilha e a chegada ao aeroporto do Porto com uma multidão enorme. Depois disso fomos então festejar para o antigo Estádio das Antas onde também se encontrava muita gente. Momentos inesquecíveis.

És titular no regresso ao Jamor, depois da final perdido com no Benfica com o Boavista, desta vez levantas a Taça. Ganhar no Jamor é um momento alto da tua carreira?

Tiago: Sim. Foi um troféu marcante

Derlei que curiosamente esta na origem da tua saida do F.C.Porto. Aquela lesão grave que sofreu em Alverca, fez com que Mourinho quisesse o Maciel do Leiria. E o presidente João Bartolomeu queria-te a ti em troca. Sair do F.C.Porto a meio de um trajecto incrível que o clube estava a fazer foi um rude golpe?

Tiago: Não uma vez que na segunda época não estava a ser muito utilizado. Para além disso eu queria era jogar. Não queria também criar entraves no negócio pois envolvia a ida do Maciel para o Porto, no entanto, eu iria em troca para o Leiria.

Carreira
F. C. Porto : 2002/2003 – 35 jogos – 2 golos


F.C. Porto : 2003/2004 – 4 jogos

Regressas a Leiria, onde no primeiro jogo empatas a 3-3 com o Benfica de Camacho.  Que Leiria encontraste no regresso? E tinhas na baliza mais um grande guarda-redes, neste caso o Helton.

Tiago: Encontrei um Leiria dentro daquilo que já estava habituado. Uma casa que eu já conhecia o que se tornava tudo mais fácil. O Helton, sem duvida, um grande guarda redes.

Carreira
União de Leiria : 2003/2004 – 18 jogos – 1 golos

Voltas à cidade do Porto, desta feita para o Boavista de Jaime Pacheco.

No Bessa encontras um clube especial, e um treinador com uma forma de estar especial?

Tiago: Sim. O Boavista foi mais um dos clubes carismáticos, um clube grande. Relativamente à minha forma de jogar identificava-me bastante com a imagem dele. Jogadores competitivos, agressivos e que deixassem tudo em campo.

Reencontras o João Vieira Pinto, era um jogador especial. Achas que teria tido maior reconhecimento de todos se tivesse jogado fora de Portugal? Era um fora de série dentro e fora dos relvados?

Tiago: Logicamente que o João Pinto se fizesse uma carreira fora de Portugal teria sem dúvida ainda mais reconhecimento. Se já em Portugal é considerado um craque é um verdadeiro ídolo, fora do campeonato português seria ainda mais valorizado. Foi um prazer tremendo trabalhar com ele em dois clubes, Benfica e Boavista. Além das qualidades mais que evidentes, era/é um ser humano fantástico no qual ainda preservo esta amizade com ele. De facto não perdemos o contacto e falamos muitas vezes.

Carreira
Boavista : 2004/2005 – 33 jogos – 1 golo


Boavista : 2005/2006 – 32 jogos


Boavista : 2006/2007 – 26 jogos

Voltas a Leiria com o Paulo Duarte no comando. A época começa muito bem, com o apuramento para a Taça UEFA via Intertoto, a eliminação do Macabi Haifa, com uma brilhante vitória em Israel. Caíram aos pés do Leverkusen depois de uma derrota na Alemanha por 3-1 e uma bela vitória em Leiria por 3-2. As coisas depois correram mal e chegou Vítor Oliveira. Um treinador que actualmente tem feito grande sucesso a subir equipas da II para a I Liga. Como foi trabalhar com ele, num momento difícil para o clube que culminou com a descida de divisão?

Tiago: Quando o Vítor Oliveira chegou é certo que o campeonato, para nós, não estava a correr da melhor forma. Apesar da sua evidente experiência, não conseguimos evitar a descida de divisão.

Tens a tua primeira experiência na Segunda Liga com o Leiria. Foi duro cair de escalão e enfrentar a nova realidade?

Tiago: Sim, sem duvida. Depois de muitos anos a jogar em equipas que se encontravam na primeira divisão, vejo-me então a disputar o campeonato na Segunda Liga. Na fase inicial, a minha adaptação foi bastante difícil uma vez que o futebol é distinto.

A descida do Leiria coincide com a subida do clube da tua terra ao escalão principal. Não regressar à Trofa nessa temporada é uma mágoa que tens?

Tiago: Curiosamente nessa temporada já estava em mente vir até ao clube da Trofa sendo sempre este o meu objectivo. No entanto, não houve nenhum convite formal e então permaneci no Leiria. Não guardei qualquer mágoa dentro de mim. O desejo de vestir as cores do Trofense era uma coisa, o facto de eles subirem de divisão era outra. Sem duvida que fiquei muito triste pela nossa descida de divisão o que, em contrapartida, fiquei contente por ver o clube da minha terra subir.

Carreira
União de Leiria : 2007/2008 – 31 jogos


União de Leiria : 2008/2009 – 33 jogos – 1 golo

Curiosamente consegues a subida em Leiria, e o Trofense desce à Segunda Liga. Decidiste regressar com o coração ou com a cabeça?

Tiago: Com o coração, sem dúvida. Sempre foi esse o meu objectivo apesar de que tinha a possibilidade de permanecer no Leiria que se encontrava na Primeira Liga e também no Rio Ave.

Em 2010/2011 o Trofense falha a subida por um ponto. Uma das maiores frustrações que tens na carreira é não ter jogado na Primeira Liga com o Trofense?

Tiago: Sim, também. Gostava muito ter vestido as cores do Trofense na Primeira Liga visto que não só era o clube da minha terra como também o clube do meu coração.

O Trofense entrou num processo de crise financeira e de resultados. Para alguém experiente e que certamente tinha regressado com a intenção de ajudar, como foi passar por esse momento por dentro?

Tiago: Não foi nada fácil. O clube passava por muitas dificuldades financeiras. Criou então muita instabilidade no clube o que não foi fácil gerir tudo isto por dentro. Quando acontece isso é óbvio que mesmo com muita vontade se irá reflectir nos resultados.

O clube acaba por cair para o então designado Campeonato Nacional de Seniores. Dos maiores palcos do futebol europeu, para o Parque Desportivo do Arnado , casa do Torcatense, a mesma paixão pelo jogo, ou acima disso paixão pelo Trofense?

Tiago: Tanto uma coisa como outra. Mesmo sendo a minha primeira experiência no CNS, acima de tudo, não deixei de ter a mesma ambição e paixão pelo futebol o que é fundamental seja nos maiores palcos seja no Parque Desportivo do Arnado como refere.

Marcas no teu primeiro jogo no CNS, nessa partida com o Torcatense, aquele festejo diz tudo sobre a forma como estavas a encarar essa nova etapa?

Tiago: Foi um festejo de tremendo amor à camisola. Independentemente da divisão, o festejar dos golos eram sempre com grande satisfação.

Carreira
Trofense : 2009/2010 – 34 jogos


Trofense : 2010/2011 – 31 jogos – 1 golo


Trofense : 2011/2012 – 33 jogos


Trofense : 2012/2013 – 43 jogos


Trofense : 2013/2014 – 46 jogos – 2 golos


Trofense : 2014/2015 – 37 jogos – 1 golo


Trofense : 2015/2016 – 28 jogos – 3 golos

…era de facto a minha imagem. Um jogador agressivo e competitivo mas no bom sentido. A minha vontade, o meu querer, a minha ambição. Talvez por isso tenha chegado onde cheguei sempre com essa imagem muito vincada.

Outro clube que te diz muito vive também uma fase longe dos grandes palcos. Com vês a actual situação do União de Leiria?

Tiago: Muito desagrado e muita tristeza. Atendendo à crise financeira vi este clube cair às divisões secundárias. Creio, no entanto, que se está a recompor e a crer-se erguer também. Em breve veremos este clube onde realmente merece estar.

Tantos anos de profissional, por campeonatos distintos, existe Bom Futebol, bons jogadores e treinadores para descobrir em muitos Palcos que muitos desconhecem. O bomfutebol.pt acompanha o Campeonato de Portugal Prio, qual a tua opinião sobre essa competição?

Tiago: Como já disse, um campeonato muito diferente, uma outra realidade. É triste ver que tanta gente desvaloriza este campeonato esquecendo-se de que é aqui que muitas das vezes encontram-se jovens com muita qualidade que podem por isso um dia mais tarde virem a ser muito falados.

A tua forma de estar em campo, no limite, na raça, dava-te a fama de duro. Era mais fama que proveito?

Tiago: Não era mais fama que proveito, era de facto a minha imagem. Um jogador agressivo e competitivo mas no bom sentido. A minha vontade, o meu querer, a minha ambição. Talvez por isso tenha chegado onde cheguei sempre com essa imagem muito vincada.

Olhando para trás, tomavas alguma decisão diferente em algum momento específico da carreira?

Tiago: Sinceramente não. Todas as decisões que tomei ao longo de toda a minha carreira foram sempre fundamentadas e com muita responsabilidade, não me arrependo de nada.

Imagem que partilhou nas redes sociais

Que peso teve a tua família e as tuas origens, no profissional de futebol que foste?

Tiago: A família é a base de tudo. Foram incansáveis e fundamentais em especial o meu pai. Sempre me acompanhou e ajudou-me por isso em todas as minhas decisões.

Aqueles quadros feitos pelo teu avo com fotos tuas nas equipas onde jogaste, valem certamente mais que a Champions que acabaste por não vencer naquele ano de 2004, ou qualquer outro troféu. Que conselho do teu avô nunca esqueces?

Tiago: De facto os quadros que tenho em minha casa oferecidos pelo meu avô valem mais do que uma Champions. Têm um grande valor para mim. Foi ele que me ajudou desde a formação. Os meus pais na altura não tinham grandes possibilidades e por isso o meu avô chegou-me a oferecer equipamentos e chuteiras. De entre várias palavras do meu avô, ele sempre me disse para ser eu mesmo estivesse onde estivesse na minha carreira profissional. Foi isso que tentei fazer e penso que consegui. Manter sempre a humildade. Não deixar em vão os princípios e valores transmitidos pela família. Orgulho-me sem dúvida de ouvir os meus amigos dizer que nunca mudei e sempre fui a mesma pessoa. Tenho a certeza que lá em cima o meu avô também está muito orgulhoso de mim.

A família é a base de tudo. Foram incansáveis e fundamentais em especial o meu pai. Sempre me acompanhou e ajudou-me por isso em todas as minhas decisões.

Aquele momento em que vestiste pela ultima vez a camisola do Trofense, no ultimo jogo da carreira, está bem gravado na tua memória?

Tiago: Sem duvida. Tal como já disse, nessa noite que antecedeu esse mesmo jogo não foi fácil adormecer e encarar essa dura realidade. No jogo, por norma, como era o capitão, o treinador Vitor Oliveira pedia-me para dar sempre umas palavras antes do apito inicial. Curiosamente, nesse mesmo jogo não foi possível. Estava bastante emocionado. Durante os 90 minutos reconheço que dava por mim a pensar que aquele seria o meu último jogo do que propriamente no jogo em si, não foi fácil. Após o jogo, toda a invasão de campo, todos os aplausos, todo o reconhecimento, todos os abraços, todas as palavras foram simplesmente especiais.

Tens saudades de mandar uma SMS à tua filha no final de cada jogo? Que papel teve ela nos teus últimos anos no Trofense?

Tiago: Na última semana de treinos recebia todos os dias uma mensagem da minha filha, Maria João, que transmitiam a saudade que iria permanecer para sempre. Não só nesta última semana de treinos como também no final de casa jogo. Sem duvida que tenho saudades destas palavras vindas de uma pessoa tão especial. A minha filha foi a pessoa que mais me incentivou a alongar cada vez mais a minha carreira. Visto que nasceu no meio do mundo do futebol, a paixão que ela tinha/tem pelo futebol é sem duvida cativante. É de salientar também que ela própria dizia-me o orgulho tremendo que tinha em ver-me jogar. Sem palavras…

Os balneários têm uma força que, quem nunca vive um por dentro desconhece?

Tiago: Sim, na maioria das vezes sim. É fundamental o ambiente gerado por um balneário. É a nossa segunda casa, a nossa segunda família. Fazendo um bom balneário com uma grande união é um dos aspectos mais importantes para triunfar no futebol.

Desde o final da carreira profissional mantens ligação ao futebol? Quais os teus planos para o futuro?

Tiago: Sim. A paixão continua e o amor pelo futebol igualmente. Acompanho jogos de vários escalões.

Sinceramente ainda não tenho nada decidido. É certo que já tive vários convites. Uns não foram sequer convites sérios, com amor ao futebol. Outros ainda estou a ponderar, visto que tenho como perspectiva de futuro ficar ligado ao futebol.

O que é para ti Bom Futebol?

Tiago: Bom futebol, na minha maneira de ver, é um jogo bem disputado por qualquer das equipas que vão a jogo sem conflitos.

No bomfutebol.pt temos uma área técnica, como viveste as mudanças nos métodos de treino, de comunicação etc dos primeiros treinadores que tiveste, para os últimos anos da carreira?

Tiago: São métodos muito distintos. Temos que estar conscientes de que antigamente o método de treino era mais físico sem grande informação em relação ao adversário. Hoje em dia é tudo mais fácil e tudo mais ao pormenor também. O método de treino acaba por ser distinto uma vez que treinamos mais com bola no próprio campo.

Recordas alguma palestra, alguma conversa pré-jogo que te tenha marcado especialmente?

Tiago: Recordo todas as palestras em que tínhamos o visionamento de um vídeo motivador. Sem dúvida que a vontade de entrar dentro de campo era ainda maior.

Foste galardoado pela Câmara da Trofa na Gala de Desporto de 2016, com o Troféu Orgulho Trofense. O carinho das tuas gentes foi o maior troféu da tua carreira?

Tiago: Em primeiro lugar o reconhecido da Câmara da Trofa foi sem dúvida marcante. Todos os troféus têm a sua importância e o devido valor, é certo que sim, no entanto, ser reconhecido pelas minhas gentes é sem duvida gratificante, não só pela carreira em si como também pela pessoa que me tornei.

Que ficou do Tiago Jogador profissional agora no Tiago cidadão comum digamos assim?

Tiago: Fiquei com uma imagem, acima de tudo, limpa e muito valorizada. Independentemente da camisola que envergava era sempre um lutador dentro de campo. Como já disse, a paixão e a vontade dentro de campo eram sempre essenciais e jamais faltaria tudo isto. Relativamente à minha pessoa, orgulho-me de saber que por muitos clubes por onde já passei, sempre mantive um dos factores mais importantes no futebol, senão o mais importante: a humildade.

Recentemente o Tarantini trouxe a debate a realidade da vida dos jogadores profissionais depois de terminarem as carreiras. É uma realidade difícil para muitos, esse problema foi algo que tiveste sempre em mente? Preparaste bem o teu pós-futebol?

Tiago: Sim, sempre com consciência e a preparar o futuro. Temos que estar conscientes de que a carreira no futebol é curta e por isso temos sempre que precaver o dia de amanhã e não entrar por isso em ilusões, o que é bastante comum no futebol.

Jogaste ao mais alto nível até ao final da carreira, por exemplo em 2013/2014 fizeste 46 jogos. Qual o segredo para essa longevidade?

Tiago: Acima de tudo nunca tive uma lesão grave em toda a minha carreira o que não é muito vulgar e que por sua vez ajuda bastante. A vida “extra futebol” que eu também fazia contribuiu bastante. Não esquecendo também a vontade, querer e ambição que sempre tive em cada jogo. Fosse com 20 fosse com 40 anos.

Sonhas com o regresso do Trofense aos grandes palcos?

Tiago: Claro que como Trofense esse é o meu desejo.

Foste um jogador de equipa, achas que é cada vez mais difícil os jogadores abdicarem um pouco do ego, para se sacrificarem pelo colectivo?

Tiago: Não é propriamente difícil, é uma questão de mentalidade. Uma das coisas fundamentais de um jogador é que se não pensarem no colectivo, dificilmente o sucesso individual aparece. Infelizmente existem jogadores que ainda não pensam desta forma.

Que dirias hoje aquele Tiago que treinava nas ruas da Trofa nos anos 80?

Tiago: Digo então que era um miúdo que não imagina sequer vir a fazer a carreira que fiz. Lá está, mais uma vez refiro a humilde no futebol. Treinava eu nas ruas da Trofa nos anos 80, passei por exemplo pela Liga dos Campeões, pelo CNS entre outras coisas e sempre me mantive humilde. Fundamental.

Achas que em Portugal se vive muito dos 3 grandes e os clubes da terra ficam demasiado em segundo plano?

Tiago: Sim, infelizmente sim.

Alguma vez te sentiste ídolo de alguém?

Tiago: Um ídolo? Sem duvida da minha filha. Dizia-me várias vezes isto mesmo. Um ídolo, um orgulho. De resto, é curioso que via muitas vezes miúdos dizerem-me que eu era um exemplo para muitos jovens promessas. Gratificante.

Defrontaste o Messi na sua estreia na equipa do Barcelona no Estádio do Dragão. Foi mais difícil para ele ou para ti?

Tiago: Na altura o Messi tinha 17 anos. Da mesma maneira que não me passava pela ideia a mim fazer a carreira que fiz, certamente que ao Messi também não lhe passara pela ideia, tão jovem, vir a ser um dos melhores do mundo. Na altura era um “simples desconhecido”.

Numa carreira tão recheada…faltou a selecção A. Foste internacional sub 21. Arrepiava ouvir o hino ?

Tiago: Não há sensação mais gratificante e importante do que um profissional de futebol vestir a camisola da nossa selecção. Defender as nossas cores e honrar a camisola. O hino? O hino é algo indescritível e emocionante.

O que gostavas que os adeptos dos clubes por onde passaste, recordassem do Tiago jogador?

Tiago: É um facto que quando jogava e mesmo agora que deixei de exercer esta profissão, sempre tiveram uma excelente ideia minha. Um jogador que deixava tudo em campo, que independentemente do clube defendida sempre as cores desse mesmo clube com vontade, querer e ambição. Esta é de facto a imagem que quero que os adeptos continuem a ter de mim, um bom profissional.

GOLOS

Nunca foste um goleador, mas sim, um jogador de equipa, um trabalhador pelo colectivo. Ainda assim um dos  18 golos oficiais da carreira é precisamente marcado ao….Trofense. Foi certamente um mistura de emoções ?

Tiago: Sim, recordo-me perfeitamente desse momento. Foi um jogo disputado para a Taça de Portugal. Apesar de ser um golo importante no qual contribuiu para a nossa vitória, não festejei o golo com o devido respeito ao clube da minha terra.

Outro golo que certamente recordas com especial importância, foi o único que marcaste em Espanha, numa partida decisiva para a subida do Rayo. Como foi esse momento?

Tiago: Isso aconteceu no último jogo que dava acesso à primeira liga Espanhola onde fui eu quem marcou o golo da vitória. É importante salientar que estava, nesse dia, o estádio completamente cheio com 70 mil pessoas. Deu assim aceso à subida de divisão. De facto é um momento marcante e importante que jamais esquecerei.

O teu lado goleador tem também um golo para lá dos 90 minutos numa vitória do Boavista no Restelo. Lembraste desse golo? Recordas alguma outra vitória importante para lá dos 90 minutos? E derrota?

Tiago: Sim, lembro-me muito bem. Tanto vitórias como derrotas importantes para além dos 90 minutos não me recordo de momento.

No Trofense marcaste alguns golos, todos vividos de uma forma mais intensa e especial. Impossível ficar indiferente à força desta foto e às imagens deste de outro festejo com dedicatória para o teu avô. São os golos da tua carreira?

Tiago: Sem duvida que são dois dos golos mais importantes da minha carreira. Primeiro de tudo por ser no clube que foi, depois disso por ser para quem foi: tanto para a minha filha como para o meu avô. Duas pessoas importantíssimas na minha vida.

Porquê o 66?

Tiago: Curiosamente quando cheguei ao F.C. Porto era o número 6 mas visto que já existia um jogador com este número na camisola, nomeadamente o Costinha, o Mourinho disse-me então que iria ficar com o 66. Desde então segui sempre com este número.

NUMA PALAVRA:

Manuel José: Admiração

Mourinho: Marcante

Rui Faria: Craque

Trofense: Paixão

Estádio da Luz: Grandioso

Familia: Tudo

Madrid: Inesquecível

Sevilha: Memorável

F.C.Porto: Títulos

Boavista: Grande

Leiria: Saudade

O teu Bom Futebol

Um Estádio: Antigo Estádio da Luz

Um golo: De entre alguns golos, os mais emotivos foram sem duvida aqueles que dediquei à minha filha e ao meu avô

Um colega de equipa: Vários marcantes

Um Treinador: Manuel José

Um capitão: Jorge Costa

Uma vitória eterna: Jogava eu no Rayo quando marquei o primeiro golo da partida que ajudou assim à subida à primeira liga Espanhola

Uma derrota eterna: Estava eu a jogar no Famalicão quando perdemos com o Benfica

Uma assistencia: Não me recordo

Um adepto(a) : Maria João (filha)

Um adversário: João Vieira Pinto

Um idolo: Maradona

Titulos
Taça UEFA – 2002/2003


Taça Intertoto – 2007


2 – Ligas Portuguesas – 2002/2003; 2003/2004


1 – Taça de Portugal – 2002/2003


1 – Supertaça Cândido Oliveira – 2003

Uma viagem pela carreira e vida de Tiago Pereira, mais de vinte de anos de futebol profissional. Um caminho que terminou onde começou, com o símbolo do Trofense no peito, a mesma chama e a mesma paixão, o mesmo querer em disputar cada lance como se fosse ultimo. Um exemplo cada vez mais raro num futebol, em que cada vez mais,  se erguem heróis em cima de pequenos momentos e de uma boa imagem.  Um percurso sólido e genuíno do menino que terminou onde queria, junto dos seus.

 

Tenho a certeza que lá em cima o meu avô também está muito orgulhoso de mim.

Autor: Carlos Soares

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