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UEFA Pensa Acabar com os Jogadores Emprestados…

UEFA Pensa Acabar com os Jogadores Emprestados… O que sucederá aos Clubes Portugueses?

O Plano de Intenções da UEFA Quanto Aos Empréstimos

São intenções bastante claras do presidente da UEFA, Alexandre Ceferin e que, a avançarem sob a forma de lei, irão condicionar decisivamente a construção dos planteis de muitas equipas europeias, inclusivamente as portugueses.

O esloveno, em entrevista, manifestou a intenção em regulamentar os contratos de empréstimo temporário dos jogadores, restringindo-os, ou, em última ratio, proibi-los, simplesmente! A justificar tal intenção, citou o caso de um clube italiano, que no presente momento, possui um plantel de 103 jogadores.

Tal permite a violação das regras de são concorrência e de competição justa, pois permite que as equipas mais poderosas financeiramente comprem os jogadores que entenderem, simplesmente para os ceder a outras equipas.

O Caso Português

Com bem sabemos, o campeonato português é pródigo neste fenómeno. Efectivamente, todas as equipas, inclusivamente as mais tituladas, possuem jogadores cedidos a título temporário.

Porém, importará fazer uma ressalva importante: enquanto os clubes mais fortes recebem jogadores cedidos do estrangeiro, os de classe média e baixa contentam-se em preencher os lugares do seu plantel com jogadores cedidos pelos mais fortes.

Consequências Desta Aposta

Tal aposta é conducente a um dos dramas do futebol nacional. Efectivamente, esta possibilidade tem sido merecedora de grande controvérsia e gerado várias alterações legais e um curiosa dicotomia entre as regras da FPF e da Liga Profissional.

Assim, se até há bem pouco tempo era permitido ter uma equipa de jogadores cedidos a título temporário, foi restringida essa possibilidade a três atletas por cedente. Se até há bem pouco tempo os atletas cedidos podiam livremente actuar contra o clube cedente (ainda que subrepticiamente, e alegando motivos de lesões muitos não o fizessem), agora encontram-se impedidos de o fazerem.

Porém, e aí é que entra a supra citada dicotomia. Estas leis não são aplicáveis às provas da Federação, pelo que um jogador cedido pode defrontar o seu clube de origem nas provas da Taça de Portugal.

Além disso, e por muito que nos custe dizê-lo, tal aumenta a dependência e subserviência dos clubes mais debilitados. Efectivamente, e analisando pelo prisma inverso, permite aos mais fortes manter uma rede de controlo de “clubes amigos” que não terão qualquer interesse em “erguer a voz” contra os desígnios dos “amigos” que lhe cederam os atletas. Amigos esses, que por vezes, em caso de interesse súbito, resgatam os atletas inexpectadamente (como aconteceu com o FC Porto com Abdoullaye ao Vitória SC, ou o Sporting com Podence e Geraldes ao Moreirense). Tal apanha desprevenido o clube onde se encontravam a actuar, podendo afectar toda uma época…

Num País Formador Como Será?

Portugal é um pais formador por excelência. Os escalões jovens do futebol português encontram-se a um nível superior da maioria dos países europeus.

Além disso, os nossos campeonatos dos escalões mais jovens são de uma competitividade acima da média, o que permite a que equipas como o Moreirense esteja, presentemente, a lutar pelo apuramento para a fase de campeão, ou equipas como o Vitória SC, o Boavista, o SC Braga ou, até o Alverca, tenham logrado obter campeonatos nacionais.

Assim, se a ideia de Ceferin passar à prática, tal será quase como, citando o Padre António Vieira, ” em vez de dar o peixe, ensinar a pescar”!

Passaria pela necessidade das equipas menos favorecidas financeiramente, ao invés de se aterem nos dispensados dos mais fortes, apostarem no seu produto.

Passaria pelos clubes mais fortes investirem com mais critério, ao invés de comprarem desregradamente ( e às vezes, sem necessitarem), sob a desculpa se o jogador não se integrar, poder ser emprestado e ganhar um amigo…amigo esse que quando actuar contra o clube cedente terá de escalar um reserva!

Acima de tudo, uma maior moralização do futebol, em que cada um poderá competir com os recursos gerados “per si”, ao invés de aceitar receber os atletas de equipas mais fortes.

O Futuro

Tal fará com que a competição se torne mais sã….com cada um a competir através dos seus meios.

Porém, é uma mera ideia a carecer de deliberação na UEFA…e quase apostamos como Portugal irá votar tal medida… é que, infelizmente, a ninguém interessará findar com o “status quo” vigente!

Autoria: Vasco André Rodrigues (A Economia do Golo)

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