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Um Benfica em crise?

Benfica em Crise?

Um Benfica em crise?

O clube encarnado tem aproveitado o excelente desempenho desportivo (tetra campeões e 2 passagens da fase de grupos da Champions League nos últimos 2 anos), para encaixar milhões em vendas e, consequentemente, propagar a marca Benfica. Mas os recentes maus resultados têm arruinado todo este caminho. Serão estes resultados apenas uma pedra no percurso, ou terá o clube da Luz chegado a um beco sem saída?

A verdadeira crise

A tão falada crise poderá não ser tão problemática como se pode fazer crer, pois o Benfica até agora ganhou a supertaça e, no campeonato, defrontou os adversários mais complicados fora de portas (tirando os 2 grandes + Braga), ou seja, Rio Ave, Marítimo, Chaves e Boavista, logo, teoricamente, o campeonato ainda está ao alcance. E, apesar de qualquer vergonha europeia, os adeptos portugueses acabam por se esquecer de tudo em prol da conquista do campeonato.

Na minha opinião, a verdadeira crise benfiquista não são os resultados recentes, mas sim o acumular de sucessivos erros que são remendados e não completamente curados. Esta “pequena” queda é apenas uma consequência destes mesmos problemas.

Oportunidades de negócio

No mundo de futebol, os clubes têm que aproveitar para lucrar com algumas oportunidades de negócio, como Marçal, Candeias, Murillo, etc. Algumas podem correr mal, como Carrillo, mas se o clube, no final do ano, consegue lucrar com isso não há como reclamar desses negócios.

A questão prende-se quando se compromete o rendimento desportivo do clube em prol de um possível ganho! Por exemplo, Seferovic foi contratado no início do verão a “custo 0”, sem o clube encarnado ter vendido qualquer avançado, ou seja, obrigou o clube a vender Mitroglou ou Jimenez, quando estes dois garantiam qualidade para a posição de avançado, e apostar no internacional Suíço que poderia ou não funcionar.

“Tivemos duas opções: ou vender Jiménez ou o Mitroglou. O que não faz sentido é ter três avançados para um jogar, outro ir para o banco e o outro ir para a bancada”

Luis Filipe Vieira

O mesmo se pode dizer de Rafa e Carrillo, que acabaram por não confirmar as suas qualidades, porque foram empurrados para o plantel só por serem oportunidades de negócio e não porque o plantel precisava deles.

Preparação do plantel para a nova época

Existe, também, problemas na preparação do plantel para a atual época, ou seja, existem muitas posições carenciadas, que não foram devidamente saciadas. Destas, há que dar o destaque às seguintes:

Guarda-Redes: Com a saída de Ederson, em Junho, seria “fácil” encontrar um guarda-redes bom e experiente a tempo (por exemplo Diego Alves). Os encarnados teriam que pagar bem, em termos de salário e prémio de assinatura, mas numa questão de 2/3 anos garantia-se qualidade, tempo e espaço a Bruno Varela e Svillar obterem qualidade e experiência para um deles ser o titular a médio prazo, algo parecido com a passagem de testemunho entre Júlio César e Ederson. No entanto, Rui Vitória foi obrigado a usar ambos jogadores numa situação de imensa pressão, pois Júlio César já não garante qualidade física para ser titular.

Defesa direito: Apesar da saída de Nelson Semedo, o Benfica já teria salvaguardado esta posição com as entradas de Buta e Pedro Pereira, mas no início da época tudo mudou, com a má prestação de ambos na pré época. Este acontecimento não seria um dilema se ambos tivessem sido contratados neste verão, mas estes já estavam a treinar com o plantel sénior do clube desde Janeiro, logo se houvesse alguma suspeita de falta de qualidade, esta já deveria ter sido prevenida desde o início da pré temporada, e não no fim da mesma.

A boa saúde financeira

O desinvestimento que o clube da luz tem feito em prol da “recuperação de capitais próprios” e da boa saúde financeira é algo de salutar. Mas, na minha opinião, a boa saúde financeira não invalida o desempenho desportivo, ou seja, se são visíveis a fragilidade de certas posições, não investir nas mesmas acaba por comprometer o desempenho desportivo e, consequentemente, o desempenho financeiro do clube. Sejam os prémios da UEFA, a venda dos jogadores, ou a conquista do campeonato, tudo depende do desempenho desportivo, para poder obter o maior lucro possível.

A única explicação lógica, para este desinvestimento exagerado, é a falta de confiança no clube, para voar mais alto na europa, ou seja, como não há crença que o clube possa chegar mais longe nas competições europeias, mais vale desinvestir e “apenas” lutar pelo campeonato e, com alguma sorte no sorteio, a fase de grupos da Champions League.

Algo que eu claramente reprovo, pois temos o exemplo do Monaco, na época passada, de como se pode juntar um plantel de grande qualidade, sem ter que gastar 20 milhões por jogador.

Demasiados excendentários

Por fim, há que referir os 92 jogadores que estão sob contrato do Benfica.

Deste número de jogadores, há que retirar 25 jogadores do plantel A + 25 jogadores do plantel B, porque os dois planteis têm que fazer mais de 45 jogos por época, logo é necessário o plantel ser extenso e ter qualidade, para que se faça uma boa rotatividade do mesmo.

Dos 42 restantes, retira-se 13 jogadores emprestados que, ou são da formação e precisam de minutos na primeira liga (Yuri Ribeiro, Buta, Pedro Rodrigues, João Teixeira e André Horta), ou são oportunidades de negócio e, por isso, poderão fazer render algum dinheiro ao Benfica (Ponk, Patrick Vieira, Pedro Nuno, Jhon Murillo, Agra, Hamdou Elhouni, Armando Pelaez e Patrick Vieira).

Por último, há que retirar os erros de casting que é normal acontecer, porque nenhum clube no mundo consegue acertar 100% das suas contratações, logo retira-se Cristante, Jovic, Sarkic, Saponjic, André Carrillo, Talisca, Taarabt, Dalcio, Ola Jonh e Pedro Pereira.

Sumariamente restam 19 jogadores, ou seja, 5 jogadores que estão a mais na equipa A (Bruno Varela/Júlio Cesar, Chrien, João Carvalho, Rafa e Gabriel Barbosa) e 14 jogadores que desde cedo não se percebeu a sua contratação/renovação, logo poderiam ter sido evitadas logo de início (André Ferreira, Matheus Leal, César, Alexis Scholl, Matos Milos, Reinaldo Mandava, Hermes, Jorge Pereira, Pawel Dawidowicz, Fali Candé, Aires Sousa, Diego Lopes, Francisco Vera e Arango).

Conclusão

Não se pode ser extremista nestes casos, ou seja, nem tudo é ótimo nem tudo péssimo. Existem coisas que foram muito bem-feitas (Seixal, tetracampeões, Benfica europeu, Benfica eclético, etc…), mas existem muitas coisas a serem melhoradas. Logo o Benfica não pode continuar este caminho, sem tentar suprimir estas falhas. Como, também, não é o caminho certo rasgar, por completo, a direção, jogadores e staff benfiquistas, porque só motiva a uma maior desorganização de todo o bom trabalho aqui feito.

O Benfica está em crise? Sim, mas a crise não são os resultados, como muitos afirmam, mas sim os “pequenos” argumentos lançados através deste artigo, que podem provocar problemas mais graves a médio/longo prazo.

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