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Um Treinador na China – Capítulo 1

Diário de um Treinador na China

Um Treinador na China – Capítulo 1

Escrevo a primeira entrada este diário/registo para o Bom Futebol, precisamente uma semana após ter chegado à China. Uma aventura que deixa à distância mulher, família e amigos, que muita força me deram para esta grande aventura de dez meses.

Mais que uma partilha do dia a dia durante o tempo que estiver em terras orientais, este diário serve principalmente como meu testemunho do choque cultural e futebolístico, entre duas nações tão distintas. Provavelmente também irei fazer deste espaço, que espero que consiga ser de frequência semanal, um local de desabafo e ao mesmo tempo de aproximação com a cultura portuguesa, em especial nos momentos em que a saudade forem mais fortes.

O Início da Aventura

Como tudo começou? Pois bem, a meados deste ano, o governo chinês tornou obrigatório o ensino de futebol nas escolas públicas da China. Desta forma, o próprio governo disponibilizou fundos para que as escolas contratassem treinadores estrangeiros de futebol para dinamizar a modalidade nas escolas e por consequente nas diferentes regiões. É desta forma que sou convidado a dar treinos na Escola Primária Experimental de Yan’an, uma pequena cidade na província de Shanxi.

Após o moroso processo para a obtenção do visto de trabalho, na manhã no dia 3 de Novembro apanho o voo directo de Lisboa para Pequim. Após longas doze horas de voo, chego à capital chinesa pouco passava das cinco da manhã do dia 4 de Novembro. Sim perde-se um dia, somente com a viagem!

Chegada a Pequim, as diferenças são mais que evidentes. Tudo é em grande! Trânsito. O número de pessoas na rua. A cidade de Pequim não dorme! Encontras sempre alguém na rua, seja a que horas for. Tendo viajado com um grupo de treinadores que fazem parte do mesmo projecto, apesar de alguns em cidades diferentes, temos que ficar alguns dias em Pequim para fazer uma formação. Esses dias permitem que visitemos alguns dos locais mais icónicos de Pequim (a Cidade Proibida, a Praça de Tian’anmen e o famoso Metro de Pequim) bem como a ficar a conhecer um pouco melhor da gastronomia local. A comida chinesa em Portugal, não tem nada haver com a verdadeira comida chinesa. Na China os sabores têm muito mais intensidade, apesar de também recorrerem com mais frequência ao uso de picantes e diferentes ervas aromáticas.

Chegada a Yan’an

Contudo não foi por Pequim que nós ficamos. Na quarta-feira, dia 8 de Novembro aterramos no aeroporto de Yan’an. Um pequeníssimo aeroporto, onde estava somente o nosso avião. O serviço de descarga e recolha de bagagens foi feito por uma carrinha de caixa aberta, directamente para a pequena sala de recepção dos passageiros. À nossa espera uma verdadeira comitiva governativa, que nos tratou como verdadeiras estrelas. Devo de dizer que me senti algo impressionado com tão inesperada recepção.

Após algumas fotografias à entrada do aeroporto, fomos encaminhados para os escritórios governativos da cidade de Yan’an, onde tivemos um encontro de boas-vindas com alguns elementos directivos escolares e desportivos da cidade. Ouvimos cada um dos dirigentes e depois foi-nos dado a possibilidade de proferir algumas palavras de agradecimento por tão calorosa recepção e acompanhamento.

Terminada a reunião, dois dos nossos colegas foram encaminhados para as suas respectivas localidades de trabalho, enquanto que eu e o Eduardo, outro treinador português nesta aventura, ficamos em Yan’an e a viver na mesma casa.

A maior dificuldade para já?

Estes últimos dias em Yan’an têm servido para conhecermos os nossos locais de trabalho e colocarmos a casa um pouco mais ao nosso gosto. Aproveitamos também para conhecer novas pessoas, que têm feito um esforço fantástico para nos receberem e nos fazerem sentir como se fossemos uns deles. Fizemos amizade com os treinadores/dirigentes do único clube que trabalha ao nível da formação na cidade. Fomos amigavelmente recebidos com presentes e convites para assistirmos aos treinos deles. Dá para sentir da parte deles que têm um verdadeiro gosto em privar connosco para se criar um momento de intercâmbio de conhecimento a nível do treino do futebol, bem como em termos culturais. As pessoas desta cidade não estão habituadas a verem estrangeiros/europeus. Contudo apesar de sermos uma novidades para muitas destas pessoas, em especial as crianças, temos sido recebidos com a maior simpatia.

A maior dificuldade para já? Claramente a comunicação. Apesar de termos um tradutor de inglês para mandarim, os conhecimentos orais da língua inglesa deixam um pouco a desejar. Contudo entre um inglês mais macarrónico, uns gestos e o uso de novas tecnologias, temos conseguido manter uma comunicação mínima para existir entendimento. É a boa forma de “desenrascar” do português.

O trabalho começará oficialmente a partir de segunda-feira. A partir desse dia saberei em concreto quanto trabalho me espera e as possíveis dificuldades que possam surgir no dia-a-dia.

 

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