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VAR: Uma questão de transparência

VAR: Uma questão de transparência

VAR: Uma questão de transparência

A última semana foi bastante conturbada para o VAR. Em Portugal, foram várias as polémicas em lances capitais de jogos que envolveram alguns dos clubes da frente. Na Alemanha, o responsável máximo do projeto VAR, Hellmut Krug, foi demitido depois de acusações de benefício ao Schalke 04. Fala-se mesmo da possibilidade de abandono do VAR em terras germânicas após a paragem de inverno da Bundesliga.

Como em várias situações na vida, e na história da humanidade, a evolução ou mudança encontra sempre várias resistências. Mas no caso do VAR o problema ultrapassa a questão da resistência à mudança. Há vários meses atrás escrevi aqui, a propósito do anúncio da introdução do VAR na Liga NOS, que não acreditava que a introdução do VAR reduzisse as polémicas no futebol, em particular no português. Quatro meses depois, parece-me consensual que a minha previsão se confirmou, o que convenhamos não era muito difícil de adivinhar…

Mais importante que parecer, é ser sério

O primeiro grande erro, em especial em Portugal, é a incapacidade ou vontade de fazer do VAR um sistema o mais transparente possível. Apesar de muitas reclamações, até hoje foi libertado um único áudio das comunicações do VAR com uma equipa de arbitragem. Em 11 jornadas, apenas um único lance mereceu que o áudio fosse tornado público. É incompreensível e não beneficia a transparência da Liga NOS quando todos ralham e ninguém tem razão.

Na Alemanha, por exemplo, e apesar do caso acima citado do afastamento do responsável máximo do projeto VAR, existe um programa com reportagens semanais sobre o VAR. Com equipas de reportagem a mostrarem o que se passa no estúdio onde o VAR atua. Com entrevistas aos assistentes do VAR que ajudam os árbitros a tomar as melhores decisões. Tudo é feito às claras com o objetivo que haja uma educação do público face a esta introdução revolucionária para o jogo. Porque não também em Portugal?

Outra questão que levanta muitas dúvidas e questões, no caso da Liga NOS, é a resistência da maioria dos árbitros de irem ver os lances em caso de dúvida. Das duas uma, ou os árbitros nunca têm dúvidas (o que é grave tendo em conta a quantidade de erros que tem existido) ou acham que assumirem as dúvidas os diminui aos olhos do público e optam por assumir as decisões com base no que vêm em campo mesmo que errem algumas vezes. Basta ver os jogos dos grandes, obviamente os mais mediáticos, e contam-se pelos dedos de uma mão (e sobram dedos) as vezes que algum dos árbitros destes jogos se dirigiu à linha lateral para rever um lance passível de utilização do VAR.

Se olharmos para a Bundesliga ou a Serie A italiana, são recorrentes as situações em que os árbitros interrompem os jogos para reverem os lances de penalty ou outros de importância capital e sob a possível alçada do VAR. É já um hábito e tem reduzido o erro. Não se entende essa gritante diferença para a realidade nacional.

Olhar para os exemplos de sucesso

Por fim, porque não olhar para os exemplos de outros desportos onde a existência de assistência por vídeo para os árbitros tem já vários anos de existência e tem garantia de sucesso? Refiro-me ao caso da NFL. O Futebol Americano usa já há muitos anos a revisão de vários lances por vídeo e assim garantiu a minimização do erro. Claro que continuam a existir falhas, mas são bem menos que as que se verificam no futebol.

Em primeiro lugar, o árbitro tem um sistema de som que é ligado em cada lance para explicar ao público no estádio e telespectadores o porquê de cada decisão. Concorde-se ou não, pelo menos há uma comunicação do que foi assinalado. No futebol, obviamente, isso não é necessário em cada lance sancionado, como acontece na NFL, mas nos casos com VAR, todos ganhavam para entender o ponto de vista do árbitro para a tomada de decisão, mesmo que nem todos concordem.

Em segundo lugar, não devia ter de ser o árbitro a identificar os lances que merecem revisão. Assim, a dependência do árbitro e protagonismo do mesmo ficam inalterados. Tal como na NFL, deveriam ser os prejudicados a poder recorrer de uma decisão. Com um limite de duas reclamações por jogo (que podem ser três caso seja dada razão à equipa que protestou nas duas primeiras situações), cada treinador poderia pedir a revisão de determinados lances-chave (nem todos os lances são passíveis de revisão), como golos, penalties, livres perigosos, cartões amarelos ou vermelhos. Desta forma, seria a equipa lesada a tentar inverter uma situação onde sentisse que estava em causa o correto juízo do lance.

O principal contra apontado pela maioria a esta sugestão é o tempo que se perderia por cada reclamação, mas se isso trouxer verdade ao jogo certamente ninguém se lembrará no final se o jogo esteve parado 5 ou 10 minutos para revisões. Porque antes 5 ou 10 minutos parado do que ver os jogos prolongarem-se por uma semana inteira com base em discussões estéreis sobre as decisões dos árbitros nesse mesmo jogo. E se formos a ver, quantos jogos têm 5 ou 10 minutos de paragem por perdas de tempo propositadas dos jogadores para queimar tempo? O tempo útil médio de um jogo de futebol varia entre os 55 e 65 minutos. Muito pouco para o tempo total de cada partida, pelo que não seriam as pausas sugeridas que iam “estragar” o espectáculo.

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