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Villas Boas atrás da história – AFC 2017

Apesar das polémicas posteriores, esta é a genuína felicidade da qualificação de André Villas Boas. Fonte: Indian Express

Villas Boas atrás da história – AFC 2017

André Villas Boas sobrevive a enorme susto, afasta Evergrande de Scolari e segue na busca do título continental asiático. Shanghai SIPG, Urawa Reds, Al Hilal do ex-‘canarinho’ e ‘dragão’ Carlos Eduardo e o gigante persa Persepolis são os quatro contestantes pelo título da Liga dos Campeões AFC 2017.

Um cumprimento lusófono antes da decisão. Fonte: China Daily

Guangzhou Evergrande 5-1 (4-5, gp) Shanghai SIPG

A partida mais antecipada, do ponto de vista luso, nos quartos-de-final da Liga dos Campeões Asiáticos era o duelo chinês entre Guangzhou Evergrande Taobao, orientado por Luiz Felipe Scolari e restante equipa técnica que guiou Portugal à sua primeira final de peso (Europeu 2004), face ao Shanghai SIPG, sob o leme de André Villas Boas e sua equipa, com Hulk, Óscar e Elkeson, este a enfrentar a sua ex-equipa, pela qual venceu a prova em 2013 e 2015.

André Villas Boas avança desta forma para as meias, bate o campeão de 2013 e 2015, mas sofre enorme susto.

Apesar das polémicas posteriores, esta é a genuína felicidade da qualificação de André Villas Boas. Fonte: Indian Express

Foi um desafio a fazer lembrar a eliminatória PSG x Barcelona da temporada passada. Dois golos de Alan na primeira metade não deviam ter abalado o SIPG, com margem de 4-0 e que deveria ter espreitado mais o ataque, até para colocar em sentido o Evergrande.

Alan assiste Goulart aos 83 minutos e a loucura invadiu o estádio, quase a ‘vir abaixo’ com o 4-0 pelo mesmo Ricardo Goulart já na compensação.

Prolongamento onde os golos fora deixam de valer acabou por ter o tento de Hulk a apurar temporariamente os visitantes, no entanto Goulart converte um penalti aos 118 e leva o jogo para a decisão dos 11 metros. É o avançado gaúcho o primeiro a bater, alguns minutos depois de o ter feito no jogo corrido… acerta no poste. Ninguém mais falha e é a franquia de Xangai a avançar, deixando contudo muita confiança no futuro adversário face à fragilidade revelada.

Ricardo Goulart continua a mostrar qualidade para palcos mais mediáticos e foi ele, a par de Alan, a guindar o Evergrande de uma ‘morte’ virtual, observando o peso da derrota na partida de ida, para uma decisão apenas nas grandes penalidades. O avançado gaúcho junta-se ao lote dos mais notáveis futebolistas a falharem grandes penalidades na hora das decisões.

Do lado dos de Xangai foi festa grande.

As celebrações de um apuramento bem mais sofrido do que se antecipava depois da 1.ª mão. Fonte: Daily Mail

No dia em que de Itália chegam informações/rumores que dão conta de um pré-acordo de Ancelotti para rumar ao Guangzhou Evergrande F.C (广州恒大足球俱乐部) em Janeiro próximo, o campeão chinês deixa a AFC Champions League nos quartos.

Seria difícil acreditar que, depois do 4-0 do SIPG ao campeão chinês, a eliminatória se fosse decidir somente nos 11 metros.

Urawa Reds 4-1 Kawasaki Frontale

Takagi, à esquerda, foi o autor do golo que garantiu a qualificação. Fonte: The Japan Times

Se o Frontale está a lutar pelo título e pelo acesso directo via Meiji Yasuda J1 League à Liga dos Campeões, com Bom Futebol a cada partida, o Red Diamonds tem estado intermitente e a qualificação continental só deverá suceder em caso de triunfo nesta prova, algo que sucedeu em 2007, como abaixo se desenvolve.

10 anos depois da conquista da AFC Champions League o Urawa Red Diamonds está nas meias-finais, apenas a terceira presença do seu historial (2007 e 2008 as anteriores), com o único técnico asiático ainda em competição, Hori.

A formação de 2007 tinha Shinji Ono, Makoto Hasebe, Yuki Abe, Robson Caetano da Ponte, Marcos Túlio Tanaka, Hosogai, Hirakawa (ainda no plantel), o defesa Nenê (que chegou a representar o Sporting CP no final dos anos 90), Soma (passou pelo Marítimo), boa parte deles com carreira europeia de relevo depois dessa conquista.

A iniciar com uma confortável margem de 3-1, o Frontale adiantou-se pelo brasileiro Elsinho e as estrelas pareciam indicar as meias-finais aos homens de Kawasaki. O empate aos 35 minutos, Koroki, não abalava o amplo avanço, estava o clube de Saitama obrigado a três golos para se apurar.

O esloveno Ljubijankic deu fôlego e esperança aos 70 minutos ao fazer o 2-1, reduzindo o acumulado para 3-4, o prolongamento estava a um golo de distância. O avançado havia entrado aos 63 minutos e nem de 10 necessitou para marcar.

A expulsão de Kurumaya, ainda no primeiro tempo, acabou por se revelar decisiva para o desfecho desta eliminatória.

Em pouco mais de um minuto Rafael Silva e Takagi marcavam igualmente, aos 84 e 85 minutos, catapultando num piscar de olhos o Urawa Reds para umas meias-finais. Os adeptos regozijam e lembravam a grande conquista de 2007.

Estas meias-finais têm muito para dizer. Desde 2008, ガンバ大阪 GAMBA OSAKA, que uma formação nipónica não vence contudo é necessário recuar até 2011 para encontrar a última equipa do Médio Oriente a levantar o troféu (Al Sadd do Qatar) a anterior havia sido em 2005 (Al Ittihad da Arábia Saudita na derradeira final totalmente árabe). Persepolis e Shanghai SIPG nunca venceram esta competição.

Não era fácil reverter o 3-1 da partida de ida, contudo o Red Diamonds conquistou a remontada. Abaixo o resumo da 1.ª mão.

Al Ahli 1-3 Persepolis

O ‘gigante’ persa Persepolis F.C. tem uma pecha no seu imenso galarim, uma AFC Champions League, sendo que o clube fez hoje história ao avançar pela primeira vez para além dos quartos-de-final, cortesia do croata Branko Ivankovic, que já havia cometido o feito de apurar a formação pela primeira vez para os últimos oito, ainda a competir na condição de vice-campeão (a prova 2017 reporta-se aos desfechos 15/16 ou 2016) mas já com o título nacional 16/17 conquistado e lugar garantido na edição 2018.

O agradecimento aos que se deslocaram ao Abu Dhabi e festejo de apuramento por parte dos jogadores do Persepolis. Fonte: ESPN Brasil

Desde 2013 que um clube iraniano não estava nas meias-finais.

Contrariamente ao esperado depois do empate a dois, onde o Al Ahli até esteve com vantagem de 0-2, o Persepolis marcou cedo, passando a deter vantagem, e resistiu desde os 11 minutos com menos uma unidade no relvado. Alipour tinha sido o homem dos passes decisivos em Mascate e foi o jovem avançado a fazer esse vital tento. Alipour é um nome a reter e a observar atentamente, na senda de outros iranianos que fizeram cartel no futebol.

Al Jamaan igualou no início do segundo período e o Al Ahli voltava a ter vantagem por golos fora. Nos últimos 10 minutos penalti e expulsão de Hawsawi, igualdade numérica e o Persepolis a adiantar-se novamente, chegando ainda ao 1-3 já nos descontos, em nova grande penalidade.

As questiúnculas políticas entre Irão e Arábia Saudita levaram ambos os encontros a serem disputados em estádios neutrais. A ida foi na capital do Omã, Mascate, outrora uma das principais fortalezas lusas na rota marítima para a Índia, enquanto o retorno, hoje, se disputou no Abu Dhabi.

O empate a dois no desafio da 1.ª mão deixou tudo em aberto para o retorno. É o histórico persa a continuar a fazer história continental em 2017, com novo passo inédito no seu palmarés.

Al Hilal 3-0 Al Ain

Os sauditas do Al-Hilal Saudi Club, duas vezes campeões continentais (1991 e 2000) e três outras finalistas, são a primeira equipa a carimbar passagem aos quartos-de-final da AFC Champions League 2017. Os comandados do antigo craque argentino Ramon Diaz empataram a partida de ida a zero, confirmando o apuramento com um claro 3-0 ao Al Ain dos EAU.

Carlos Eduardo foi a vedeta do Al Hilal. Fonte: sítio oficial da AFC

A estrela do encontro foi um velho conhecido do futebol português, Carlos Eduardo, antigo médio do Estoril Praia – Futebol SAD e FC Porto, autor dos três tentos da equipa da casa, os dois primeiros em combinação perfeita com o ‘charrua’ Nicolas Milesi, formando do Club Atlético Torque de Montevideo.

Muitos futebolistas perdem-se nas mudanças para ligas menos competitivas, deixam-se desfalecer, diminuem na intensidade, cognição, mas tal não se passa com Carlos Eduardo, o criativo brilhou no OGC Nice, aquando da cedência portista, e é a estrela-mor dos sauditas do Al Hilal.

Milesi, 24 anos, saltou do Uruguai para a Arábia Saudita, todavia mostra-se como um médio de características bem ajustadas a muitas equipas de primeira linha na Europa. Aliás, estivesse Milesi a alinhar na Europa e – olhando a um dos problemas da selecção uruguaia actualmente – não espantaria que fosse primeira opção de Tabarez para o seleccionado ‘charrua’.

Do lado visitante a estrela Abdulrahman foi impotente para travar o maior poderio individual e colectivo dos sauditas.

O nulo do encontro nos EAU obrigava a golos para apuramento e o Al Hilal soube fazê-lo.

Decisões

A procura pelo título continental por André Villas Boas e sua equipa técnica, onde pode ser o primeiro português a vencer a Liga dos Campeões da AFC, prossegue diante dos japoneses do Urawa Reds.

Diga-se que já sete europeus conquistaram esta prova, no formato actual ou no anterior. O jugoslavo Zdravko Rajkov, falecido em 2006, foi o pioneiro ao conquistar a Taça dos Campeões ao leme dos persas do Esteghlal, ainda como Taj. Rajkov que havia representado como jogador a Jugoslávia no Mundial de 1958 e chegou a ser seleccionador iraniano também.

O Al Hilal obteve o seu segundo troféu em 2000 com outra antiga estrela de leste, o romeno Anghel Iordanescu, como treinador. Iordanescu viria a obter a segunda em 2005, agora orientando o Al Ittihad também da Arábia Saudita.

Bruno Metsu, o ‘feiticeiro branco’ do Senegal em 2002, também já falecido, vítima de cancro (2013), guiou o Al Ain dos EAU à conquista continental de 2003, foi o primeiro europeu ocidental a consegui-lo.

No ano seguinte foi o antigo guarda-redes jugoslavo Talajic a obter a prova como treinador do Al Ittihad.

O veterano alemão Holger Osieck foi o responsável pela conquista do Urawa Reds em 2007, praticamente no fim da sua carreira como treinador.

Lippi deu ao Evergrande o título de 2013.

As meias-finais:

26 Setembro Al Hilal x Persepolis, no Abu Dhabi, EAU

27 Setembro Shanghai SIPG x Urawa Reds

17 Outubro Persepolis x Al Hilal, em Mascate, Omã

18 Outubro Urawa Reds x Shanghai SIPG

As partidas entre formações iranianas e sauditas disputam-se em locais neutros devido às altas tensões políticas entre os dois Estados.

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